Djony: Um  artista que faz do cavaquinho o seu fiel companheiro

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Tem nome e alma de artista e faz jus ao seu baptismo. Djony, ou simplesmente Elton John Mendes, é um jovem sãovicentino que está a ganhar projecção, sobretudo, no seio dos músicos mais consagrados de Cabo Verde.  Sempre de cavaquinho ao peito, seu fiel companheiro de palco, este rapaz de apenas 29 anos já actuou com grandes cantores tradicionais e tem como palmarés três prémios de melhor música de Carnaval na ilha do Sal, fruto de uma parceria com o compositor João “Jotacê” Carlos Silva.

Descendente de gentes de Boa Vista, foi em São Vicente onde nasceu que começou a fazer os seus primeiros acordes de cavaquinho, com a ajuda de seu amigo, João Rodrigues do grupo Cordas do Sol. Com o passar do tempo começou a pesquisar mais sobre este instrumento e a praticar em casa. Nessa altura, Djony não sabia que tocar cavaquinho poderia  ser um factor diferencial na sua vida. Apesar disso, já  convivia com a música desde muito cedo no grupo coral da  Igreja do Nazareno, onde  tocava percussão e violão.

“O cavaquinho é um instrumento que marca presença na música tradicional cabo-verdiana, que tem um papel de acompanhamento nas mornas, coladeiras, mazurca, etc… Também é um instrumento de solo. Decidi aprender a tocar porque eu me apaixonei ouvindo os solos do grande músico e instrumentista “Bau”. Na altura, ainda eu não tinha cavaquinho e todos os dias ia à zona de Monte Sossego para pedir emprestado a um amigo até que um dia a minha tia me ofereceu o meu primeiro cavaquinho”, conta este jovem que reside actualmente no Sal onde toca com a banda ”Mindel Vip”, nos bares, hotéis e em diversos eventos culturais da ilha.

Apesar de ser originário de uma família de músicos  da ilha da Boa Vista – seu pai tocava violão em casa e seus tios e primos tocam bateria violão e baixo – este jovem acredita que o facto de conviver com alguns músicos na ilha de São Vicente foi crucial para definir a sua vida artística. “Por motivos escolares, residi em São Vicente, o que contribuiu muito para o meu aprendizado. Conheci muitos músicos, aliás, São Vicente é uma ilha com muitos artistas. Fiz parte do grupo de samba e pagode “Só Alegria”, durante dez anos. e o pessoal do grupo sempre me emprestava e oferecia CDs, DVDs e livros/manuais de cavaquinho, que me ajudou bastante, aprendi técnicas deste instrumento. Tive o privilégio de fazer parte de um projecto “Kaza ď Ajinha” em Novembro de 2010, intitulado “Musikarte”, com o objectivo de formar e profissionalizar jovens músicos, dirigido pelo músico e compositor Hernâni Almeida.

Segundo Djony as coisas foram acontecendo naturalmente até que recebeu um convite para fazer parte da banda do compositor sãovicentino Vlú. “Durante três anos nesse grupo, aprendi muito sobre músicas de Carnaval, que é algo que me completa sempre com o cavaquinho”, revela. Depois, conheceu o conceituado compositor de músicas de Carnaval João Carlos Silva (Jotacê) com quem tem trabalhado na composição de samba-enredos para agremiações da ilha do Sal. Dessa parceria surgiram três prémios de melhor música de Carnaval da ilha do Sal.

A sua genialidade ao tocar cavaquinho levou com que Djony partilhasse palcos com grandes artistas cabo-verdianos – Mirri Lobo, Lura, Mayra Andrade, Nancy Vieira, Jennifer Solidad, Jorge Humberto, To Alves, Princezito, Diva Barros, Vlú – e com nomes da música internacional. “Em Agosto,  último realizei o sonho de tocar com  conceituado sambista brasileiro, Dudu Nobre, no Carnaval de Verão na ilha de São Vicente”, declara satisfeito realçando o seu carinho especial pelo samba, género musical brasileiro.

Desde cedo já ouvia os CDs  de Martinho da Vila, Beth Carvalho, Agepê etc… Neste estilo de música o cavaquinho me chamou atenção, porque é um instrumento pequeno mas com um som maravilhoso,” afirma este artista que está a preparar-se para gravar  um CD de Samba e marchinhas de Carnaval.

Carina David

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