O Atlético acabou com os cinco anos de hegemonia do Amarante no andebol feminino de S. Vicente ao conquistar o seu primeiro título regional este Domingo, no polidesportivo de Monte Sossego. As “atléticas” derrotaram as penta campeãs por 26-22, numa partida em que estiveram sempre a liderar no marcador.
A formação treinada por Didi Duarte conseguiu logo nos primeiros sete minutos uma vantagem de quatro bolas (5-1), as amarantinas reagiram, mas a partida foi para o intervalo com 13-10 a favor da equipa trajada de vermelho. No arranque do tempo complementar, quando tudo indicava que o Amarante iria neutralizar a diferença, o Atlético aumentou a sua conta para cinco golos. Só que aos 47 minutos, a central Letícia foi expulsa por acumulação de dois minutos. Ao ver a formação adversária desfalcada dessa importante peça do seu ataque, o Amarante empolgou-se e começou a acreditar que era possível dar a volta no rumo dos acontecimentos. Nicole, Marri, Lola e Josina passaram a imprimir mais agressividade no sector defensivo e atacante e conseguiram reduzir a diferença para dois golos, a sete minutos da final.
Quando tudo parecia indicar que as campeãs em título iriam empatar a partida, e quem sabe assumir a dianteira, eis que Vanusa faz um “chapéu” à guarda-redes Ronise, quebrando dessa forma o ímpeto das amarantinas. Para piorar as contas ao Amarante, a ponta Dorine concretiza dois lances que foram um autêntico balde de água fria nas pretensões da equipa treinada por Orlando Morais. Logo de seguida Leila executa uma falta com disparo directo à baliza contrária, colocando literalmente um ponto final na contenda. Restou à sempre irrequieta Nicole marcar o último golo da partida e ouvir de seguida o som estridente do apito final, que assinalava a troca do título para as mãos das meninas do Atlético do Mindelo.
“Sinceramente não estava à espera de perder o título, trabalhamos muito para este jogo, mas a verdade é que não conseguimos. É a vida, pronto”, disse, desalentada, a guarda-redes do Amarante. Segundo Ronise, a equipa foi perdulária em vários lances de ataque e pagou caro por isso. Ela própria acha que poderia ter feito “muito mais” entre os postes para evitar essa derrota.
Para Didi Duarte, o Atlético mereceu esse título pelo esforço despendido ao longo desta época. “As jogadoras treinaram arduamente e, pior do que isso, tiveram de aturar-me, o que não é fácil. Disse-lhes que hoje eu iria sentir-me orgulhoso delas e não me deixaram ficar mal”, salienta Didi, que promete uma equipa candidata ao título nacional, digna de representar S. Vicente.
S. Vicente volta a jogar “fora de casa”
O nacional de andebol feminino será disputado na ilha do Sal de 4 a 9 de Julho, mas contra as expectativas iniciais da associação e das equipas de S. Vicente, ilha que há seis anos não recebe uma fase final. Aliás, em entrevista concedida a Mindelinsite, Didi Duarte afirmou mesmo que, caso vencesse o campeonato regional, não iria disputar a competição se fosse fora de S. Vicente. “Realmente afirmei isso, mas chegou ao meu conhecimento que a Federação Cabo-verdiana de Andebol abordou a Câmara de S. Vicente para saber se a CMSV poder ajudar na realização da prova. A federação ficou a aguardar uma resposta, que nunca foi dada. Desde modo não faz sentido manter essa posição”, diz Didi, cuja versão dos factos é corroborada por Cristalina Rodrigues, presidente da Associação de Andebol de S. Vicente.
Segundo Rodrigues, a FCA enviou um email à autarquia mindelense, mas que nunca foi respondido. “Eu estive duas vezes na Câmara, conversei com o vereador do Desporto, ele mostrou-se interessado em S. Vicente acolher a fase final, mas faltava ver onde alojar as caravanas: no Lar dos Estudantes e no Centro de Estágio. O tempo passou e não houve nenhuma decisão concreta dentro do prazo exigido pela federação, que acabou por optar pela ilha do Sal”, explica a responsável da AASV, que lamenta essa situação pois, diz, há anos que Mindelo não é palco de uma prova nacional de andebol feminino e o cenário volta a acontecer contra a expectativa da associação, das atletas e dos adeptos da modalidade.
Kim-Zé Brito









