D&D Carvalho nega culpa no alegado“desfalque” feito pelo DRH da Frescomar

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A agência de recrutamento D&D Carvalho descarta quaisquer responsabilidades no caso de alegado “desfalque” do Director dos Recursos Humanos da Frescomar, que fugiu para o Brasil deixando mais de duas centenas de trabalhadores em situação de irregularidade perante o Instituto Nacional de Previdência Social. Esta reacção vêm na sequência da conferência de imprensa proferida esta manhã no Mindelo pelo assessor jurídico daquela conserveira, que desmentiu despedimentos e prometeu levar a agência ao tribunal por alegada “cumplicidade num caso de polícia”.

“Não entendo como podemos ser acusados de ser cúmplices num caso de irregularidades protagonizada pelo Director de Recursos Humanos da Frescomar. Temos um contrato de prestação de serviços com a conserveira, que foi rubricado pelo seu Director Geral, José Mostero, na presença de várias pessoas, inclusive do DRH. Na ocasião, o DG da Frescomar deu carta-branca ao DRH para tratar dos assuntos com a D&D Carvalho”, explica a gerente desta agência de recrutamento, Eurydece de Carvalho.

Mais, de acordo com esta nossa entrevistada, foi a D&D Carvalho que descobriu que o ex-Director de Recursos Humanos não era sério, por intermédio de uma funcionária que foi colocada pela agência na Frescomar. “Recebemos um telefonema da funcionária, que nos informou que inclusive o ex-DRH tinha sido despedido pelo DG da Frescomar, na sequência de um desentendimento com o DG da empresa, e que planeava fugir do país. Iniciamos então uma ´caça ao homem` porque sabíamos que ele tinha na sua posse o dinheiro para inscrever os funcionários no INPS, cujo processo só ficou concluído recentemente. Infelizmente não tivemos apoio da Frescomar, pelo que tivemos de recorrer à Polícia Judiciária, que ainda tentou agir para impedir o voo, mas este já tinha descolado”, revela.

Por isso mesmo, Eurydice Carvalho diz estar tranquila porque possui provas que corroboram esta sua versão. “A nossa empresa agiu sempre na base da confiança. Acreditamos na boa-fé do DRH e nunca fizemos questão de receber o dinheiro para custear o processo até que os funcionários estivessem inscritos no INPS. Portanto, se houve irregularidades ou ilegalidades, não foi da nossa parte”, diz a gerente, que estranha no entanto o facto do DRH ter sido demitido do cargo e nunca reclamar os seus direitos.

Entretanto, independentemente do desfecho deste caso laboral que começa a entrar nos meandros da justiça, esta responsável é peremptória em afirmar que os trabalhadores não podem ser prejudicados, pelo que já entregou o assunto ao advogado da agência. “O direito dos trabalhadores seja respeitado. Vamos até ao fim, doa a quem doar”, completa.

O Mindelinsite não foi informado da conferência de imprensa da Frescomar, que reagia às declarações da D&D Carvalho. Mesmo assim, tentou ouvir a direcção e o assessor jurídico desta empresa, mas estes preferiram não se pronunciar, alegando estarem ocupados com outros assuntos. Apuramos no entanto que, durante a conferência de imprensa, a conserveira negou ter feito qualquer despedimento de trabalhadores.

Na ocasião, o assessor jurídico explicou que a Frescomar mantinha um contrato de prestação de serviço com a D&D, que fazia o recrutamento de trabalhadores para serem colocado na conserveira. Durante três meses, esses trabalhadores ficavam sob a responsabilidade da agência. Ou seja, os salários, Previdência Social e outros benefícios eram pagos pela Frescomar, através da D&D Carvalho. O prazo de três meses expirou pelo que a partir de agora os trabalhadores estão sob a responsabilidade da conserveira.

Na mesma ocasião, a Frescomar denunciou “com justa causa” o contrato que mantinha com a agência de recrutamento, alegando “quebra de confiança irrecuperável”. Esta é aliás, no entender do assessor jurídico, a razão de toda esta celeuma criada pela D&D Carvalho. Sobre a ex-DRH, a empresa confirma que este fugiu para o Brasil “num caso de polícia”, que diz envolver a D&D Carvalho como “cúmplice”, o que promete provar em local próprio, até porque tem todas as provas a atestar a sua posição.

Constânça de Pina

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