Contagem regressiva para a manifestação – Câmara de S. Vicente “libera” licença, organização espera multidão na rua

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A pouco mais de um dia da manifestação, os mindelenses parecem estar mobilizados para invadir as ruas da cidade do Mindelo e fazer história. A iniciativa está a contar com o apoio incondicional de associações socioculturais, com destaque para os grupos carnavalescos Monte Sossego, Vindos do Oriente e Cruzeiros do Norte, que costumam movimentar milhares de crianças, jovens e adultos. Segundo Salvador Mascarenhas, a Câmara de S. Vicente já liberou a licença para esse protesto popular.

A manifestação do dia 5 de Julho deverá contar com uma presença massiva dos cabo-verdianos residentes em S. Vicente, apesar de tentativas de desmobilização popular levadas a cabo por “agentes políticos”, conforme apurou Salvador Mascarenhas e outros elementos ligados à organização. “Tem havido realmente actos nesse sentido. Soubemos, por exemplo, que alguém esteve a tentar influenciar os moradores da Ribeira Bote, fomos a essa zona, mas garantiram-nos que apoiam esta iniciativa porque estão cientes de que a manifestação é importante para S. Vicente e Cabo Verde”, revela Mascarenhas, que evita fazer estimativas sobre o número de “soldados” que vai invadir as ruas da cidade do Mindelo na manhã do dia 5 de Julho. Mas, pelos sinais que tem captado nestes dias, acredita que S. Vicente está prestes a fazer história.

A pouco mais de 24 horas do grande momento, a preocupação desse facilitador é garantir as condições básicas para o sucesso desse protesto. Segundo Mascarenhas, a Câmara de S. Vicente já passou a devida licença e esta terça-feira está agendada uma reunião com a Polícia Nacional. Por outro lado, tanto enfermeiros como bombeiros já foram mobilizados para prestar atendimento aos manifestantes durante o percurso, que começa na Praça Estrela por volta das dez horas da manhã e termina na Praça dom Luís.

Neste momento, a organização está empenhada em tentar desmontar mensagens segundo as quais o evento tem propósito político-partidário, e não cívico. “Temos lançado mensagens na net e conversado com as pessoas para mostrar de uma vez por todas que não estamos ligados a nenhum partido. Acho que muita gente já percebeu que somos um movimento cívico que quer apenas lutar contra um sistema nefasto para os interesses de S. Vicente e da própria cidade da Praia. Com a excessiva concentração de investimentos e poderes na Capital, houve uma deslocação exacerbada de pessoas das outras ilhas, que está a criar problemas de saneamento e de segurança e a tornar a cidade da Praia uma urbe ingovernável”, exprime esse veterinário de profissão, que recebeu informações segundo as quais a ilha do Fogo já começa a dar sinais de querer também sair à rua, mais concretamente em Chã das Caldeiras, tal como acontece nas ilhas do Sal e de Santo Antão. Para ele, seria salutar que todo o país falasse a uma só voz, para que os políticos passem a respeitar as vontades populares e parem de alimentar um sistema de governação que não traz benefício à maioria dos cabo-verdianos.

Nestes últimos dias, um grupo de apoiantes tem espalhado panfletos e cartazes no centro da cidade do Mindelo e alargado o contacto com moradores das localidades litorâneas da Salamansa, S. Pedro e Calhau. Adicionalmente, foi activada uma viatura, que está a percorrer todas as zonas com propaganda sonora a convidar os mindelenses para essa grande concentração. Os resultados, segundo Mascarenhas, têm sido animadores. “Espero agora ver toda essa expectativa reflectida na prática. Quero ver toda essa gente na rua. E que cada um traga uma camisola de cor branca”, comenta esse mentor da manifestação, para quem essa iniciativa está a agigantar-se porque encontrou terreno fértil: um barril de pólvora prestes a explodir numa sociedade cansada da dependência da cidade da Praia por tudo e por nada, só pelo facto de ser a Capital política.

Pessoas individuais e associações socioculturais decidiram declarar o seu apoio à iniciativa, destacando-se os grupos carnavalescos Cruzeiros do Norte, Monte Sossego e Vindos do Oriente, que costumam movimentar milhares de crianças, jovens e adultos. “Por Monte Sossego, por São Vicente, por um Cabo verde mais justo, de todos e para todos, o Grupo Monte Sossego, nas pessoas dos seus dirigentes, não poderia deixar de apoiar esta causa. E assim esperam também contar com a presença de todos os desfilantes e participantes do grupo, para que possamos todos dar voz à nossa ilha para o bem da mesma e das suas gentes”, diz uma nota inserta na página do grupo da “terra d”indio”, que pede aos seus apoiantes para saírem á rua numa manifestacão pacifica, com o fito de colocar fim à submissão que se quer impor a S. Vicente e a outras ilhas de Cabo Verde.

Kim-Zé Brito

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