Centenas de amigos no adeus a Cubilas: Batucada e palmas para o desportista e activista social

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A emoção tomou conta das centenas de pessoas presentes ontem à tarde no funeral de Cubilas, o desportista, empresário e activista social mindelense falecido na Holanda, vítima de uma pneumonia. Levado à sua última morada ao som de mornas tocadas a partir de um carro da sua empresa Super Som, foi voz unanime que o malogrado teve um enterro digno da amizade que plantou na ilha de S. Vicente, apesar das desavenças que também criou, muitas vezes por causa da sua frontalidade.

“Sem sombra para dúvidas que ele teve um funeral digno. Quando vínhamos a descer da igreja de Monte Sossego, o Dr. Onésimo Silveira colocou-me uma mão no ombro e exclamou: ‘veja este povo que está a acompanhar o Cubilas à sua última morada’. E nada disso me surpreende porque Cubilas esteve em todas as frentes: desportivo, cultural, social, empresarial e política, neste caso enquanto agente cívico não partidário”, realça Nelson Faria, que conheceu Cubilas na Bela Vista, zona onde os dois moraram e que estava fortemente plantada no coração do ex-futebolista do Club Sportivo Mindelense, uma das muitas equipas por onde passou.

Como testemunha Daniel Jesus, presidente dessa emblemática agremiação desportiva, Cubilas foi uma figura que deixou a sua marca no futebol cabo-verdiano e dos poucos da sua época que conseguiu sair para jogar na Europa. “Ele era um esquerdino à moda antiga, um atleta possante fisicamente. Aliás, ele continuou a ser um atleta dedicado, mesmo depois de terminar a sua carreira futebolística. E não é por acaso que a notícia da sua morte nos abalou porque ele aparentava ter uma saúde de ferro”, salienta o presidente do clube encarnado, uma das muitas personalidades que fez questão de acompanhar o amigo nessa sua última viagem terrena.

Cubilas foi dado à terra ao ritmo da batucada do Carnaval ou não fosse ele um homem da cultura. À porta do cemitério, o jornalista Fernando Carrilho e Carlos Araújo, ex-colega do movimento cívico Sokols, endereçaram-lhe mensagens de despedidas que mereceram aplausos dos presentes. O caixão trespassou a porta do cemitério ao som da morna “nha kretxeu djan sta ta parti” e momentos depois o corpo foi dado à terra debaixo de uma salva de palmas.

“Fiquei por demais emocionado com esta moldura humana, algo fora de série. Ele era um homem apaixonado pela sua ilha e deu a cara sem medo de nada. Ele vai deixar muita falta a todos”, comenta Andy do Rosário, sobrinho e ex-funcionário do malogrado. Como diz, passou bons e maus momentos com o tio, mas reconhece que Cubilas era fundamentalmente um homem sensível às causas sociais.

O funeral de Cubilas foi antecidido do enterro de Kikas, a jovem vítima de um acidente de viação ocorrido exactamente na Bela Vista. Os dois cortejos quase que se cruzaram e tudo isso acabou por aumentar o sentimento de dor entre as pessoas presentes. No fundo foram duas figuras que desapareceram num ápice da convivência social, quando ninguém esperava que fossem desaparecer assim tão de repente.

KzB

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