Hotel Avenida Marginal: Arquitectos questionam mudança do projecto

Um grupo de arquitectos está a questionar a decisão da Câmara de São Vicente (CMSV) de dar aval à empresa Spencer Construções e Imobiliária para erguer um hotel onde se encontra o edifício do ex-Consulado Inglês. Hugo da Cunha, António Jorge Delgado e Manuela dos Santos Cunha afirmam que antes do projecto da Spencer Construções já tinham elaborado outro a pedido da ex-edil Isaura Gomes para construir uma Cinemateca no espaço.

Foi uma encomenda da Câmara Municipal de S.Vicente (CMSV) dirigida, na altura, pela Isaura Gomes. O projecto foi aceite e apresentado ao Público no dia do Município pela própria Câmara Municipal, em 2009. Foi igualmente publicada na Revista Portuguesa PEDRA & CAL”, adianta Hugo Cunha.

Conforme este projectista, além da Cinemateca, o programa contemplava também um amplo espaço de arquivo audiovisual, um laboratório, um auditório e um espaço para exposições. Tudo isso com os necessários serviços de apoio, designadamente, área administrativa e um restaurante-bar.

Ainda de acordo com Hugo Cunha, o edifíco ocuparia sempre o lugar central no projecto e seria objecto de uma intervenção criteriosa com vista à sua recuperação. “Isto quer dizer que tudo o que fosse acrescentado ou modificado teria que se subordinar ao edifício existente. Portanto, qualquer intervenção que venha a roubar o primeiro plano dele, salvo melhor opinião, vai contra os princípios de salvaguarda de uma construção com valor histórico do edifício em discussão.”

Entretanto Augusto Neves, presidente da Câmara Municipal de São Vicente e que tutela o pelouro do Urbanismo, justifica que a CMSV escolheu o projecto da Spencer Construções porque não tem disponibilidade financeira para executar o da mediateca. “Enquanto que a construção do Hotel Avenida vai ser da responsabilidade na Spencer Construções – que está a construir na Praia, já construiu na Ribeira Grande e no Paul, porque tem linha de crédito para isso -, o outro projecto era para a Câmara de S. Vicente se desenrascar. Ou seja, nós é que íamos correr atrás do financiamento. Portanto, são duas coisas diferentes. O projecto da Spencer foi avaliado com nota positiva pela ex-Curadora do Mindelo, Marina Ramos”, avança o edil, realçando que o arranque das obras da construção do Hotel está atrasado porque a CMSV está a planear evacuar os familiares do artesão e humorista Tito, que ainda residem no local. Por outro lado, o Gabinete Técnico ainda está a fazer uma análise detalhada do projecto.

Empreiteiro garante arranque de obras em Março

As obras do Hotel Avenida Marginal deverão arrancar em Março, garante João Spencer, administrador-executivo da Spencer Construções e Imobiliária. Spencer explica que neste momento o projecto está em fase de aprovação no Gabinete Técnico da Câmara Municipal de São Vicente, que já deu aval à parte da arquitectura, faltando apenas a questão da estabilidade. “Foi aprovado na semana passada, passou pelo crivo da Assembleia Municipal, mas ainda não estou com o projecto em mão. No entanto, foi uma aprovação genérica porque faltava a parte técnica que deveria ser avaliada pela CMSV, por isso tivemos todo esse atraso. Dentro de dias o Gabinete Técnico vai aprovar a estrutura, ou seja o Plano de Estabilidade. Contamos arrancar em Março, altura em que pensamos ter toda a documentação técnica”, afirma João Spencer.

A unidade Hoteleira vai ocupar uma área de 1.230 metros quadrados e terá 55 quartos. Será construída de forma a preservar o traço original do edifício histórico e em harmonia com a arquitectura moderna. O empreendimento estará dividido em dois conjuntos. “O primeiro, que fica na parte de baixo, terá um restaurante com capacidade para 100 pessoas sentadas. Terá ainda um passeio em forma de calçadão, que estabelece uma ligação com a Avenida Marginal, passando pelo edifício histórico da Agência Marítima e Portuária (AMP) até à Praça da Lajinha. Já o segundo conjunto é formado por três edifícios e contempla os 55 quartos do hotel, um jardim frontal, entre outros espaços.

O prazo de execução da obra é de dois anos, dos quais oito meses serão dedicados à parte da construção do edifício. Os restantes meses serão para a instalação de equipamentos e formação do pessoal que irá trabalhar no empreendimento. Depois de concluído, o hotel vai gerar 40 postos de trabalhos directos e será explorada pela “Spencer Turismo.” A obra estava orçada em 150 mil contos mas, conforme João Spencer, o custo do projecto vai aumentar ainda mais devido a algumas alterações.

 

 

1 COMENTÁRIO

  1. Outro projecto, a CM é que teria que correr atraz do financiamento? Isso demonstra a preguiça intelectual, e inérvia de quase todas as CM. Ficam sentados a espera que algo caia do ceu ( governo ” nosso dinheiro ” ). E já agora com o projecto da SC, concerteza alguém vai embolsar qq coisinha, ô nô?

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