Desfile dos professores de S. Vicente: Simplesmente “ote level”

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Os professores levaram um desfile “ote level” para as artérias da cidade do Mindelo, à medida das expectativas. Os docentes contaram a história de Soncent de forma criativa, mas clara para quem esteve atento aos trajes. “Revivi parte da minha infância porque lembro-me da minha mãe ganhando o seu pão de cada dia carregando carga à cabeça”, reage Etelvina Santos, 50 anos de idade, uma das muitas pessoas que não faltam ao desfile desse grupo muito peculiar.

Fiéis à protecção do meio ambiente, os professores deram mais uma lição prática aos mindelenses e certamente aos seus tantos alunos ao criarem trajes confeccionados a partir do “lixo”. “Na verdade o lixo é transformado em luxo, porque quem vê essas roupas à distância não imagina que são plásticos, papelão, arame, garrafas, madeira e outros materiais deitados fora”, comenta Hélio Brito, enquanto apreciava a marcha sentado numa das bancadas instaladas na Rua de Lisboa.

Desta vez a prata e o azul foram as cores predominantes usadas por centenas de docentes dos diversos níveis de ensino escolar em S. Vicente, que estiveram divididos por doze alas. E como é da praxe, sambaram ao som de uma música melodiosa, cuja letra fala da época dos descobrimentos da ilha, em 1462, até a ascendência da actual cidade do Mindelo.

Quando entraram pela rua de Lisboa, os foliões foram recebidos com palmas pelo público que se estendeu por toda a avenida. “Todos temos de manifestar o nosso apreço por este magnífico grupo. Se havia dúvidas sobre a qualidade do conhecimento dos nossos professores acho que foram dissipados ao longo destes últimos anos pelo nível dos desfiles que apresentam”, realça Carlos Brito, para quem o grupo tem correspondido àquilo que seria de esperar para uma classe caracterizada pelo saber ser e fazer.

A tarde de ontem não foi reservada apenas aos professores. Na verdade o centro da cidade “pulsou” carnaval com o desfile de outros grupos de animação tais como os patinadores, mandingas chefes, mandinga azul e associação de diabéticos de S. Vicente. Após esta maratona de desfiles, o dia foi fechado com os ensaios técnicos do Samba Tropical e Monte Sossego, respectivamente na rua Fernando Ferrreira Fortes (em frente à casa de Cesária Évora) e na Rua de Lisboa.

Como é natural, estes ensaios acabaram por reunir milhares de pessoas, em particular o de Monte Sossego, que começou na praceta Dom Luís e fez a sua entrada na Rua de Lisboa, tal como vai acontecer nesta terça-feira. O objectivo foi testar o comportamento das alas e analisar a progressão da própria batucada, que este ano reúne 150 tocadores. O recuo da bateria, desta vez em frente ao Palácio do Povo, mereceu uma atenção especial da organização.

A animação continua esta tarde no centro da cidade, com a passagem prevista de quinze grupos, como os Mandingas da Ribeira Bote, Solarianos e Mindel Samba.

Kim-Zé Brito

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