Carola Rackete, a capitã que resgatou refugiados no mar, detida em Itália

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Foto Dn.pt

Carola Rackete tornou-se o rosto do combate às regras restritivas da imigração ao desafiar o governo italiano, cujas políticas migratórias são lideradas pelo ministro do Interior, Matteo Salvini. A alemã de 31 anos é a capitã do barco humanitário Sea Watch, que resgata refugiados que tentam chegar à Europa pelo Mediterrâneo. Da última vez, com 40 migrantes a bordo entrou nas águas territoriais italianas sem autorização.

Eram 01:50 deste sábado quando Carola decidiu atracar em Lampedusa, descreve o jornal italiano La Repubblica. Usou como argumento o estado de necessidade e o agravamento da saúde dos ocupantes do navio. Terminava, assim uma viagem de 17 dias, sem que a capitã conseguisse autorização para que os migrantes a bordo pudessem sair do barco e receber tratamento.

Uma hora depois, as autoridades italianas responsáveis pelo controlo fronteiriço entraram no navio e prenderam a capitã, com a acusação de “resistência e violência contra navios de guerra”, um crime que em Itália prevê entre três a dez anos de prisão.

Segundo o jornal espanhol El País, a polícia tentou impedir que o navio atracasse e Carola foi recebida com aplausos por dezenas de pessoas que a esperavam em terra. Entre elas, os ativistas do Sea Watch, Pietro Bartolo, médico da ilha e deputado do Partido Democrático (PD), e Don Carmelo, o padre de Lampedusa, acompanhado por um grupo de pessoas que se solidarizaram dormindo no adro da igreja.

Na noite de sexta-feira, dois passageiros tiveram que ser retirados por estarem doentes e a tripulação ameaçou atirar-se ao mar se não chegasse uma solução.

“A comandante Carola não tinha outra saída”,disse Giorgia Linardi, porta-voz do Sea-Watch. “Durante 36 horas declarou o estado de necessidade, o que as autoridades italianas ignoraram”. “Foi uma decisão desesperada”, acrescentaram os advogados da ONG alemã Leonardo Marino e Alessandro Gamberini.

A bordo do navio estavam, também, cinco deputados italianos: Riccardo Magi, do Mais Europa, Nicola Fratoianni, da esquerda italiana, Davide Faraone, Matteo Orfini e Graziano Delrio, do Partido Democrático. Delrio comentou: “Já ontem à noite a capitã queria entrar no porto, mas pedimos-lhe para esperar que o governo encontrasse países disponíveis para receber estes imigrantes. Quando a situação se tornou demasiado crítica, a capitã Carola tomou a decisão de atracar”.

Matteo Salvini, vice-primeiro-ministro e ministro do Interior de Itália, esteve em direto no Facebook e escreveu sobre a detenção da capitã: “Porque é que arriscaríamos a morte de soldados italianos, sequestrar o navio pirata, dar mais força à ONG e retirar todos os imigrantes a bordo. Tanto sofrimento para os ‘cúmplices’ da esquerda. Justiça está feita, não há retorno de volta!”.

C/Dn.pt

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