Estrelas de Cabo Verde realiza 4ª edição do “Dançar São Vicente”

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O Grupo de Dança Estrelas de Cabo Verde, o mais antigo da ilha ainda activo, realiza neste mês de Janeiro a 4ª edição do concurso “Dançar São Vicente”, que deverá contar com a participação de oito pares de adultos. Este concurso, que pretende repetir o sucesso e os estilos dos anos anteriores, terá duas fases, nos dias 13 e 20 de Janeiro. A final será no dia 27 de Janeiro, revela Natal Maurício, num exclusivo ao Mindelinsite.

“Esta edição mantém os propósitos de levar ao conhecimento das pessoas as danças tradições de Cabo Verde, que têm vindo a cair em desuso. É por isso que, nos últimos anos, optamos por fazer concursos com adultos. E, felizmente, tem estado a ter sucesso. Pessoas de qualquer idade, a partir dos 16 anos, podem participar”, explica o fundador do grupo Estrelas de Cabo Verde, Natal Maurício, que se mostra, no entanto, decepcionado com o interesse das pessoas.

Nas edições anteriores tivemos mais procura. Este ano está a ser mais difícil convencer as pessoas a participar. Até agora temos apenas sete pares inscritos. Mas já fizemos este concurso com oito pares, dez e até 12 pares. Está a ser cada vez mais difícil encontrar pessoas interessadas em aprender a dançar os cinco ritmos tradicionais que são obrigatórios no concurso, caso da morna, coladeira, Sanjon, mazurca e funaná”, lamenta este nosso entrevistado.

Como já é tradição, este concurso vai ser uma vez mais feito em forma de espectáculo, com participação do Estrelas de Cabo Verde e do Sorriso da Criança, que é uma escola de dança criada pelo grupo. “O Estrelas de Cabo Verde completou em Agosto 30 anos de existência. E tem se mantido sobretudo porque temos a escola Sorriso da Criança, que alimenta o grupo com os bailarinos”, diz Natal Maurício, um autoditacta que vive e se realiza profissionalmente na dança.

“Trabalho com música, dança e teatro há muitos anos. Larguei a escola e a oficina para entrar na área cultural. Aprendi fazendo pesquisas e conversando com as pessoas. Não há melhor forma de aprender do que convivendo com quem sabe. Hoje vejo que não foi uma escolha muito inteligente dedicar a cultura porque não somos recompensados. Esta é uma área que não dá garantia. Mas sou feliz por fazer algo que gosto”, confessa este agente cultural de profissão, que actualmente também dá formação para professores e promove oficinas de dança para universitários.

A par das formações, Natal Maurício explica que Estrelas de Cabo Verde tem uma programação anual recheada. “As aulas na Escola Sorriso da Crianças acontecem todos os sábado e domingos, das 10 às 13 horas, no salão do Mindelgina. Temos alunos a partir dos 4 anos. Também realizamos os concursos de danças, que absorvem muito do nosso tempo. Aliás, pensamos retomar este ano os concursos para adolescentes, envolvendo as escolas secundárias de São Vicente. Entendemos que, nesta faixa etária, os jovens precisam de opções. E a dança pode ser uma forma saudável de ocupação dos tempos livres”, pontua.

Ainda de acordo com o programa, o grupo deverá levar a sua dança às aldeias piscatórias de Salamansa e São Pedro no mês da Criança, Junho. Em Agosto, tem agendado uma deslocação à ilha do Sal. “No ano passado foi impossível fazer qualquer viagem devido a problemas de transportes, mas também devido ao preço excessivo das passagens. Mas este ano, se tudo correr como esperamos, vamos para o Sal em Agosto”, afirma.

Apesar da vontade de trabalhar, Natal explica que a falta de apoios acaba por condicionar os planos de actividades do grupo. Cita como exemplo o concurso que pretende realizar agora em que ainda continuam à espera de respostas aos pedidos de apoio. “É complicado programar qualquer actividade porque nunca temos garantia de apoios”, finaliza.

Constânça de Pina

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