Festival Eco para despertar consciência ambiental dos mindelenses

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Despertar a consciência ambiental e ecológica é o propósito do Festival de Cinema Eco, que arranca esta sexta-feira, 05, e vai até o dia 11 de Abril, na Galeria Zero Point Art, na cidade do Mindelo. Durante o evento serão exibidos filmes e documentários que focam os aspectos mais frágeis do planeta, com destaque para a curta “As ilhas desertas”, que fala da ilha de Santa Luzia e os ilhéus Branco e Raso. Um trabalho que já passou por vários festivais internacionais. Haverá ainda conversas sobre o ambiente sob a responsabilidade de activistas, sessões de música e apresentação de uma antologia de poetas cabo-verdianos contemporâneos.

“É importante criar alguma consciência ambiental. Em Cabo Verde ainda encaramos como normal pessoas deitarem um papel de drops no chão. Também há uma enorme quantidade de lixo que vai para o mar. Vim do Sal há poucos dias e a ideia que temos é que a ilha está a desenvolver, mas ninguém se preocupa, por exemplo, com o destino do lixo dos hotéis”, analisa Alex Silva, realçando que a organização do festival não pretende condenar e nem apontar dedos, apenas sensibilizar as pessoas.

Foi neste sentido que, afirma, decidiu aproveitar um conjunto de oportunidades, resultantes de um diálogo e dos projectos que tem com o poeta Tony Nevada, cabo-verdiano que reside nos Açores. “O Tony faz parte do Cineclube da Ilha Terceira, nos Açores, que fará uma representação oficial neste festival. Perguntaram-nos se tínhamos interesse em receber este festival e aceitamos de imediato porque entendemos que precisamos de mais informação em Cabo Verde”, explica o mentor do Zero Point Art, que aproveita para questionar a falta de sensibilidade das autoridades para apoiar iniciativas do género em São Vicente, que têm os seus custos.

Para além dos filmes e documentários – Utopia Revisitada, O sonho do Capitão, Areias da Morte, Ilhas Desertas, E-Wasteland e Mulher e a Água, e ainda Planeta Água -, estão previstas pequenas palestras com a Biosfera que, segundo Alex Silva, tem feito um trabalho ambiental com grande notoriedade no estrangeiro; Guilherme Mascarenhas, que tem estado numa luta solitária para proteger a enseada da praia da Laginha da “estupidez das autoridades” e o biólogo Rui Freitas que, recentemente, conseguiu fazer um mergulho de mais de 300 metros. Aliás, afirma Alex, o biólogo é o único cabo-verdiano a conseguir tal proeza e vai mostrar as filmagens feitas e dedicar dez minutos a explicar este feito.

“Conseguimos juntar tudo isso e fazer algo de bom e de positivo. E, o melhor, é que se trata de uma iniciativa da sociedade civil, o que mostra que já existe alguma consciência ambiental. A história nos mostra que as autoridades normalmente seguem a sociedade civil, caso dos artistas. Por isso acredito que esta actividade venha a chamar a atenção.”

Na manhã de sábado, será apresentada “Atlântida”, uma antologia de poetas de Cabo Verde. Para domingo está agendado um mergulho na enseada da Lajinha, por volta das 11 horas e 30 minutos. Haverá ainda na galeria uma amostra de trabalho de duas alunas do M_EIA sobre moda e reciclagem.

Constânça de Pina

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