Autoridade e Autoritarismo

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Por Nelson Faria

Há dias deparei-me com uma situação de natureza pessoal, do fórum familiar, sobre a questão da autoridade e do autoritarismo. Todavia, reparado bem, extrapola essa dimensão e é aplicável a todas as demais esferas da nossa vida privada, com amigos, pública nas organizações com que interagimos e demais esferas governativas, local e nacional.

Descrever estes dois conceitos não é nada mais nada menos que fazer a diferença entre um líder e um chefe. A autoridade é dada pelo “status” do conhecimento, da liderança, do reconhecimento e aceitação dos outros da influência do líder. Está intimamente ligada a uma postura de comando com quem se identifica, que não necessita de excessos, do altear da voz e muito menos de demonstração de força. Ela, naturalmente, agrega e dá a percepção social de legitimidade levando ao cumprimento de orientações, regras e normas direccionadas ao objectivo comum, onde o líder, com autoridade, é um mero facilitador do alcance de objectivos comuns, sobremaneira importante no desenvolvimento familiar, das organizações e da democracia como o bem maior.

O autoritarismo, pelo contrário, é antidemocrático, podendo ser até ditatorial. É a imposição agressiva da força da hierarquia, geralmente inibidora de liberdades e garantias, procurando o gaudio do prazer do ego do chefe. Geralmente procura reconhecimento do “status” pela força e nunca pela negociação, empatia, compreensão e conhecimento. Procura a demonstração de poder pela força da posição e nunca nos argumentos. Aliás, mesmo não tendo, importante é exibir a posição de chefe. Imperam as arbitrariedades elucidativas da falta de visão e de capacidade de liderança.

A autoridade motiva, orienta, tem objectivos claros e ajuda a alcançar resultados pretendidos. O autoritarismo também desperta reacções e pode levar ao alcance dos resultados pretendidos pelo chefe, sem motivação, derivado do medo, da censura e de ameaças. A autoridade é movida pelo amor e o autoritarismo pela dor. Mesmo sendo diferentes, estes dois conceitos interagem na medida em que o autoritarismo pode ser visto como a forma errada de exercício de autoridade quando nos encontramos em posições de comando. A grande questão que se coloca é se será possível exercer sempre uma posição de autoridade sem autoritarismo? Ou, até onde será possível ter autoridade sem ser autoritário?

Certo que será sempre preferível a autoridade ao autoritarismo, as lideranças devem orientar-se pelo conhecimento, visão, empatia, compressão, objectivos e regras claras, abertura ao mundo de novas ideias e oportunidades, de visões diferentes e complementares, ser eticamente irrepreensível e, acima de tudo, exemplo no que se pede aos outros. Assim, o respeito pela autoridade será natural. Nas nossas vidas, pública e privada, tem prevalecido a autoridade ou o autoritarismo quando estamos na posição de comando?

Num mundo e num tempo confuso, onde os tiques de autoritarismo advêm de latitudes antes consideradas como exemplo, latitudes essas que dominam efectivamente o planeta, a autoridade das lideranças, a boa visão e o bom senso devem imperar, a começar nas nossas pequenas esferas: família, amigos, organizações, governação local e nacional e, quiçá, transpor fronteiras. Ficaria satisfeito se este torrão não fosse tomado pela moda de um mundo autoritário…

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