Doadores de sangue “magoados” com decisão de suspender isenção do pagamento da taxa para visitas no HBS

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Os dadores de sangue de São Vicente foram surpreendidos com uma decisão inesperada da direcção do Hospital Baptista de Sousa (HBS), que suspendeu a isenção do pagamento da taxa moderadora para visitas aos seus parentes e amigos. Esta denúncia foi feita na página Provedor do Mindelo e confirmada ao Mindelinsite por uma fonte deste diário digital. Esta explica que há mais de dez anos tornou-se doador, motivo suficiente para estar magoado com esta atitude porquanto, afirma, sequer tiveram a decência de comunicar aos dadores que a partir de uma determinada data passariam a pagar para entrar no HBS. “Não está em causa pagar 50 escudos para entrar no hospital, mas sim a atitude para com os dadores que, de forma voluntária, se disponibilizam para dar sangue”, lamenta.

A nossa fonte, que é dador universal por ser portador do O Negativo, conta que tornou-se dador por sua livre e espontânea vontade. “Gosto de doar sangue. Por isso, sempre que posso, estou no hospital para doar o meu sangue, inclusive já pedi dispensa do trabalho para isso. Também já telefonaram do hospital para que eu fosse doar sangue. Fico satisfeito porque sinto que estou a contribuir para salvar vidas”, revela o entrevistado.

Como dador, prossegue, possui um cartão que lhe facilita o acesso ao hospital para visitas. Também beneficia de consultas e cirurgias grátis. Por isso mesmo foi surpreendido e ficou magoado quando este fim-de-semana, ao visitar um familiar no hospital, foi informado que teria de pagar a entrada, que custa 50 escudos. “Normalmente apresentamos o nosso cartão de dador na porta e é-nos facilitada a entrada no hospital. Só que, desta vez, não me deixaram entrar e, quando questionei as pessoas, limitaram a informar-me que foi retirada a isenção de pagamento. Estamos a falar de 50 escudos”, informa esta nossa fonte, para quem não tiveram consideração para com os dadores.

Não tenho problemas nenhum em ser dador e nem espero nada em troca. Mas atitudes como estas desmotivam. Não tiveram consideração para com os dadores. Neste momento não sei se foi apenas a entrada gratuita no hospital que foi suspensa, ou se também o acesso às consultas e às cirurgias foram revogadas. Não sei o que ganham com isso. Ao contrário, vão afastar os actuais e outras pessoas que poderiam também se transformar em dadores”, acrescenta, aproveitando para pedir um recuo dessa medida à direcção do HBS.

Também nas redes sociais a indignação das pessoas é evidente. Falam em falta de respeito  e de vergonha para com os dadores. “É um absurdo esta atitude. Por causa de 50 escudos pode-se vir a perder uma vida por falta de sangue por causa da desistência dos dadores”, diz Honorina Brigham. Na mesma linha, Carlos Alberto da Graça, um outro internauta, lembra que “o ridículo mata”. “Não sei se a directora do HBS é formada em gestão, mas o que é certo é que as suas contas estão malfeitas”, pontua.

Foi impossível chegar à fala com a directora do HBS, Ana Margarida Brito, que não atendeu o telemóvel e nem retornou as ligações ao Mindelinsite. Já a Directora do Banco de Sangue, Conceição Pinto, entende que este não é um assunto que merece ser divulgado porque vai prejudicar a população de São Vicente. Deixa claro, no entanto, que as pessoas dão sangue e o fazem por solidariedade, ou seja, sem ficar à espera de nenhuma compensação. “O hospital não faz companha para receber sangue em troca de compensação. Entendo que a entrada, as consultas e as cirurgias representam custos, pelo que não podemos exigir nenhum tipo de compensação ao hospital neste sentido”, assegura.

Apesar disso, admite que o hospital ao longo dos anos tem tido um “gesto” de cortesia para com os dadores, mas sem nenhuma obrigação. “Se houve alguma alteração no quadro existente, entendo que pode ser corrigido. Estamos abertos. Tenho mais de 20 anos a fazer campanha para a dádiva do sangue, dia e noite, e não podemos prejudicar todo este percurso. Trazer esta questão a público pode ter consequência desastrosas”, conclui.

Constânça de Pina

 

 

 

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5 COMENTÁRIOS

  1. Essa não percebi: “Trazer esta questão a público pode ter consequência desastrosas”. Ora, se a medida é sensata, justa, e defensável, porque é que a sua divulgação pode ter consequências desastrosas? Se se faz algo ruim, o culpado é quem noticia e não quem comete a falta? Fiquei baralhado mesmo!

  2. É para informar, a Srª Directora que o sangue que nos doamos, não vai servir somente nos doentes internados , mas sim para todos nos , inclusive a nossa Srª Directora, familiares amigos conhecidos em geral Cabo Verde .

  3. Uma máquina decisão.
    Quais as vantagens que a gestão dqueBS, obtém na gestão do hospital com essa medida.
    A isenção era um acto de reconhecimento do hospital, para com aqueles que gastam o seu,que oferecem a sua disponibilidade,a sua solidariedade para com os doentes e acidentados,para com a sociedade e que segundo julgo saber tem sido um sucesso.
    Para se está a pagar a ninguém com essas isenções.
    Apenas reconhecer e agradecer.
    Falta de sensibilidade e até posso ir um pouco mais longe , alguma desconsideração.
    Devem repensar a medida.

  4. Boa tarde assino por baixo de todas as mensagens anteriores…Eu tambem sou doador ha mais de 20anos e é claro que nunca pedimos nada em troca mas as pequenas regalias que.temos é o minimo que podemos fazer depois de sairmos da nossa casa para doar sangue n vezes…sem conta mesmo…para poder-mos fazer algo de extrema importancia…
    Pois eu tb sou contra essa decisao e vou maos alem se for possivel…juntar todos os dooadores e tratar dess assunto a nossa maneira…

  5. Sinceramente, meus senhores. Haja bom senso por parte dos gestores. Pergunto, em termos económicos, o que é que representa esse encaixe para o hospital? É verdade que os benefícios representam um mero reconhecimento da acção dos dadores de sangue. E quanto custa, realmente, o sangue doado? Quantas vidas se salvam com o sangue doado?
    Resulta com clareza que se tratou de uma medida avulsa, sem qualquer fundamento que, a bem de todos os que um dia hão-de precisar de uma transfusão, deve ser revogada.

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