Conferência sobre segurança no mar acompanha travessia S. Vicente – S. Antão

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A viagem de barco na manhã de hoje para Santo Antão foi aproveitada para uma conferência sobre segurança no mar, promovida pela Xpo Start Up, e para marcar o início de um roteiro nas ilhas e concelhos do país. O evento está inserido no Blue Inovation  e agrega um conjunto de iniciativas relacionadas ao empreendedorismo, inovação e tecnologia, que até o dia 24, acontece no Mindelo, no âmbito do Cabo Verde Ocean Week.

O primeiro dia da Expo Start Up Mindelo iniciou-se com a conferência In The Ocean a bordo navio da Naviera Armas, Mar d´Canal. Os passageiros puderam desfrutar de uma conversa amena com o Capitão dos Portos, António Monteiro, e com o Inspector Artur Rodrigues. A Xpo Start Up é promovida pela Kriol Mind7 (KM7), empresa criada por jovens que se juntaram depois da segunda edição do TedEx Praia e que tem como objectivo conectar e informar os jovens-empresários e Strat Up´s sobre onde e como encontrar conhecimentos e ferramentas para os seus investimentos ou para apresentação dos seus produtos.

Esta conferência trata-se de uma marca que criamos, começando pelo In the sky, um evento que realizamos num avião, durante um voo doméstico no país. Nela participaram dois conferencistas, que falaram aos passageiros durante a viagem. Foi a primeira vez que acontecia algo do género em Cabo Verde e foi uma experiência muito interessante. Por isso resolvemos dar a continuidade a esta ideia, aproveitando esta semana dedicada aos oceanos para fazer o In the ocean, que também está ligada à economia azul”, explica Joel Almeida, um dos jovens promotores do evento.

Para o In the Ocean convidamos o Capitão dos Portos de Barlavento e o inspector da Armas para falar sobre a segurança e aspectos relacionados, informações que muitas vezes temos acesso mas não prestamos a devida atenção e passam-nos ao lado”, acrescentou.

Durante a viagem foram apresentados um conjunto de informações sobre perigos a que estão sujeitas as embarcações e os seus passageiros, e as melhores formas de proceder em uma situação de risco e emergência.“Aceitamos o convite porque entendemos que seria interessante falar de aspectos como a segurança e o Serviço Nacional de Busca e Salvamento, do qual somos presidentes da comissão nacional de coordenação, desde 2016 e que tem feito um trabalho realmente meritório. Isto tendo em conta a fusão dos dois serviços de aeronáutica e marítimo e também a criação de um centro conjunto de busca e salvamento, através da qual foi atribuída à Guarda Costeira o papel de conduzir o serviço em toda a região de Cabo Verde”, clarificou António Monteiro, Capitão dos Portos.

A ocasião foi aproveitada para relembrar o acidente com o navio Tuninha, em 2015, e para enfatizar as condições de busca e salvamento que existem hoje, sob a responsabilidade da Guarda Costeira. “O que acontecia antes era que o Capitão dos Portos de Barlavento era o único responsável pela condução e coordenação das actividades de busca e salvamento. Naturalmente o Capitão tinha o seu horário normal de serviço, mas trata-se de um serviço que requer disponibilidade imediata 24 sobre 24 horas, alguma concentração e condição de trabalho. Por isso, a partir de 2016, a Guarda Costeira assumiu essa responsabilidade e foi criada o Centro Conjunto com um serviço 24 horas por dia”, explicou.

O Centro Conjunto de Coordenação de Salvamento está sediado em São Vicente, na “Rutxinha”, de onde são coordenadas todas as actividades. Dispõe de pontos de serviço fixos nas demais ilhas de Santiago e Sal. Por enquanto, explica António Monteiro, a Guarda Costeira não dispõe de meios fixos  nas restantes ilhas. Para colmatar esta falta, nestas ilhas existem embarcações que podem ser utilizados em caso de emergências, através de um protocolo assinado com as petrolíferas que fornecem o combustível.

Para além da segurança humana, falou-se também da segurança ambiental e do processo de sensibilização para as questões ambientais de preservação. Neste sentido, o Capitão dos Portos garante que os navios, armadores e tripulantes estão criando, gradualmente, uma consciência ambiental e da necessidade de preservar o meio ambiente. “O próprio IMP tem identificado um conjunto de actividades que vamos fazer futuramente para consciencializar as pessoas a utilizar da melhor forma e a preservar o meio ambiente. Mesmo a colocação de contentores de lixo a bordo dos navios e a segregação do lixo, como consta das convenções internacionais, e temos a preocupação de trazer também aos navios interilhas. Uma forma de fazer de ter essa garantia é exigir com que o lixo seja descarregado e ter um registo para poder, de facto, provar que o lixo foi descarregado em terra”, concluí.

Natalina Andrade (Estagiária)

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