“Histeria” outra vez na escola Jorge Barbosa: “Se ‘n ka isdal ele ka ta bai”

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A histeria voltou a tomar conta da escola Jorge Barbosa na tarde de ontem, com um número indeterminado de alunas a sofrer crises de choro e desmaios idênticos aos casos registados nesse estabelecimento dois dias antes, dentro e fora das salas de aula. Bombeiros, militares e agentes da PN foram chamados ao local para tentar manter a ordem e ajudar a controlar o ambiente social e as vítimas que, tal como sucedido anteontem, esperneavam com uma força fora do normal, enquanto emitiam gritos profundos e diziam frases sem nexo. Era visível a dificuldade que colegas e um militar mostravam em acalmar e dominar a força física de uma estudante que estava nitidamente perturbada.

“Se ‘n ka isdal ele ka ta largam”, dizia repetidamente a moça, que apresentava um semblante de quem estava a travar uma tremenda luta interna não se sabe contra “quê” ou “quem”. O certo é que, apesar de aparentar estar profundamente cansada, sempre que gritava “olil ta bem” (ele está vindo) voltava a entrar em crise: aumentava a intensidade dos gritos e a própria força física, a ponto de três pessoas sentirem dificuldades em controlar o movimento ondulatório do seu corpo.

Esta é a terceira vez em três dias que esse fenómeno manifesta-se na escola Jorge Barbosa, em S. Vicente. “Acabei de chegar e deparei com uma estudante completamente descontrolada. Sinceramente ainda não sei bem o que dizer. Vou inteirar-me do sucedido e veremos que medidas podem ser tomadas de imediato”, estas foram as primeiras palavras da Delegada Escolar de S. Vicente, que foi chamada ao local para testemunhar as ocorrências e reunir-se com a direcção do estabelecimento de ensino secundário. Segundo Helena Andrade, neste momento está a ser providenciado apoio de psicólogos que trabalham com a escola.

Este acontecimento anda a deixar os estudantes perplexos, muito por causa das situações que testemunham. Segundo Leonardo Gomes, aluno do 11º ano, já viu cenas que ele considera difícil de serem explicadas. Por exemplo ver a força extraordinária que moças franzinas apresentam nos estágios de agitação. “Acho que a maioria das crises é verdadeira, ou seja não é fingimento. Agora, acredito também que algumas estudantes são atingidas porque entram em pânico com aquilo que presenciam”, comenta, para quem algo inexplicável está sucedendo.

Para Dario Andrade a escola poderia pedir ajuda espiritual à Igreja ou a Casas Espíritas para “benzer” a escola. “Estamos perante uma stuação fora do normal. E se isso continuar, os alunos ficam com medo de vir às aulas e não têm rendimento escolar. Podem até pedir transferência para outro estabelecimento”, frisa este estudante, que pede medidas urgentes antes que algo pior aconteça. Como Andrade diz, uma das alunas afectadas pode saltar do primeiro ou segundo piso ou então atacar alguém, tal é o estado de descontrolo que apresentam. “Anteontem vi uma miúda correr e embater numa protecção metálica. Ela poderia ficar muito magoada”, reforça Leonardo Gomes.

Catline Simone, uma estudante da Escola Académica, ficou incrédula com as cenas que presenciou ontem à tarde à porta do estabelecimento de ensino. Como confessa, quando ouviu os relatos pela primeira vez não acreditou que tudo isso fosse verdade. Foi preciso ver com os próprio olhos. “Estou perplexa, espantada com aquilo que vi. Algo muito grave está acontecendo. É impressionante ver como gritam, contorcem o corpo, como se estivessem a sofrer um ataque de epilepsia”, frisa essa jovem de 21 anos de idade e que ficou ainda mais impressionada e preocupada com o facto de a maioria das vítimas serem mulheres.

Quem também está assustada com esses episódios é Sheila Duarte, mãe de uma aluna da referida escola e que já sofreu dois ataques consecutivos. A filha está em estado de transe desde anteontem, sem falar com ninguém e, como diz, nunca viu a menina nesse estado de espírito. “Ela sempre teve um comportamento normal, só aqui na escola é que passou por esta crise”, assegura a encarregada de educação ao mesmo tempo que segurava a menina. Há dois dias que a filha nega falar, mantendo-se num estado de letargia e olhar compenetrado, o que a deixa ainda mais angustiada.

Kim-Zé Brito

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