Dia “mais negro” da Nova Zelândia: 49 mortos em ataque terrorista

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A Primeira-ministra da Nova Zelândia afirmou que hoje é “um dos dias mais negros” do país, caracterizando assim o ataque terrorista que fez 49 mortos e pelo menos 48 feridos em duas mesquitas em Christchurch. Quatro pessoas estão detidas, três homens e uma mulher.

O momento dos disparos foi transmitido em direto no Facebook de um dos alegados atiradores. Este revela motivações racistas e está associado a movimentos de supremacia branca. “Um acto de violência sem precedentes que não tem lugar na Nova Zelândia”, disse Jacira Arden.

O jornal New Zeland Herald noticiou que um dos atiradores transmitiu em directo durante 17 minutos o momento em que disparou sobre as pessoas que se encontravam no interior de uma das mesquitas. Os episódios, com início às 13h40 (hora local), aconteceram nas mesquitas de Al Noor, em Hagley Park, e de Linwood Masjid, existindo informações de vários atiradores, noticiou o New Zeland Herald, num momento em que as forças policiais citadas pelo The Guardian informaram que há uma bomba num carro em Strickland Street, numa rua localizada a cerca de três quilómetros da mesquita de Al Noor.

Christchurch é a maior cidade da Ilha Sul da Nova Zelândia e a terceira maior cidade do país com cerca de 376.700 habitantes, localizada na costa leste da Ilha Sul ao norte da Península de Banks. É a capital da região de Canterbury.

Identidade de um dos suspeitos

O atirador que transmitiu um dos ataques foi identificado como Brenton Tarrant, um australiano de 28 anos que, através das redes sociais, terá divulgado um extenso manifesto onde identifica as motivações por trás dos ataques de Christchurch. Ao longo do dito manifesto são latentes fortes inclinações anti-imigração e anti-religião muçulmana.

No vídeo gravado por Tarrant é possível ver que o australiano usava uma farda de estilo militar, com insígnias alusivas ao imaginário supremacista branco, e empunhava armas forradas de nomes e referências escritos a branco. Entre elas destacam-se nomes como o de Gaston IV, o visconde de Béarn (chamado de “O Cruzado” pela sua participação na primeira Cruzada), o de Charles Martel (governante francês que em outubro de 723 venceu exércitos muçulmanos na batalha de Tours) à  batalha de Vienna, conflito armado que envolveu forças do Sacro Império Romano-Germano e teve o império Otomano como adversário.

O número “14” também aparece assinalado no armamento do alegado atirador e essa será, talvez, a referência mais contemporânea aos ideais racistas da supremacia branca. As “fourteen words” [14 palavras] é como é conhecido o mantra criado pelo supremacista branco David Lane, líder do movimento The Order, e remete à frase “We must secure the existence of our people and a future for white children” — “Temos de assegurar a existência do nosso povo e o futuro das crianças brancas”, em português.

Esta referência é muitas vezes usada por grupos de neo-nazis, supremacistas brancos e outros movimentos de extrema direita. Já foi utilizada por vários terroristas como os responsáveis pelo tiroteio num templo sikh em Wisconsin (EUA, 2012), o ataque na igreja de Charleston (EUA, 2015) omais recente tiroteio na sinagoga de Pittsburgh (EUA, 2018).

C/Observador.pt

Foto: Renova Mídia

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