Cabo Verde quer estender a plataforma continental para aproveitar recursos marinhos de profundidade

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Cabo Verde pretende estender a sua plataforma continental para além das 200 milhas náuticas para explorar, no futuro, os recursos marinhos depositados na profundidade. É com esta perspectiva que está a decorrer em S. Vicente um atelier sub-regional sobre os Limites Exteriores da Plataforma Continental, com a coordenação de Cabo Verde.

Segundo António Lobo de Pina, membro da equipa técnica do Comité de Extensão da Plataforma Continental de Cabo Verde, este enconto – o segundo a acontecer em Mindelo desde 2010 – serve para revisitar o projecto submetido pelo nosso país em 2015 às Nações Unidas para a extensão da plataforma continental, que poderá ir até 350 milhas náuticas.

Esta extensão da plataforma continental não nos dá direito, a partir das 250 milhas até a área que nós propomos, sobre a lâmina de água. Dá-nos sim o direito sobre o fundo marinho, porque nós vimos que ali poderia estar o futuro”, explica António de Pina.

Ao submeter a proposta, Cabo Verde ficou na posição 75 da lista de países a serem analisados. Espera-se que a decisão seja tomada num período de 10 anos e durante este intervalo o país aproveita para reunir-se com as nações da sub-região para revisitar o projecto, analisar perspectivas futuras e fazer outros levantamentos que possam dar mais consistência ao projecto. Se for autorizado este novo limite, o arquipélago passará a ter direito sobre o fundo marinho, que no futuro pode ser objecto de exploração.

Entendemos que existem muitos recursos minerais que estão depositados nesse fundo marinho e que poderão ser explorados. Como está a ver, nós não estamos a falar de um projecto de hoje ou de amanhã, mas sim de um projecto de longo prazo. Por isso, nós estamos a equacionar fazer aos nossos governantes a proposta de formação de quadros mais jovens para começarmos a preparar para que futuramente toda essa equipa, com o domínio de novas tecnologias, possa defender este projecto”, informa o membro do comité, para quem, se o pedido for aceite, esta extensão será uma mais valia para Cabo Verde.

Este atelier também tem por objectivo capacitar os técnicos e especialistas de sete países da África Ocidental – Cabo Verde, Mauritânia, Senegal, Guiné Bissau, Guiné Conakri, Serra Leoa e Gâmbia – transmitindo-lhes conhecimentos para que possam responder a possíveis questões colocadas pelas Nações Unidas por ocasião da análise dos projectos submetidos por esses países para a extensão das respectivas plataformas. Toda esta preparação técnica é financiada pelo Governo da Noruega, que também apoiou esses países na elaboração do pedido de extensão conjunto feito em 2014/2015.

Carina David

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