Enterro do Carnaval: “Corpo” no mar, “espírito” em terra

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Os mandingas lideraram o tradicional enterro do Carnaval, que voltou a reunir milhares de foliões numa procissão que começou na Ribeira Bote e culminou na praia da Avenida Marginal, onde o caixão simbólico foi depositado no mar. Porém, o espírito da festa ficou em terra, pois se há coisa que não morre em S. Vicente é o Carnaval.

Perante tamanha moldura humana, ficou como sempre ficou a dúvida no ar: houve ou não mais gente este ano? “É difícil contabilizarmos, mas uma coisa é certa, a sabura é garantida. Nada se compara com a festa do Carnaval de S. Vicente. Nem sei se existe o enterro do Carnaval noutras partes do mundo”, comenta Calú Santos, um “titular” dos desfiles dos mandingas. “Nem doente fico em casa!”

Animado pela banda de Pol Block, autor de “mã pritinha”, o cortejo saiu por volta das 15 horas já compacto da rotunda da Ribeirinha em direcção a Cruz João Évora com a animação peculiar dos assaltos dos mandingas. À frente, o caixão transportado por um pequeno grupo de “guerreiros”. A condizer com o ambiente “triste” não faltava quem “chorasse” a morte do sr. Carnaval. “Foi um mês de sabura, por isso fica aquela saudade, que só nós sabemos sentir”, explica Rosita Brito, 21 anos de idade, enquanto dava os típicos passos de dança dos mandingas. Ela e as amigas não se cansaram durante toda a trajectória, que percorreu ainda as zonas do Madeiralzim, Chã de Alecrim, praia da Laginha e avenida Marginal.

Ao contrário dos anos anteriores, o funeral deste ano foi mais rápido. Se no ano passado o cortejo chegou ao “cemitério” da Avenida Marginal já passava das sete da noite, ontem antes das 18 horas o caixão já estava na água. Uma cerimónia acompanhada por milhares de foliões, que ocuparam toda a avenida e o cais da Marina do Mindelo para dizer um até breve ao Carnaval d’Mindelo. “Fechamos a porta, mas não deitamos a chave ao mar porque regressamos em força já no Carnaval de verão”, frisa Djôn Barros.

Toda a celebração foi acompanhada de perto por elementos da Brigada Anti-Crime da PN, que fizeram algumas abordagens, mas não registaram nenhum incidente de maior gravidade.

Kim-Zé Brito

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