Desfile de “Sonhos de Mandinga” aquece tarde fria de Lisboa

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A cidade de Lisboa viveu ontem uma tarde diferente com o desfile dos “Sonhos de Mandinga”, que reuniu várias centenas de foliões no centro da Capital portuguesa. Apesar da baixa temperatura, os cabo-verdianos saíram à rua a cantar e dançar e fizeram parar o trânsito entre o Marques de Pombal e a Praça do Rossio. Este desfile, que acontece pelo terceiro ano consecutivo e já é considerado o maior evento cultural da diáspora cabo-verdiana em Portugal, contou este ano com a participação das crianças evacuadas de Cabo Verde.

A concentração começou por volta das 14 horas na Praça Marquês do Pombal, onde a batucada convidava as pessoas para dançar. Entre os percussionistas, era notória a alegria do maestro Mick Lima, que está longe do Carnaval do Mindelo mas que não resiste ao rufar dos tambores. Os foliões chegavam em grande número vindos dos arredores de Lisboa onde residem os cabo-verdianos, trajados de mandingas, mascrinhas ou apenas com camisolas personalizadas vendidas pela organização e cujas receitas visam apoiar as crianças evacuadas. Estas, em número significativo, vinham na frente do cortejo e, pelo menos por hoje, esqueceram a sua condição e festejaram o Carnaval.

Ao Mindelinsite, o presidente do Groguense, que junto com o Sonhos sem Limites responde pelo desfile dos Mandingas em Lisboa, explicou que a ideia de replicar este fenómeno em Portugal surgiu há três anos, depois de umas férias em Cabo Verde. “Depois de umas férias em São Vicente, onde pude acompanhar duas semanas de desfile dos mandingas, regressei e desafiei os meus colegas a fazermos algo similar aqui. Aceitaram e desde e então temos vindo a realizar o nosso desfile, cada vez com mais cabo-verdianos a aderir”, diz Amílcar “Tchilatchi”. Para isso, contou com apoio da Câmara Municipal de Lisboa, da Embaixada de Cabo Verde e da Polícia, que acompanha o desfile por todo o trajecto. “Acredito que estamos a fazer algo importante porque estamos a mostrar a nossa cultura aos portugueses. Por outro lado, estamos a ajudar os doentes evacuados de Cabo Verde. Este ano o nosso foco são as crianças. Os recursos arrecadados com a venda das camisolas vai para o fundo Crianças de Sonhos”, acrescenta este nosso entrevistado.

Para o próximo ano, a organização espera fazer um desfile melhor, com mais organização, envolvendo ainda mais a Câmara Municipal de Lisboa e o Ministério da Cultura. Tchilatchi acredita que a adesão das pessoas que sempre brincaram o Carnaval em Cabo Verde será ainda maior.

Constânça de Pina

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2 COMENTÁRIOS

  1. Credo é vc que talvez nao sabe o que é carnaval, pois carnaval não é só o bonito, engloba feios tbem, que possamos rir e nos divertir, mas é claro, para quem gosta realmente do carnaval.

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