Espicaçando a sociedade civil

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Por Maurino Delgado

Na sexta-feira passada, 22 de junho, o  senhor António Cruz, familiarmente conhecido por Nhô Anton, é mortalmente atropelado na Rua nº 1 de Monte Sossego por um motoqueiro a fazer gincana, de rodas no ar. Mais uma vítima da indisciplina de muitos motoqueiros.

Qualquer um de nós podia ser Nhô Anton, ou a família de Nhô Anton,  vítima da negligência institucional porque quem de direito não toma as  medidas contra a indisciplina de certos motoqueiros nas ruas da Cidade. Várias pessoas já foram vítimas dessas atitudes. É revoltante! É preciso exigir explicações às autoridades competentes. Onde param os nossos Deputados que não  andam a cumprir com as suas responsabilidades de defender os direitos dos cidadãos?

Ninguém vai poder trazer de novo, Nhô Anton para o seio da família. Ao menos que sirva para chamar a atenção das autoridades que têm a responsabilidade de evitar ou corrigir semelhantes comportamentos.

Da mesma forma que Nhô Anton foi atropelado, acontecia em 9/12/2002, já lá vão 15 anos, uma senhora é brutalmente atropelada na zona de Fonte Cónego. Caminhava no passeio quando viu um jovem numa mota que vinha a grande velocidade a fazer gincana com a roda de frente no ar. Passou junto da Casa da Cesária Évora,  ultrapassou um autocarro, perdeu o controlo do veículo, subiu no passeio e atropelou brutalmente essa senhora. O jovem não tinha carta de condução. A vítima partiu uma perna e o queixo, apanhou pancada no tornozelo, perdeu os dentes. Foi hospitalizada por dois dias em São Vicente e a seguir evacuada para o Hospital da Praia, sujeitou-se a várias operações e esteve 29 dias hospitalizada. Cinco meses de convalescença em casa e três anos a fazer fisioterapia, suportando  as despesas de táxi todas às vezes que ia  ao tratamento.

O marido teve que fechar a oficina para acompanhá-la à Praia onde permaneceu seis meses. Os filhos na escola ficaram em poder de familiares. Foi um período de muito sofrimento físico, psicológico e dificuldades financeiras. Carrega ainda sequelas físicas do acidente, ficou traumatizada, e todas às vezes que vê uma moto a fazer gincana fica assustada. O caso prescreveu no Tribunal.

Muitos motoqueiros não respeitam a lei. A Polícia e os Serviços de Viação e Segurança Rodoviária, não fiscalizam, os Tribunais não julgam, os Deputados, nossos representantes não ligam, a Cidade é insegura. Isso, é o que chamamos de  desgoverno. As instituições existem, mas não funcionam. Pergunta-se, por que razão?  A Polícia diz que não persegue os motoqueiros que fazem gincana nas ruas da Cidade para evitar acidentes. Estaremos todos de acordo porque o que se pretende é justamente evitar acidentes: Mas, se não devem ser perseguidos, a polícia deve arranjar uma forma de apanhá-los em manobras perigosas que poem em risco a vida de pessoas.

Pôr as instituições do Estado a funcionar é o grande desafio para o desenvolvimento de Cabo Verde. Quando as instituições do Estado não funcionam na normalidade, o país fica desgovernado e os direitos do cidadão não são respeitados. Temos que ser capazes de pôr este país a funcionar, escolhendo bons dirigentes!

Esperemos que desta vez,  os nossos deputados, deem a conhecer aos São-vicentinos o resultado das diligências que fizeram no âmbito das suas obrigações e competências junto das autoridades competentes, para resolver essa questão que se arrasta há longos anos e que nos preocupam,  a bem de uma Cidade Segura e Sustentável! Uma cidade em que os motoqueiros fazem gincana nas ruas, na barba cara da Polícia, anos e anos, sem que esta tome medidas, não é uma Cidade Segura.

Que, designadamente, os deputados João Gomes, António Monteiro e Manuel Inocêncio, os rostos visíveis dos nossos deputados, tomem essa iniciativa.

 

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