Grupo Estrela do Mar defende a construção de um sambódromo em São Vicente

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Bancadas do Carnaval do Mindelo

O grupo Carnavalesco Estrela do Mar apoia a construção de um sambódromo em São Vicente. Para a agremiação através desta infra-estrutura pode-se arrecadar verbas para financiar os grupos carnavalescos e dar maior sustentabilidade à Festa do Rei Momo numa altura em que ela já se transformou num produto turístico.

Pessoalmente defendo essa ideia. Mas o sambódromo deveria ser feito não hoje mas sim ontem. O Carnaval tem uma influência grandíssima na economia desta cidade e através dessa infra-estrutura o Carnaval poderia se auto-financiar. Nós agradecemos o povo de Cabo Verde porque a festa é feita com dinheiro dos impostos que eles pagam e com patrocínios”, defende Luís Gonçalves presidente do grupo que, após anos de interregno, volta para desfilar no Carnaval 2018.

Para este dirigente com a construção de um sambódromo, teremos mais gente a envolver-se no Carnaval, a festa seria melhor organizada. Mas os sãovicentinos deverão saber vender a festa como o produto turístico e rentabilizar a infra-estrutura. “Não basta apenas ter um sambódromo e deixar lá. Devemos saber rentabilizá-lo para que se possa ter retorno do investimento feito com a sua construção”, acrescenta Gonçalves para quem São Vicente já tem um local que pode acolher o desfile. Trata-se segundo ele do “campo de Fontinha” actual Estádio Adérito Sena.

Já temos o antigo campo de Fontinha que pode servir de sambódromo. É uma questão de fazer um estudo e saber como vai oferecer esta nova valência. Existem bancadas fixas e podem colocar mais bancadas amovíveis. Eu, particularmente, já desfilei nesse campo quando eu tinha 12 anos num desfile em que participou sete grupos. O único problema que tiveram de quebrar uma parede para que os andores pudessem passar. Eu não vejo um sambódromo feito fora da cidade do Mindelo”, sentencia o presidente do Estrela do Mar defendendo que usando o estádio Adérito de Sena iria poupar muito dinheiro porque a infra-estrutura já existe.

O vice- presidente do grupo, Pepi Tavares, acredita que a comercialização do Carnaval tem que depender da nossa realidade. E por isso não se pode criar um sambódromo somente para a elite já que a nossa particularidade é que a festa sempre teve uma expressiva participação do povo. A solução, acredita, é criar bancadas amovíveis para acolher o maior número de pessoas , fazendo com que o preço dos bilhetes sejam acessíveis a todos.

Se criar um espaço para o desfile for uma iniciativa de Câmara para dinamizar o Carnaval, há forma de vender os bilhetes a baixo custo. Não se pode ter uma rentabilidade imediata mas será rentabilizar essa infra-estrutura durante a sua existência. Penso que se deve ser bem feito, por exemplo pensar como é os grupos vão atravessar as ruas e criar uma estrutura amovível que será colocado por altura do Carnaval e depois retirado para ser utilizado noutros eventos porque Cabo Verde está a desenvolver-se em outras áreas,” opina Tavares realçando que os bilhetes serão mais baratos se for feito uma estrutura que acolhe 10 mil pessoas ao invés de três mil.

Mas, apesar de concordar com a construção de um local próprio para o desfile, o director do grupo, Carlos Daniel, acredita que o sambódromo deverá ser edificado  ao lado da recta de Baía. Segundo o mesmo levar o Carnaval para essa zona não só iria movimentar a economia mas também iria possibilitar que os grupos tivessem os respectivos estaleiros nesse local o que traria mais profissionalismo e seriedade ao Carnaval.

Eu vejo-o fora da cidade por várias razões: Primeiro, para movimentar a economia de São Vicente porque temos um exemplo claro que é o festival de Baía das Gatas que faz a nossa economia movimentar. E eu quando vejo-o Carnaval fora da cidade vejo também autocarros e taxistas a fazerem o transporte de pessoas, barracas a serem montas para vender comes e bebes. O Carnaval de São Vicente não acontece somente nos três dias, decorre praticamente durante uma semana. E durante esse tempo o sambódromo poderia ser rentabilizado com shows ao vivo, desfiles de mandingas, trios eléctricos

Na sua óptica o sambódromo deve ser uma grande infra-estrutura que além de camarins, de salas para comunicação social e parques de estacionamento deve oferecer outras valências fora do período carnavalesco. “Deve um espaço para receber torneios de basquetebol, de voleibol, ou de futebol de salão, espectáculos ao vivo. Um local onde que uma pessoa qualquer pode pagar uma quantia acessível e ver um Carnaval sentado e com dignidade”, sustenta Daniel, lembrando que o povo de São Vicente gosta do Carnaval mas as ruas estão a ficar pequenas para acolher tanta gente.

E é por isso que para o desfile deste ano este membro da direcção do Estrela do Mar pretende apresentar uma proposta para mudar o roteiro do desfile. O invés de contornar a Praça Nova os seguia em direcção à Fábrica de Tabacos e descer na Avenida 5 de Julho, para dar fôlego e permitir que mais pessoas possam ver o desfile. Esta alternativa, segundo Luís Gonçalves, assemelha-se ao do Carnaval de 1979 em que os grupos seguiram em direcção a fábrica e desceram na Rua Angola.

CD

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