Campeões Gilberto Duarte e Carlos Martingo em S. Vicente: Atleta e treinador partilham experiências com andebolistas mindelenses

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O andebolista Gilberto Duarte, filho de pais cabo-verdianos nascido em Portugal, vai partilhar esta noite com atletas e treinadores mindelenses a sua experiência como jogador de topo europeu, detentor do título de campeão mundial de clubes pelo Barcelona. De féria em S. Vicente, terra da sua mãe e que visita “em consciência” pela primeira vez, Gilberto aceitou um convite da Associação de Andebol de S. Vicente para participar numa conversa aberta no Centro de Estágio da FCF, que vai envolver ainda o treinador-adjunto do FC Porto Carlos Martingo e Rui Alberto, técnico da equipa do CS Mindelense. Em comum, o facto de todos terem conquistado títulos importantes esta temporada, à sua escala. Martingo venceu o campeonato de andebol português e a Taça de Portugal, Rui Alberto foi coroado melhor treinador de Cabo Verde enquanto timoneiro do Mindelense, Gilberto sagrou-se campeão mundial de clubes.

“Estar aqui tem-me dado um enorme prazer e a oportunidade de conhecer os membros da minha família. E se posso aliar esta estadia ao andebol, para falar da minha experiência ao mais alto nível europeu, faço isso com todo o coração. Ficarei feliz se puder incentivar nem que seja um único jogador a acreditar que tudo é possível”, diz Gilberto Duarte, que ganhou o título mundial de clubes esta época pelo FC Barcelona, mas confessou ao Mindelinsite que seria mais importante para ele vencer a Liga dos Campeões. Um objectivo que agora pretende alcançar no plantel de Montpelier, emblema francês com o qual assinou por três épocas e que é eterno candidato aos grandes títulos.

Uma curiosa coincidência é que Gilberto Duarte teve a oportunidade de jogar no FC Porto com andebolistas cabo-verdianos antes de iniciar a sua carreira internacional, enquanto Carlos Martingo treinou alguns desses jogadores enquanto técnico principal do clube Avanca e como adjunto da formação portista. Ambos tecem rasgados elogios à qualidade técnica e atlética desses talentos que, dizem, conseguiram adaptar-se ao andebol português por mérito próprio. São os casos de Leandro Semedo, Rafael Andrade, Admilson Morais, Landim, Fernando Dias, Kivan Dongo, etc., que militaram em clubes da Praia e do Mindelo.

“A grande virtude dos jogadores cabo-verdianos é a condição física e a capacidade inata para o desporto. Na convivência com jogadores mais experientes e com melhores condições de treino é óbvio que conseguem uma progressão exponencial”, salienta Carlos Martingo, para quem o sucesso desses e de outros atletas comprova a qualidade do trabalho desenvolvido no arquipélago. Como diz, em Portugal têm a noção de que “não se trabalha mal” em Cabo Verde no domínio do desporto, caso contrário não apareciam tantos jogadores formidáveis.

Segundo Martingo, há andebolistas que foram para Portugal e já conseguiram contratos noutros países europeus, pelo que as suas carreiras estão a ir de vento em popa. Adverte, no entanto, que isso não acontece com todos porque há vários factores em jogo, um deles a dedicação individual.

Presente em S. Vicente, este técnico do FC Porto vai acompanhar a segunda mão da fase final dos play-off do regional de S. Vicente e garante que, se lhe saltar à vista alguma promessa, é claro que vai informar o seu clube. Treinador da selecção portuguesa do escalão sub-19 que participa este ano no mundial de Macedónia, vai ainda conduzir uma clínica este Sábado, no polidesportivo de Monte Sossego.

Kim-Zé Brito

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