Gala de Morna e Coladeira promove a cultura e prepara o cantor Natche para palcos internacionais

A Gala de Morna e Coladeira promovida este Sábado pela Rachel Events tem como propósito a promoção da música, a gastronomia e a pintura, mas também a preparação do cantor Natche para a sua internacionalização. Para o baterista Tey Santos, este é um dos artistas que merece ser consagrado dentro e fora de Cabo Verde, pelo seu grande talento, mas que, diz, tem vindo a ser sub-aproveitado.

Conheci o grande potencial deste artista no enterro do cantor Djack Monteiro. Estava a cantar sozinho e percebi que ele tem uma voz extremamente forte, tão potente que todos aqueles que depois começaram a cantar não conseguiram abafar a sua voz. A sua voz se sobrepunha, o que é uma característica muito difícil de se encontrar noutros artistas. Além de ser uma pessoa simples e natural”, assegura o artista, que acrescenta que Natche pode triunfar se tiver um boa produção por detrás.

Rachel Sylva, gestor da Rachel Events, reconhece de igual forma o talento deste artista de pés descalços, porém enfatizou que pretende promover a valorização do seu trabalho dentro do país primeiro, para depois levá-lo a outros palcos no exterior. “A cultura de Cabo Verde tem que sair também lá fora, não tem que estar somente ca dentro. Internacionalizando Natche, estaremos a internacionalizar a nossa morna e coladeira, a nossa cultura”, frisa Sylva.

Já Natche caracteriza-se como um artista que aprecia cantar para o povo, mas que recusou ao longo da vida propostas que apareceram. “Nunca quis levar a música a sério porque há pessoas neste meio que nos prometem chuva e nos oferecem vento. Neste momento surgiu esta chance e quero agarrá-la” assegura este mindelense de coração, apesar de ter nascido em São Tomé, no meio das roças de cacau onde trabalhavam seus pais. Durante o evento será feita uma pintura com a cara de Natche, que será depois leiloado. 

A gala tem por objetivo promover ainda a morna, que concorre à categoria de património imaterial da humanidade pela UNESCO. “Se chegar a esta categoria, será um grande trunfo para a imagem de Cabo Verde”, diz Tey. A dignificação da morna, para Tey Santos, irá impulsionar o trabalho dos músicos e valorizar os seus trabalhos.

Antigamente havia uma convivência e um diálogo cultural em Cabo Verde nas noites cabo-verdianas, como as serenatas, porém desapareceram devido a diversos fatores. A música acústica foi esquecida num canto, com a projecção da indústria musical”, lamenta o baterista, para quem juntar culinária, música, pintura é algo único.

A vertente da culinária, para Rachel é algo que poderá trazer mais público ao evento no hotel Porto Grande, já que em Cabo Verde é tradição familiar as pessoas juntarem-se principalmente na hora das refeições, o que proporciona uma maior convivência.

Alem de Natche, o espetáculo desta sexta feira conta com a atuação de Constantino Cardoso, Jorge Sousa, Toi Cabecinha, Nilza Xalino, Homero Fonseca, entre outras surpresas prometidas pela produção. 

De acordo com Rachel Sylva a sua intenção é levar a Gala de Morna e Coladeira para outras ilhas e ainda promovê-la fora do país.

Sidneia Newton (Estagiária)

3 COMENTÁRIOS

  1. Desejo os maiores sucessos pois esse senhor … Natche tem uma voz incrivel. Nunca é tarde. Pode ser que ainda vá a tempo de ter uma carreira musical.

  2. Realmente Natche tem uma voz potente e pode ser bem aproveitado. Bem haja, a fim de elevar a nossa cultura musical.

  3. Merci Rachel de sortir ce trésor qui est Nache du fond de l’océan afin que l’on puisse l’apprécier à sa juste valeur. Tu as trouvé la bonne formule avec ce type d’événement.
    Força e sucessos amigo.

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