Grupos “sacodem” Mindelo com desfiles grandiosos e imponentes

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Os quatro grupos oficiais do Carnaval de São Vicente sacudiram as ruas do Mindelo com um desfile grandioso. Com enredos criativos, belas alegorias, trajes bastante sofisticados e coreografias originais, Monte Sossego, Cruzeiros do Norte, Vindos do Oriente e Flores do Mindelo fizeram explodir o coração dos mindelenses nesta terça-feira de Carnaval, mostrando que a Festa do Rei Momo na ilha do Monte Cara é a cada ano o melhor de sempre.

Monte Sossego foi o primeiro a entrar na Rua de Lisboa. Com uma batucada retumbante, o grupo fez uma “paradinha” logo no início do desfile e arrebatou aplausos do público que gritava em uníssono “Oli Monte Sú”, enquanto a rainha da bateria mostrava “samba no pé” à frente dos 150 tocadores, que também estavam trajados a rigor. À medida que as alas iam desfilando, “Montsu” desvendava o seu enredo – “Grandes Civilizações”. Da África lendária aos Ameríndios, passando pelo Atlântico até chegar aos Astecas, os passitas, baianas e as figuras de destaque mostraram que o grupo da “terra d’índio” entrou para brigar pelo título de campeão. Os três carros alegóricos da agremiação também destacaram-se pelo primor e composição plástica. Mas devido ao grande número de foliões “Montsu” passou uma hora para sair da Rua de Lisboa.

Cruzeiros do Norte foi o segundo grupo a entrar, após um atraso de cerca de 40 minutos, por causa de problemas de som. Tal como no ano passado, o grupo da zona de Cruz João Évora entrou “mudo”, o que deixou descontente o público que pedia música ao abre-alas. Com o enredo “Vencer as misérias humanas e sobreviver” – do Carnavalesco Noia – e embalados pela música “Tud manera e ba dvagar”, na voz de Nancy Vieira, o Cruzeiros levou mais uma vez a crítica social à cidade, atiçando as pessoas a reflectir sobre os males sociais. Uma crítica bem explícita nos três andores, que se destacavam por ser enigmáticos e ao mesmo tempo provocadores.

Após o Cruzeiros, entrou Vindos do Oriente, o campeão em título. Com o enredo “África, a mãe da humanidade” e um abre-alas deslumbrante, qual guerreiros de uma tribo africana, o grupo de “Dona Lili” fez uma entrada imponente que contagiou a Rua de Lisboa. Além do brilho característico dos trajes, o grupo “oriental” apostou também na inovação das indumentárias com apliques de tecido africano, linhas de cisal usado pelos mandingas e outros materiais do continente negro. A par disso, a majestosidade dos carros alegóricos desenhados pelo Carnavalesco Manú Rasta em parceria com o brasileiro Cláudio Miranda veio mostrar a pretensão do Vindos do Oriente de revalidar o troféu.

Flores do Mindelo foi o último grupo a desfilar, mas não gorou as expectativas e esteve de longe muito melhor do que o ano passado. Com um enredo inspirado nas “Brincadeiras d´Outrora” e a música do percussionista Vady, a agremiação de “Dona Ana” encantou com a sua música, batucada e o “bom vibe” dos seus figurantes. Os andores, tal como o enredo, levaram o público a viajar no tempo, trazendo o saudosismo de uma época em que meninos e meninas brincavam juntos, num contacto social que hoje em dia foi “quebrado” pelas tecnologias.

Esta quarta-feira às 15 h30 haverá apuração dos vencedores. Este ano, de acordo com o novo regulamento, os quesitos a serem avaliados pelo júri técnico são bateria, música, harmonia, evolução, enredo, carros alegóricos e adereços, fantasias , mestre sala e porta-bandeira e comissão de frente. O Rei, a Rainha e a Rainha de Bateria não contam para a classificação geral dos grupos, ou seja são itens individuais que não interferem na permeação das agremiações. O certo é que, pelo desfile, o corpo de jurados, que este ano foi constituído por pessoas que trabalham nas diversas formas de arte, terá muito trabalho para decidir quem será o vencedor do Carnaval do Mindelo 2018.

Carina David

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