Dadores de sangue: HBS vai reavaliar decisão de suspender isenção de pagamento

402

A direcção do Hospital Baptista de Sousa reúne-se ainda hoje, terça-feira, para reavaliar a sua decisão de suspender a isenção do pagamento da taxa moderadora aos dadores de sangue de São Vicente para visitas aos familiares e amigos que estiveram internados. A direcção do hospital não confirma, mas este recuo, entende-se, deve-se ao receio de que a medida possa afugentar os dadores. Mas é também uma forma de amenizar as críticas e os comentários acutilantes dirigidos a aquele órgão que gere o hospital.

A directora Ana Margarida Brito começa por explicar que o HBS preserva e tem grande consideração pelos dadores de sangue, para quem esta dádiva é um acto de solidariedade. “A doação de sangue no HBS é um trabalho que vem de há 20 ou 25 anos. É um acto de solidariedade aos doentes que precisam de sangue durante uma cirurgia aguda, nos casos de politraumatismo ou de alguma doença. Por isso, desde sempre o hospital entendeu beneficiar estas pessoas com saúde gratuita porque estão a doar um bem essencial.”

Neste sentido, prossegue Ana Margarida Brito, o Hospital Baptista de Sousa estabeleceu um protocolo com os dadores, que os isenta do pagamento das taxas moderadores de internamentos, consultas externas de especialidade, procedimentos cirúrgicos e exames complementares de diagnósticos, desde análises de sangue, urina, etc. E ainda de exames de radiologia, no caso ecografias, radiografias e afins.

“Tudo isso está escrito nos cartões de dadores e vão continuar a beneficiar de todos os benefícios. Estamos a falar de valores elevados. Só para ter uma ideia, a taxa moderadora de internamento custa dois mil escudos, uma ecografia 2.500 escudos. E ainda, para além destes que estão no acordo, os dadores também não pagam os atestados – 1500 escudos – e nem os relatórios médicos. Não fazem parte do acordo, mas não pagam porque sabemos que o valor é significativo”, exemplifica a directora do HBS.

Relativamente à decisão de suspender a isenção do pagamento da taxa das visitas, Ana Margarida deixa claro que não se tratou de uma atitude isolada. Segundo esta nossa entrevistada, quando a restruturação das visitas naquele estabelecimento hospitalar em que foi alargado o horário das visitas, a direcção do HBS teve de estudar todos os protocolos que o hospital mantém com as mais diversas instituições, inclusive com os dadores.

“Todos os protocolos foram revistos. Entendemos que, por ser uma quantia insignificante que apenas contribui para alguma melhoria do hospital a nível físico e também para suportar os custos com as guardas que garantem as visitas em segurança para os utentes, não haveria problema. Por outro lado, a revisão dos protocolos permitiu aumentar o controlo de visitas no HBS. Antes muitas pessoas entravam livremente no hospital, o que coloca em risco os doentes internados, em consulta ou os mais debilitados, isso sem falar na questão das infecções hospitalares.”

 “50 escudos não fazem diferença”

Quanto à isenção do pagamento da taxa moderadora para visitas, Ana Brito garante que este nunca fez parte do protocolo entre o HBS e os dadores. Também não imaginava que a decisão de cobrar 50 escudos para permitir a entrada provocaria tanta polémica.

“Não pensamos que este seria um tema importante ou algo que os dadores viriam cobrar os 50 escudos, até porque usufruem de muito mais já que a saúde é extremamente cara”, pontua. Por outro lado, afirma, as visitas são instituídas como uma ajuda ao hospital. “Não pensamos que a taxa de entrada no hospital fosse um tema importante porque a quantia é irrisória. Os valores dos benefícios e o preço do bilhete não se compara. E ainda o hospital arca com os custos das refeições oferecidas aos dadores, que antes eram comparticipadas pela Cruz Vermelha. Mas agora em 2018 a Cruz Vermelha também na sua revisão, resolveu suspender esta ajuda”, acrescenta.

Indo ainda mais além, esta responsável deixa claro que o sangue é doado aos doentes mais necessitados porque têm um compromisso que têm com a vida. Ainda assim, a direcção desta instituição vai reunir ainda hoje para decidir se mantém ou recua nesta sua decisão de cobrar aos dadores de sangue nas visitas aos familiares, até porque a quantia não faz muita diferença, diz Ana Brito, que em jeito de conclusão aproveita para apelar aos utentes para procurarem a direcção sempre que tiveram qualquer dúvida porque “estão de portas abertas para tirar dúvidas e corrigir os erros”.

Constânça de Pina

 

(Visited 562 times, 1 visits today)

DEIXE UMA RESPOSTA

Please enter your comment!
Please enter your name here