Casmurrice e arrogância política nacional

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Por Carlos Lopes

Os efeitos do desemprego, a falta de seriedade governamental, o aumento exponencial da desconfiança popular estão contribuindo para uma possível revolta nacional. Se este Governo estivesse mesmo sério com a governação do país, depois de ter anunciado que encontraram o Estado numa situação de falência técnica, teriam outra postura governativa, iniciando pela contenção das despesas institucionais.

Os governantes estão abusando do poder político para delapidar ainda mais este Estado falido e pedinte. As populações das ilhas estão sendo sacrificadas pela incúria e arrogância desses políticos incompetentes e mentirosos. Basta assistir aos trabalhos do Parlamento para se constatar o nível vergonhoso desses eleitos e indigitados governantes.
O país está sendo refém de um pequeno grupo de corruptos que não perdem tempo para exibir as suas prepotências políticas, com a total falta de transparência nas cativações nos serviços públicos nacionais.

Em alguns países desenvolvidos, os governos têm vindo a aplicar a austeridade económica para solucionar as crises financeiras nacionais enquanto em Cabo Verde faz-se tudo no sentido oposto, apenas por incúria e arrogância do grupo que pensa ser impune, porque a justiça não funciona. Em Cabo Verde, país que vive de ajudas externas (doações de países amigos), tudo é “programado”, executado de forma diferente de outros governos existentes neste universo. E o espetáculo de impunidade continua. O dinheiro deste Povo Sofredor está sendo esbanjado pela classe política como se se tratasse de pertença pessoais. As despesas supérfluas, nos sectores da governação deste país, há muito ultrapassaram todos os limites aceitáveis em sociedades realmente democráticas, onde os eleitores são activos e participam nas manifestações sem medo de represálias políticas.

Em Cabo Verde, os políticos governantes acham inaplicável a austeridade porque teriam que iniciar por cortes de despesas a nível do Executivo e do Parlamento. O que estaria a interferir nas viagens e passeios/paródias desses que utilizam o dinheiro público para satisfação pessoal. Esta última instituição governamental (Parlamento), suposta instituição fiscalizadora dos trabalhos do Executivo, é talvez a que mais tem vindo a abusar do erário público nacional.

Até porque alguns já veem demonstrando que não estão interessados em saber do sofrimento do povo eleitor e que só lhes interessa a vida pessoal e familiar, esquecendo que quando solicitaram o voto dos cidadãos foi para trabalhar para o bem-estar da Nação. Os votos depositados nas listas partidárias foram com o intuito de fazer a diferença e não de dar autoridade para um grupo de políticos fazer dos cofres do Estado uma pertença pessoal. Esquecem-se que essas funções têm limites de tempo e dependem da vontade popular.

Logicamente que não existe uma varinha mágica para se pôr cobro aos desmandos desses corruptos, porque, se houvesse, as populações já teriam executado a sua punição instantânea. Países com riquezas naturais estão eliminando as despesas supérfluas, como compra de veículos de alta gama (chapas amarelas), viagens desnecessárias, salários milionários, subsídio para tudo que são despesas pessoais dos políticos, enquanto o cidadão comum tem que se contentar em ser delapidados pelas Finanças Públicas nacionais.

Em Cabo Verde os políticos esbanjam o dinheiro do povo como se fosse apenas deles, os políticos. O que nos leva a chamar a atenção de todos, pois as exageradas despesas de deslocação com ajudas de custo e outros gastos desnecessários e abusivos desses que foram eleitos para trabalhar para o bem-estar da nação cabo-verdiana tem que ser contido… caso contrário serei obrigado a solicitar cautelas diplomáticas aos países doadores de Cabo Verde. Esses gastos perpetrados pelos políticos nacionais são impraticáveis e inaceitáveis em qualquer outro país governado por gente séria e respeitadora do conteúdo da constituição da república. Suécia nem sequer paga os eleitos e apenas lhes disponibiliza “living quarters” suficiente para uma pessoa dormir e trabalhar, durante os dias da plenária. Seria um excelente exemplo a seguir.

Os politicos cabo-verdianos precisam pôr os pés no chão e aceitar a realidade do país como um incentivo para a revisão da Constituição e do modo “operandis” de fazer política nestas ilhas flageladas pelo vento leste. As populações continuam em apuros com a falta de emprego, água e electricidade, o que vem incentivando o êxodo rural, contribuindo assim ao aumento da insegurança e violência urbana e rural. O exagerado número de jovens desempregados, sem falar das perdas de emprego causadas pela insensibilidade da Instituição das Finanças Nacional, para com os empreendedores nacionais já está prestes a abrir caminho à revolução nacional.

Para não terem que lidar com a contenção de despesas, redundância, downsizing ou demissão de alguns dos seus comissários políticos, os governantes preferem fingir que está tudo bem (mentindo), que os números são aceitáveis e que a solução da crise está no horizonte próximo, mesmo sem conhecerem a caminhada a se percorrer. Aliás, esses políticos/governantes só estão preocupados com o bem estar pessoal e familiar e não estão preocupados com os esbanjamentos e abuso do poder político. Desde que estejam a divertir não lhes interessa os males deste Povo Sofredor. Até porque quando falam de “Menos álcool, Mais Vida” estao a ser hipócritas para com eles mesmos. Os políticos têm sido os “ponta de lança” na exibição do embriaguez nas festas de romaria, após banquetes da “elite”, etc., etc.

O que é uma amostra clara da incongruência desses senhores que ao fim e ao cabo estão exibindo a ignorância e arrogância política para pessoas menos atentas. Enquanto isso os mais atentos seguirão os trâmites legais para manifestar publicamente e organizar para revolucionar a sociedade. Verifica-se também que a maioria desses governantes desconhece e ou não querem saber das Melhores Práticas de “contenção” das despesas públicas. A conduta desses eleitos nacionais está destruindo o nosso país.
Como bem sabemos, algumas fábricas com sede nas ilhas de São Vicente, Santiago, São Nicolau, Santo Antão, Boavista, Sal e Maio fecharam as suas portas porque não tiveram o apoio pontual do Governo do país que, por sua vez prefere lidar com estrangeiros, em detrimento dos nacionais. Esta insensibilidade governamental está causando problemas na capacidade de sobrevivência dos cidadãos nacional.

As perdas desses empregos, resultantes da perda de empresas está a desestabilizar o país ainda mais, e, a ineficiência do orçamento do Estado, com quedas na demanda dos produtos ou serviços está contribuindo para o aumento das dívidas nacionais.
Tudo isso para terminar dizendo que qualquer processo bem administrado pode ajudar a evitar uma série de problemas e resultar em melhores resultados para a empresa, seus empregados e ou Estado. Há que começar a ver o Estado como uma empresa de todos nós, onde é inadmissível falta de ética e responsabilidade profissional.

A voz do povo sofredor

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