Greve na ICCO: Aumentos salariais irrisórios incendeiam trabalhadores

GA decisão da direcção da ICCO – Industria de Componentes e Calçados Ortopédicos em São Vicente de atribuir um aumento salarial abaixo dos cem escudos por cada operário depois de sete anos sem actualização – em alguns casos a diferença é de apenas 30 escudos – incendiou os trabalhadores, que decidiram cruzar os braços a partir das 8 horas desta terça-feira, 21. A greve, com duração de 48 horas, deverá paralisar toda a linha de produção desta unidade industrial no Lazareto.

O coordenador do Sindicato de Indústria, Agricultura, Comércio e Serviço Afins (SIACSA), Jairson Aguiar, explica que os trabalhadores desta fábrica, uma das mais antigas de São Vicente, estão a reivindicar um aumento salarial digno, subsídio de produção e apoio no transporte. “É a única unidade industrial do Lazareto que não oferece aos trabalhadores subsídio de transporte. Mas estes também querem melhorias a nível da higiene e de condições de trabalho e exigem mais respeito por parte da direcção da ICCO”, elenca este representante sindical, que diz esperar uma adesão total à esta greve, tendo em conta as motivações e a mobilização dos trabalhadores.

“São mais de 140 trabalhadores e todos estão mobilizados para esta greve. Iremos paralisar a linha de produção. Os únicos que ficam de foram são os trabalhadores de manutenção, cozinha e administração”, explica Jairson.

Este deixa claro que falhou qualquer tentativa de conciliação a nível da Direcção Geral de Trabalho porque a representante da empresa não mostrou qualquer abertura para negociar. “Em relação ao aumento salarial, a sua resposta é que não cabe no orçamento anual. Aliás, a representante da ICCO recusou todas as nossas propostas. Mas estamos abertos e até amanhã de manhã ainda é possível evitar a greve,” diz o coordenador sindical, que diz estranhar o silêncio da matriz da empresa em Portugal.

Desde o ano passado que a empresa e o sindicato estão a discutir a questão do aumento salarial. A questão foi retomada este ano, mas a empresa manteve-se sempre uma postura ambígua. “Deram-nos garantia que estavam a estudar uma forma de atribuir um aumento salarial à todos os trabalhadores, o que nunca aconteceu. Mas o que mais revoltou estes operários é que, recentemente, decidiu-se, fazer um ajuste irrisório que ficou abaixo dos 100 escudos por trabalhador. Estes viram este aumento como uma espécie de esmola, o que incendiou a fábrica”, desabafa Jairson Aguiar.

O mais caricato é que esta indústria de calçados já está no Centro Internacional de Negócios e, com isso, passou a usufruir de algumas regalias, como por exemplo uma tributação menor, revela este entrevistado Mindelinsite. Aliás, este afirma que a expectativa era de que, ao aderir ao CIN, a empresa iria recompensar os trabalhadores, o que não aconteceu.

Constânça de Pina

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