Domingo das crianças com mandingas e mensagens fortes

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Na tarde de Domingo de Carnaval em São Vicente, tradicionalmente dedicada às crianças, as ruas de Morada encheram de princesas, bailarinas, figuras de marvel e palhaços. Teve também mandingas e grupos com mensagens sobre ambiente, luta contra o alcoolismo e condenação da Violência Baseada no Género (VGB). Mas, como era de brincar, houve vários momentos de fofura e beleza, por exemplo com o Monte Sossego Mirim que abriu o seu desfile com uma ala de baiana, com crianças de três a sete anos.

Mindelo esteve colorida e com muita batucada com mais de uma dezena de grupos a deixarem a sua mensagem. É o caso dos “Mandingas do Lixão”, que se basearam em questões como protecção das tartarugas, igualdade do género e Violência Baseada no Género (VBG). Com cerca de 350 figurantes entre crianças e adultos, o grupo trouxe cinco andores, o primeiro uma tartaruga, um casal numa praça, um caixão e uma cela, simbolizando estes últimos as consequências da VBG. “Quisemos trazer temas que chamam a atenção das pessoas e alertar para as consequências, por exemplo da violência, que são a cadeia e a morte”, explicou Daniel Sequeira.

Já o grupo de São Pedro, que chegou na Rua de Lisboa com uma música vibrante e uma número significativo de figurantes, retratou a realidade daquela aldeia piscatória. As crianças trajavam de ondas do mar, peixe e sol, mas também trouxeram o farol de São Pedro, que é um marco turístico do povoado. Para além dos carros alegóricos – o farol, um bote de pesca e uma prancha de wintsurf -, as alas estavam todas coreografadas.

Muito aplaudido foi o Monte Sossego Mirim, que se apresentou com cerca de 400 crianças.  O porta-bandeira e mestre-sala deram um show a parte e, na frente, lembrando a sua “progenitora” trouxe uma ala de baianas-mirins de branco, com crianças desde os três anos. Os figurinos das restantes alas eram todas em cores fortes, excepto a dos profissionais de Saúde, que se apresentaram trajados com jalecos e kits de primeiros socorros.

Mas a tarde foi essencialmente dos mandingas. Foram vários os grupos oriundos da periferia da cidade, com as suas danças e cânticos característicos. A novidade, por exemplo, no caso dos Mandingas de Fonte Felipe, foi que abriram o seu desfile na rua de Lisboa com várias crianças, de todas as idades, vestidas e pintadas a rigor. O grupo arrastava consigo uma enorme multidão. Deram um show que também mereceu aplausos.

Desfilaram ainda os mandingas de Espia, de Fonte Francês e de Ribeira Bote, o grupo Mama Gelod, Panela na Lume, Mindel Samba, Tropical Som, Alegria de Campim, Zona X, Tropical Som, Solarianos, Mundo Encantado, sem contar as muitas iniciativas individuais ou as roupas confeccionas por pais, que exibiam os seus dotes e criatividade nos filhos.

Constânça de Pina

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