Comandante José Rui faz discurso acutilante na entrega do Comando da 1ª Região

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O Comandante cessante da 1ª Região Militar, Tenente-Coronel José Rui dos Reis Neves, fez hoje um discurso muito critico na passagem de comando ao seu sucessor Major Alberto Teixeira. Destacou os ganhos, mas centrou sobretudo nas dificuldades enfrentadas durante a missão, resultantes daquilo que apelidou de “diminuição em progressão geométrica” do orçamento da instituição. Lamentou ainda o “deficit enorme” de quatros permanentes que, afirma, pelo vínculo com a instituição e por razões de segurança, devem ser nomeados para os cargos mais sensíveis.

José Rui, que antes de discursar atribui louvores aos oficiais, sargentos, praças, funcionárias civis e ao médico da cooperação cubana por toda a abnegação, dedicação e zelo demostrados no cumprimento das obrigações e tarefas, segundo ele, com efeitos positivos na vida do comando e das Forças Armadas, falou igualmente do “clima de tranquilidade” na entrega do Comando ao seu sucessor, um filho da casa, Major Fuzileiro Alberto Teixeira. O momento foi ainda aproveitado para fazer o balanço dos quatro anos que esteve a frente desta instituição em São Vicente.

“Assumi este comando em circunstâncias difíceis, não por culpa do meu antecessor…. Mas com espírito de missão conseguimos ultrapassar desafios, cirando melhores condições possíveis para todos. Uma das conquistas que muito me orgulho foi a assinatura do protocolo de formação ´José Mateus Cabral` com as universidades, que permitiu a uma dezena de militares concluir o seu ensino superior sem onerar suas despesas familiares”.

Referiu ainda à criação das condições para os soldados que ingressam nas fileiras das FA pudessem estudar e sair com o 12º ano. Também, pela primeira vez na história da instituição, foram criadas condições que permitem aos soldados beneficiarem de cinco refeições/dia. “Estes ganhos não seriam possíveis sem o empenho e dedicação do efectivo da região”.

Já a nível operacional, José Rui elencou as missões que o comando teve de responder, entre os quais o incêndio em Santo Antão e a criação do curso de nadador-salvador, combate a incêndio e primeiros socorros, ministrados duas vezes por ano em parceria com os Bombeiros de São Vicente, que permite aos soldados ingressarem na Protecção Civil nas suas ilhas. “Acredito que seria possível fazer muito mais se houvesse melhores condições. Temos uma instituição cujo orçamento vem diminuindo em progressão geométrica a cada ano”, lamenta.

Deficit de pessoal

Este Tenente-Coronel graduado disse deixar o comando com um “deficit enorme de pessoal”, principalmente o pessoal dos Quadros permanentes que, frisa, pelo vínculo com a instituição e por razões de segurança devem ser nomeados para os cargos mais sensíveis. Lamentou, igualmente, o facto de o fundo privativo que suportava o orçamento de funcionamento nas rubricas deficitárias com a entrada no SIGOF deixar de existir.

“Se é compreensível que o Estado deve ter o controlo das suas receitas a fim de distribuir de acordo com as necessidades; as Forças Armadas pela sua especificidade e capacidade de resposta não pode ficar refém da cabimentação para cumprir uma missão sob pena de falhar na hora que o país mais precisa dos seus militares”, desabafou José Rui, lembrando que cada instituição tem as suas especificidades. No caso, as Forças Armadas não é uma empresa privada, mas sim uma instituição que se exige o sacrifício do bem mais precioso do ser humano, a sua vida.  

Ainda assim, acredita que deixa o Comando com a consciência de dever cumprido. Isto porque, frisa, nunca deu nenhum parecer favorável que pudesse por em causa os interesses da instituição ou dos seus subordinados. Aliás, assegurou, nunca tomaria tal decisão de comando, nem que para isso teria de ir para casa mais cedo, lembrando que a instituição valoriza e defende o interesse público em detrimento do privado ou pessoal.

José Rui terminou agradecendo as instituições públicas e privadas parcerias da instituição cujo apoio, durante os quatro anos que esteve a frente do Comando 1ª Região Militar, facilitaram a sua missão, e desejou as maiores felicidades ao seu sucessor, realçando que, sendo fuzileiro forjado nas dificuldades e no sacrifício, tem condições de superar qualquer obstáculo.

Constânça de Pina

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4 COMENTÁRIOS

  1. Senhor José Rui dos Reis Neves.
    Cabo Verde tem cerca de 500.000 habitantes. Tem uma forças armadas com o maior racio de oficiais / praças. Mas, que trabalhos fazem tantos oficiais num país que vive em paz. Tome cuidado porque há uma boa percentagem de cabo verdianos que acham que as forças armadas devem ser extintas e haver uma guarda nacional que faria o trabalho de forças armadas e polícia. A Suíça não tem exército. A Costa Rica também. São países mais ricos e com milhões de habitantes de uma superfície muitíssimo maior que Cabo Verde.

    • As forças armadas devem ser apoiado com humanos e materiais para o garante da sua missão. Quem diz que as Forças Armadas em Cabo Verde deve ser extintas não tem minima noção dessas mesmas forças armadas e do trabalho que faz.

  2. Senhor Silvério Marques
    Nada de mais falso quando o Sr vem aqui escrever que a Suiça não tem exército. Informa-se como deve ser.
    O serviço militar na Suíça é obrigatório e a Força Aérea é bem treinada e equipada com aviões modernos e capacitados para a guerra electrónica. A Costa Rica trocou simplesmente as suas forças armadas de nome. Tem uma força aérea e tem uma unidade de Operações Especiais bem treinada.

  3. Nunca comentei nenhum artigo mas este Sr. Silvério Marques, demostrou que não entende nada daquilo que seja a segurança de um país. Dizer que determinados países ricos não têm exércitos é tentar chamar-nos de ignorantes. Pode-se dar o nome que quiser mas é sempre exército no sentido correto das palavras. Pode-se chamar de polícia, milícia, guarda nacional, ou o nome que melhor entender, mas a essência é igual. Quem tem meios de guerra, para proteger o país, o nome é…
    diga o nome Sr. Silvério.

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