Victor Gil fala sobre insuficiência cardíaca no HBS para Cabo Verde, via teleconferência

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O cardiologista Victor Gil, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologista, faz hoje, a partir do anfiteatro do Hospital Baptista de Sousa em São Vicente, uma conferência sobre “Insuficiência Cardíaca”, que será transmitida por teleconferência para as restantes ilhas. Esta actividade integra a programação do Maio – Mês do Coração – Ano da Hiptertensão Arterial e Promoção de Comportamentos Saudáveis, que termina hoje.

Esta é a primeira missão deste especialista, enquanto presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia à Cabo Verde. Vem para falar de insuficiência cardíaca, um tema recorrente no mundo, mas que, segundo Victor Gil, é ainda uma doença pouco conhecida e é de difícil identificação. “O sintoma desta doença é apenas cansaço. Mas cansaço toda a gente sente, mas alguns sentem porque têm insuficiência cardíaca”, explica, realçando que vai aproveitar esta estada no Mindelo para tentar ainda dar impulso à alguns projectos antigos e que espera vem a ter um novo fôlego.

Victor Gil garante que há no país muitos casos de insuficiência cardíaca por conta do envelhecimento da população, o que não é de todo negativo. Isso significa, afirma, que os cuidados de saúde e os de higiene pública estão a melhorar a sobrevivência. “A medida que as pessoas vão envelhecendo, vão aparecendo mais casos de situações degenerativas associadas a insuficiência cardíaca. Mas alguns deles têm tratamento. E prevê-se que haja mais casos nas próximas décadas. E nós temos de nos preparar, não só para resolver os problemas, mas também para aqueles que aí vêm”, pontua.  

Para isso é preciso prevenir, até porque a insuficiência cardíaca é uma das etapas finais de outras doenças, como tensão arterial, doenças das válvulas, enfarto de miocárdio, entre outros. “Se a hipertensão for bem tratada e as doenças das válvulas bem identificadas – em alguns ilhas há muitos casos de problemas das válvulas em consequência da febre reumática – se conseguirmos tratar o enfarto de miocárdio e prevenirmos com algumas medidas como por exemplo a diminuição de gorduras e sal, o exercício físico, o combate ao fumo podemos antecipar e tratar a insuficiência cardíaca.”

Quanto a incidência da insuficiência cardíaca em Cabo Verde, Gil diz que não há nenhum estudo sobre isso, mas a ideia que se tem é que está a crescer. No entanto, não descarta a possibilidade da Sociedade Portuguesa de Cardiologia apoiar Cabo Verde neste aspecto até porque, afirma, o último levantamento em Portugal sobre a doença foi feito há 20 anos, pelo que já ponderam repetir. “Na altura, o estudo mostrou que a incidência da insuficiência cardíaca em Portugal era superior a media europeia, que situava entre os 2 e os 3 por cento. Portugal apresentou uma taxa de 4,3 por cento. Não sabemos qual é a situação agora. Portanto, já que nós próprios estamos envolvidos e montamos todas as metodologias de registo para o fazer, porque não, a boleia daquilo que nós fizermos lá, fazermos algo também aqui em Cabo Verde?”, refere.

Hoje o cardiologista responde perguntas dos colegas do Hospital Baptista de Sousa e discutir os casos clínicos, seguido de uma teleconferência sobre o tema por forma a contemplar os cardiologistas nas restantes ilhas. Amanhã, Victor Gil segue para a ilha de Santo Antão, onde participa de uma mesa redonda, organizada pela Delegacia de Saúde. “Vamos analisar as situações e tentar ajudar a resolver alguns casos mais complexos. Há colegas aqui que sempre me enviam casos via internet para analisar. É uma colaboração interessante. Viemos para ensinar, mas acabamos por aprender. Muitas vezes somos confrontados com situações que nos obrigam a ponderar, reflectir e estudar. É um crescimento conjunto”, garante Victor Gil.

Para o cardiologista do HBS, Fernando Lopes, a vinda deste especialista à São Vicente é uma mais valia para o hospital, mas também para todo Cabo Verde. Isto porque, diz, enquanto presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, abre perspectivas colaboração e de ajuda. “Ele é um amigo de Cabo Verde e uma pessoa que nos tem ajudada e sempre nos motiva para os projectos que vão ao encontro da saúde dos cabo-verdianos”, pontua, lembrando que a sua vinda encerra as actividades do Maio – Mês da Medição, um projecto em curso em todo o país e que é coordenado a partir da capital por Vanda Azevedo, Coordenadora Nacional do Programa de Prevenção e Controlo das Doenças Cardio-Cérebro Vasculares.

Constânça de Pina

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