Cortar nas despesas e reduzir impostos

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Por Carlos Lopes

Cortar nas despesas e reduzir os impostos é a medida mais adequada de austeridade

Enquanto o país sofre os efeitos da seca extrema provocada pela falta da chuva, os governantes exibem as suas arrogâncias políticas, até ao ponto de tentar contradizer as conclusões tiradas no terreno por uma equipa de investigação das Nações Unidas.
Na maior ilha do país, onde está localizada a Capital, por conseguinte, onde está localizado o centro da governação do arquipélago, a maior barragem do país, secou completamente.
Entretanto, apesar de todas as dificuldades alimentares e o reduzido poder de compra dos cidadãos, alguns políticos, incluindo o próprio Primeiro Ministro, minimizam a crise alimentar que assola Cabo Verde. Cabo Verde está perante mais um ano de seca e as populações rurais já manifestam suas preocupações sobre a produção agrícola e falta de emprego. A falta das chuvas dois anos seguidos vai ser uma catástrofe nacional. A ausência da produção agrícola culminará com o aumento exponencial do desemprego rural, o que obrigará a êxodos em massa para as cidades já saturadas e sem espaço.
Cerca de 3 anos atrás, as ilhas de Santiago, São Nicolau, Santo Antão e Fogo encontravam-se repletas de plantações agrícolas, variedade de produtos, uma saudável competição de preços e até perda de produtos devido à ausência de transportes inter-ilhas.
Nos últimos dois anos não “choveu” e as reservas secaram. Muito devido à ma gestão desses recursos hídricos nacionais. Aliás devido à doentia gestão danosa da coisa pública por parte de alguns que se acham mais inteligentes e donos de tudo e todos.
A ausência das chuvas este ano sera o culminar da crise social e política já existente no país. Com o êxodo rural, em massa, verificar-se-à uma possível colisão de poderes e caos nas cidades capitais.
Como, muito bem, considerou o Ministro da Agriculture, a ausência das chuvas este ano será o culminar de uma das piores secas a afetar Cabo Verde nos últimos 40 anos. O ministro da Agricultura, Gilberto Silva, disse á Rádio Pública, que a situação vigente “só é comparável à seca de 1977 e à seca de 1947, em que a situação foi muito complicada”. Nada mais certo que essa afirmação do Ministro. “Em 1947, inclusive, houve fome e mortandade” retorquiu o Ministro.
Enquanto isso, o chefe do Governo cabo-verdiano é de opinião contrária e nega que exista “problema de emergência alimentar” no país. Mesmo depois da FAO ter colocado Cabo Verde na lista de países a necessitar de assistência alimentar externa, o Ulisses Correia e Silva tem a coragem e insensibilidade humana de insistir que Cabo Verde está bem.
Ou seja, a organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO) incluiu Cabo Verde na lista de países a necessitar de assistência alimentar externa e as autoridades máximas do país contradizem dizendo que a situação não é de crise alimentar. Se o PM acha que a situação actual, em Cabo Verde, não é de crises, alimentar, social e política então não sei o que será do país nos próximos anos.
Aliás, resta-me apenas perguntar, caso alguém esteja disposto a escutar: o que se esperam os governantes que aconteça para que aceitem que a situação é grave e preocupante?
Além do Ministro da Agricultura, convém ainda salientar aqui que o presidente da Assembleia Nacional, Jorge Santos, também já manifestou publicamente as suas preocupações com a situação, usando a ilha do Maio como palco da crise com destaque para a situação alarmante por que atravessam os criadores de gado na ilha.
Como tenho dito, volto a repetir que a situação actual de Cabo Verde é de austeridade e o Governo precisa aceitar a realidade e iniciar a aplicação de medidas de austeridade. Existem três tipos de austeridade e Cabo Verde ficaria melhor acautelada se aplicasse as formulas austríaca e ou americana, que defendem menos gastos governamentais e menos impostos.
A compra de viaturas de alta gama, aumentando os gastos, não é o caminho mais adequado para o nosso país seguir, em qualquer momento, especialmente num momento difícil como o que avizinha. Não podemos esquecer que ainda estamos a sobreviver graças às esmolas de países amigos do nosso povo.
O crescimento de Cabo Verde terá de vir do sector privado, e a austeridade necessária é aquela que torna o sector privado maior do que o sector público. Como exemplo, convém salientar aqui que esses tipos de austeridade, acima referidos têm dado provas concretas das suas eficiências. Basta dar uma vista de olhos no que ocorreu no ano de 1920 nos EUA. Naquela que Thomas Woods alcunhou de “A Esquecida Depressão de 1920”, para se concluir que a diminuição de gastos e cortes nos impostos é o caminho a ser seguido pelos governantes cabo-verdianos.
O governo americano, na altura, cortou seus gastos em 50% e reduziu acentuadamente os impostos. A dívida pública foi reduzida em um terço, e a política monetária se manteve austera. Como consequência, a economia americana se recuperou rapidamente (em 18 meses) e, já em 1923, o desemprego, que havia chegado a 12% no auge da depressão, já estava em menos de 3%.
Quem avisa amigo é. A arrogância é a pior inimiga do homem, especialmente o político.

A Voz do Povo Sofredor

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5 COMENTÁRIOS

  1. Os políticos na nossa terra São mais filhos do povo do que outra coisa! Já imaginaram ?… trabalhamos duro, pagamos impostos e juros exagerados para q eles possam ter salários soberbos ,vivem na ostentação enquanto nós passamos dificuldades, esse sacrifício deveria ser feito apenas pelos nossos filhos e parentes idosos.

  2. Gostei. A situação é grave e preocupante. Nos anos de 1976, 1977 e parte de 1978, eu era Delegado da Administração Interna no Concelho da Ribeira Grande/ Santo Antão e 42 anos depois, infelizmente, constato que as populações do meio rural estão a passar por piores dificuldades, por causa da incapacidade de resolver esses problemas, não obstante os enormes recursos que têm sido postos à nossa disposição.. País recém- independente, a Comunidade Internacional abraçou-nos com toda a amizade. Colocou à disposição do Povo de Cabo Verde, sobretudo, comida e bolsas de estudo para mandar os filhos irem estudar para as universidades do mundo inteiro para vir desenvolver o país. Na Ilha de Santo Antão onde trabalhei, os alimentos de primeira necessidade estavam à disposição de toda a população, porque havia trabalho para toda a gente. As Obras Públicas, os Serviços de Agricultura e os Secretariados Administrativos empregavam milhares de trabalhadores. O Secretariado Administrativo da Ribeira Grande empregava mais de oitocentas pessoas nos 21 postos de trabalho espalhados pelo Concelho. Não havia dinheiro. Pagava-se em gêneros alimentícios e de tempos a tempos, quando aparecia um dinheirinho, fazia-se o encontro de contas. Quarenta e dois anos depois, nós os filhos do Povo de Cabo Verde precisamos refletir à sério sobre esse estado de coisas.

  3. Desculpem o meu comentário tardio. Mas acrescentava neste artigo os gastos verificados pelos festivais e carnavais fora de época.

  4. . Dinheiro para gastar em viaturas para uso particular há, mas para salvar o gado do povo, para contrução de habitação social, para melhorias no sistema de saúde, para garantir a segurança das pessoas, e tantas outras coisas que o povo precisa, não há.
    Como disse Voltaire, “Encontrou-se, em boa política, o segredo de fazer morrer de fome aqueles que, cultivando a terra, fazem viver os outros”

  5. É que aquele governo dos Estados Unidos trabalhava para o País e, com o passar do tempo foram criando leis de acordo com sua experiências, para defender a Nação, o bem estar da população e o desenvolvimento.
    Em Cabo Verde, os governantes andam ávidos de poder e, ao chegarem lá, é o costume; o PM já pensa que o país é dele, o autarca pensa que o município é dele, o director de qq empresa já pensa que a empresa é deles e, tem um assunto muito mais grave: enriquecer é o lema, porque estamos aqui esses quatro anos, não sabemos se vamos estar lá outros quatro. Tenho pena da minha Terra e do meu Povo.
    Mas em parte somos os únicos culpados, porque na hora dos votos, votamos num partido, como carneiros; estamos chateados com o paicv, pronto, todos a votar no mpd e, vice-versa.

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