Dentista processa Mudanças Barros por “incumprimento” no transporte de equipamentos clínicos

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A médica dentária Nélida da Luz vai processar a empresa Mudanças Barros por incumprimento do acordado para desmontar e transportar a sua clínica da Praia para São Vicente. É que, apesar de pagar o preço exigido – um total de 126 mil escudos -para o transporte de um contentor de 20 pés para acondicionar os equipamentos e outros materiais devido aos cuidados exigidos com os materiais médicos, esta empresa decidiu despachar a carga por volumes e fazer o desembarque no Cais de Pesca da Cova de Inglesa. O responsável da Mudanças Barros, Rufino Barros, nega incumprimento do acordado e apresentou também uma queixa-crime contra médica por difamação.

Ao Mindelinsite, a jovem contou que tinha o seu consultório dentário na Praia mas, por questões familiares, precisou transferir-se para São Vicente. Responsabilizou-se pela embalagem e transporte do recheio da sua casa mas, tendo em conta os cuidados com os equipamentos da clínica dentária, decidiu contratar uma agência especializada em mudança. “Procurei uma agência porque acreditei que fariam um melhor trabalho, quer a nível da embalagem como do transporte da carga”, conta a médica Nélida da Luz.

O responsável da Mudanças Barros, Rufino Barros, deslocou-se à sua clínica, onde fez uma avaliação de tudo o que lá existia. Explicou que o transporte dos equipamentos teria de ser feito num contentor maior, de 20 pés, prossegue Nélida da Luz. “Como eu queria o melhor, aceitei. Ele disse-me que o custo era de 110 mil escudos, mas telefonei para a agência de transportes e garantiram que o preço era de apenas 100 mil escudos. Então, Rufino Barros me enviou uma factura, sendo 100 mil escudos para o transporte e 26.500 para a desmontagem da clínica dentária”.

A médica depositou o valor na conta da Mudanças Barros e acreditou que o contentor traria apenas os seus equipamentos. Mas o navio que traria o contentor para S. Vicente nunca mais chegava. Segundo Nélida da Luz, sempre questionava a agência sobre o atraso, o responsável apresentava uma desculpa. Para sua alegria, na semana passada, por volta das 21 horas, recebeu uma mensagem de Barros, informando-a de que o contentor tinha seguido via ilha do Sal e que chegaria em breve em São Vicente.

Desvio para Caís de Cova de Inglesa

Os atrasos e constrangimentos foram esquecidos. Munida dos documentos, Nélida da Luz deslocou-se à Enapor para procurar o seu contentor, que não foi encontrado. Insistiu, exibiu o talão de depósito para mostrar que tinha pago porque queria um serviço de qualidade. Mas de nada adiantou. “Ficamos num vaivém. Mas logo comecei a suspeitar que alguma coisa estava errada, até porque, ao invés de receber a minha carga no Porto Grande, fui enviada para o Caís de Pesca da Cova de Inglesa. Chegando lá, perguntei por meu contentor, mas fui informada que a minha carga estava sobre o caís”, diz, mostrando-se revoltada com a agência e com os trabalhadores do caís.

Nélida da Luz diz que fez questão de gritar aos “quatro ventos” que pagou para o transporte da sua carga em um contentor e não espalhados no chão. Inconformado, o marido telefonou para a agência e foi então informado de que a empresa Mudanças Rufino tinha pago menos de 30 mil escudos para o transporte de carga despachadas. “Percebi que a factura que me tinha sido enviada era um proforma. Paguei por um serviço, mas limitaram a despachar a carga pagando por volumes, num total de 80.

Agora pergunto se os restantes 70 mil escudos, vão ser devolvidos?”, questiona a médica, realçando que o que mais a incomoda não é o dinheiro, mas o comportamento de uma pessoa, aparentemente idónea, e da sua empresa. Aliás, afirma esta médica, desde então tenta falar com o responsável da Mudanças Barros, sem sucesso.

Recebeu uma mensagem de Rufino Barros, avisando-lhe para não continuar a falar, sob pena de ser processada. Esta atitude do responsável da agência fez Nélida da Luz entrar em ebolição. Procurou então a imprensa e denunciou o comportamento da Mudanças Barros e do seu responsável e agora vai recorrer à justiça para que não este não volte a prejudicar mais ninguém. “É preciso que as pessoas saibam o que aconteceu para evitar que outras sejam penalizados. Estou consciente de que dificilmente irei reaver o meu dinheiro, mas que seja feita justiça”.

Para além da demora na chegada dos equipamentos para montagem da clínica em São Vicente, a jovem Médica está a fazer contas a vida. É que, por serem equipamentos hospitalares, ela terá de trazer um perito de Portugal para uma avaliação porquanto foram expostos no chão, arcando com todos os custos da viagem, estadia e do serviço prestado. A somar a estes, não tem qualquer previsão para retomar o seu trabalho e, consequentemente conseguir algum rendimento, sendo que esta é a sua vida. E tudo isso poderia ser evitado se tivesse sido feito o serviço acordado.

Empresa responde com queixa por difamação

Contactado por Mindelinsite, num primeiro momento o responsável da Mudanças Barros inicialmente recusou comentar as afirmações da Médica Dentária, Nélida da Luz. Entretanto, perante a nossa insistência, disse não estar preocupado com o processo desta clínica. “Ela pode processar, mas entendo que não tem razões para tal”, frisou, realçando que toda esta polémica resulta da falta de conhecimento e cultura geral da sua cliente.

De acordo com Rufino Barros, foi-lhe solicitado um serviço de transporte carga para São Vicente e apresentou um orçamento, que foi aceite. E o serviço foi prestado. “A carga foi transportada em duas viaturas Dina até o Porto da Praia e, de lá, foi embarcada para São Vicente num contentor, colocado sobre paletes, para a segurança do cliente. Sem o meu conhecimento, a agência colocou mais carga no mesmo contentor”, conta.

E teve o cuidado de informar a cliente a hora da chegada do navio. Para a sua surpresa, a médica não se apresentou no porto na hora marcada. Quando chegou encontrou a sua carga no chão porquanto a agência teve de desovar o contentor. “Esta é uma norma da agência, não depende da empresa de transportes. Mas ela entendeu tudo errado e reclamou. Pedi-lhe então para colocar as suas queixas por escrito. Não aceito que ela esteja a difamar a minha empresa. Já accionei o meu advogado para intentar um processo contra esta senhora por difamação”, pontua Barros, realçando que a sua empresa está no mercado há muito tempo e tem uma reputação a zelar.

Constança de Pina

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