Federação de voleibol “risca” S. Vicente das provas internacionais

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A cidade do Mindelo não será palco de nenhuma prova internacional de voleibol enquanto o polidesportivo de Monte Sossego continuar no estado “primitivo” em que se encontra. O alerta é de António “Tchey” Rodrigues, Presidente da federação cabo-verdiana da modalidade e supervisor da Confederação Africana de Voleibol, que não arrisca neste momento sequer em trazer o campeonato nacional masculino para a ilha de S. Vicente. “Todos ainda temos vivo na memória o que se passou no último campeonato nacional organizado no polidesportivo de Monte Sossego. Choveu, o piso ficou molhado e tivemos que ir bater à porta dos Salesianos à noite para podermos organizar os jogos das meias-finais”, recorda Rodrigues. Segundo o responsável da FCV, essa situação esteve prestes a colocar toda a prova em causa, pelo que não está disposto a arriscar de novo.

“Temos uma ideia da época das chuvas, mas a verdade é que pode surgir um aguaceiro a qualquer instante. O problema é que o tecto deixa passar água e o piso fica molhado. Não pode ser”, reage António Rodrigues. Como relembra esse ex-Presidente da Comissão de Controlo dos Jogos Africanos do Congo, desde que o recinto foi construído nunca recebeu uma obra de beneficiação de fundo, mantendo até hoje praticamente as mesmas valências de há décadas. Logo, enquanto supervisor da Confederação Africana de Voleibol, Rodrigues garante que jamais daria a sua aprovação para S. Vicente receber uma prova internacional no polidesportivo de Monte Sossego.

“Triste e preocupado” com esse quadro, Rodrigues acha que todos precisam remar no mesmo sentido e ajudar a levantar um verdadeiro parque desportivo em S. Vicente, ilha onde estudou e que, apesar das dificuldades, continua a ser uma potência em quase todas as modalidades, inclusive as de salão. Porém, a seu ver, os atletas mindelenses já se mostram agastados com as dificuldades que enfrentam para praticar o desporto e sentirem que a ilha está a ficar atrás de outros municípios.

Estas críticas surgem a duas semanas da realização, na cidade da Praia, dos jogos da fase sub-zonal de apuramento para o campeonato mundial de voleibol Japão-2018. Cabo Verde recebe as selecções do Senegal e da Gâmbia em masculino e feminino com o objectivo de conseguir passar à segunda etapa. A competição acontece de 28 a 30 de Abril e, segundo Rodrigues, a FCV vai aproveitar a oportunidade para formalizar o seu interesse em realizar os jogos da fase regional africana, também na cidade da Praia. Isto, claro está, se os “Tubarões-azúis” conseguirem o apuramento.

“Instalado” na FCV há coisa de doze anos, António Rodrigues entende, entretanto, que já chegou a hora de outra pessoa assumir as rédeas da federação. Por outras palavras, não será candidato á sua própria sucessão nas próximas eleições.

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