Defesa pede anexação ao processo do relatório da PF que inocenta brasileiros detidos em Cabo Verde

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A defesa dos três jovens brasileiros detidos em São Vicente em Agosto do ano transacto por tráfico de droga pede a anexação ao processo do relatório elaborado pela Polícia Federal do Brasil, feito após uma investigação minuciosa, antes do julgamento marcado para o próximo dia 12 de Março. O advogado,João do Rosário, acredita que este documento, que é subscrito por esta entidade credível, vai inocentar estes jovens.

Este causídico é taxativo em afirmar que o relatório mostra sem sombras de dúvidas que os detidos nada tinham a ver com a droga encontrada num iate Rich Harvest, atracado na baía do Porto Grande, durante uma busca efectuada pela Polícia Judiciária. “O relatório já está incluído no processo a título particular. Entretanto, o Ministério Público do Brasil, através da embaixada brasileira na Praia, já solicitou a sua anexação oficial. Também pedimos o relaxamento da prisão para os arguidos aguardarem julgamento em liberdade. Infelizmente ainda não temos um pronunciamento”, frisa.

Caso este pedido seja acatado pela Justiça, João do Rosário não tem dúvida que vai ajudar imenso os detidos durante o julgamento. Aliás, este advogado defende categoricamente a inocência dos três jovens. “Este é um dos casos que, basta analisar os documentos, para dizer que os detidos são inocentes, pelo seu comportamento, pela forma como relataram a viagem durante o percurso e por muitos outros factores”, assegura.

Confiança é o que demonstra também Alex Coelho Lima, tio de Rodrigo Dantas. Em comunicado, este diz que os brasileiros já poderiam estar em liberdade. É que, escreve, o Ministério da Justiça do Brasil, através da Embaixada Brasileira em Cabo Verde, entregou no dia 22 de Fevereiro, à Procuradoria-Geral na Praia, um relatório com mais de 600 páginas, contendo um “despacho fundamentado”, elaborado pela Polícia Federal a partir de uma minuciosa investigação, com provas, documentos e depoimentos. “O Ministério da Justiça do Brasil enviou os originais através do ofício no.754, no dia 16 de Fevereiro de 2018, directamente para a Procuradoria-Geral da República do referido país”, atesta.

De acordo com Alex Lima, o relatório mostra que a PF não encontrou nenhum indício de participação da tripulação no tráfico dos 1.157 kg de cocaína escondidos no veleiro e nem vínculo ou associação criminosa com os verdadeiros responsáveis. “A diferença de conteúdo nos inquéritos das Polícias Federal e de Cabo Verde são desproporcionais. O crime foi iniciado em território brasileiro, onde o veleiro permaneceu por mais de um ano, ao passo que em Cabo Verde permaneceu por poucos dias, até a apreensão da droga”, realça, confirmando que, diante destes factos novos, os advogados solicitaram o relaxamento da prisão dos detidos para aguardarem julgamento em liberdade, mas a PGR não enviou o documento para o Tribunal em São Vicente para ser apreciado.

Este familiar de Rodrigo Dantas aproveita para apelar as autoridades de Cabo Verde para agilizarem o envio deste relatório, que considera ser uma peça fundamental para comprovar a inocência e liberdade dos detidos. Alex Lima termina dizendo que toda esta morosidade está a aumentar o sofrimento daqueles que se encontram detidos há muito tempo por um crime que não cometeram e dos seus familiares, que nunca duvidaram da inocência dos baianos Rodrigo e Daniel Dantas e do gaúcho Daniel Guerra.

De referir que os três jovens estão presos na Cadeia da Ribeirinha em São Vicente, acusados de tráfico internacional de droga, por decisão da justiça cabo-verdiana. Foram detidos após uma viagem de sonho num veleiro, que pertence a um inglês conhecido por Fox, que iniciou em Salvador da Bahia e que tinha como destino o arquipélago dos Açores. Mas por causa de uma avaria foi obrigado a fazer um desvio e atracar no Porto Grande. Após uma inspecção, a Polícia Judiciária encontrou 1157 quilos de cocaína, escondidos no fundo do veleiro num tanque, selado com um tampo de cimento.

Constânça de Pina

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1 COMENTÁRIO

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    Como é possível que um jornal publique coisas em troca de dinheiro ??? Sim porque só assim se entende que os jornais caboverdeanos continuem a publicar todas as asneirsa que os familiares e advogados dos traficantes de droga pressos mandam publicar. Mas onde estamos meu Deus ????? Onde estamos ??????? Indiviudos são pegos trazendo toneladas de cocaina num navio e armam um enorme campanha mediatica vitimizando-se lançando reportagens e publi-reportagens em tudo o que é canal de TV brasileiro (incluindo a Globo) e tambem em todos os jornais de Cabo Verde. TODOS OS JORNAIS de CV publiquem esssas estorias de carochinha que os homens pegos com a cocaina são uns coitadinhos. Foram enganados. Houve jornais CV que até acusaram o MP de Cabo Verde de manipular povas contra esses brasileiros quando as únicas provas foram encontradas no navio. Agora vem com esse da Policia Federal manda arquivar o caso porque não há nada contra eles ??? Mas isso é um republica de bananas o que ? Obviamente nenhum jornalista publica essas leviandades sem receber em troca alguima coisa. O mais grave é estarem os jornalistas caboverdeans a enganhar a opiniao publica.
    Sinceramente esperava mais desse jornal e dos jornalistas de cabo verde em geral.

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