JMN agradavelmente surpreendido com o interesse dos jovens em discutir democracia e política

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O presidente da Fundação José Maria Neves para a Governança mostrou-se agradavelmente surpreendido com o interesse em discutir a democracia, a política em Cabo Verde e o futuro durante uma conversa sob o lema “Cabo verde 1990/2020 – Desafios e perspectivas”. Esta foi a sua resposta à imprensa depois de mais de uma hora a responder as questões dos alunos da Escola Secundaria José Augusto Pinto em São Vicente, no quadro de um projecto do Núcleo das Ciências Humanas daquela instituição de ensino que propõe levar figuras ilustres para dialogar com os discentes em datas relevantes, designadamente 13 e 20 de Janeiro, de entre outros.

“Há muitas incertezas. Os jovens têm uma expectativa muito grande em relação ao futuro e estão muito interessados em debater os caminhos que poderão levar ao crescimento da economia de Cabo Verde, mais emprego, menos pobreza e desigualdades. Mas, mais importante que isso, sente-se um empenho e um engajamento cívico destes jovens em aprender mais sobre o país e contribuir para uma discussão sobre o seu futuro nos diferentes domínios”, afirmou.

Quanto à alegada crise da democracia e sobre fraco envolvimento dos jovens, assunto polémico da vez, optou por desdramatizar.  Para JMN, Cabo Verde não vive nenhuma crise de democracia. Ao contrario, o Estado de Direito está a consolidar-se. Os partidos políticos, os sindicatos, o poder local, as igrejas e os cidadãos estão a cumprir o seu papel, pelo que não vale a pena importar categorias e analises de outros países. Já em relação aos jovens, é preciso despertar de novo o seu interesse para a política. “Há interesse e há empenhamento. Se conseguirmos identificar, juntamente, as causas, podemos arrepiar os jovens e trazê-los para a política. Nos momentos de grandes desafios os jovens estiveram na linha da frente. Conseguem mobiliar-se, entusiasmar-se e engajar-se. Cito o momento da independência e  da transição democrática. Agora o principal desafio é o desenvolvimento sustentável”, pontuou o antigo PM, para quem, antes de mais nada, é preciso dialogar e motivar os jovens.

Neves admite, no entanto, alguma crise nas instituições de intermediação entre o Estado e a sociedade e entre o Estado e os cidadãos, e ainda alguma crise política. Sobre este último, desafia os políticos a encontrarem novas formas de fazer política, de estabelecer compromissos e acordos e de construir consensos, tendo em conta o bem comum. “É preciso mobilizar os jovens com uma grande abertura de espirito, perspectivando a nobreza da política estribada em causas para que este empenhamento cívico possa revelar-se e voltarem a interessar-se pela política.” 

Agenda de Transformação

Instado a precisar a sua afirmação, durante a conversa com os alunos, de que a Agenda de Transformação de Cabo Verde continua a ser implementada, este explicou que a visão estratégica e as principais ideias são as mesmas, facto que considera positivo. “Há um grande consenso nacional sobre os objectivos e sobre os eixos de transformação estrutural da nossa economia. Há sim discursos, narrativas e denominações diferentes. Eventualmente, há caminhos e ritmos diferentes também mas, globalmente, os cabo-verdianos, as instituições e os partidos revelam uma grande plataforma de entendimento em relação ao desenvolvimento do país.”

Relativamente aos desafios e soluções para os problemas que afectam o país, entre os quais o desemprego elevado, o presidente da Fundação José Maria Neves garantiu que Cabo Verde tem de continuar a crescer, e crescer a um ritmo acelerado. Lembrou que as bases já existem, agora e engajar-se num ritmo de crescimento mais inclusivo, gerador de trabalho decente e de rendimento, que permita combater a pobreza e as desigualdades. Aqui, disse, o papel da população continua a ser relevante, lembrando que Cabo Verde é hoje o que é graças a resiliência das suas gentes. Defendeu ainda a qualidade do ensino como sendo uma questão fulcral porque tem a ver com o emprego. Falou ainda dos ganhos e das oportunidades para os jovens, que o país oferece. Lembrou no entanto que o país tem pela frente um grande desafio do crescimento económico.

Durante a conversa com os alunos, JMN descreveu o seu percurso politico e os 15 anos do seu governo. Falou da Morna Património da Humanidade e do papel dos jovens e da fundação criada após deixar o Governo. Respondeu a todas as questões com riqueza de detalhes, aproveitando para manter alguns recados para “gente deslumbrada”. Sobre Morna destacou o papel de Cesária Évora que, a seu ver, não há dinheiro que chegue para pagar. Alias, frisou, se a Morna chegou onde está foi porque a Cesária levou-a ao mundo. Agora é hora de trazer  para Cabo Verde gente do mundo para prestigiar a Morna. 

Optimista, deixou claro que acredita quem em 2030, Cabo Verde será um país desenvolvido, desde que se continua a trabalhar e a construir compromissos e consensos e a realizar a transformação estrutural da economia. Sobre uma possível candidatura a Presidente da República, diz que o momento não é oportuno, até porque falta cerca de dois anos para o pleito. Mas não fecha a porta, optando por dizer que  um projecto presidencial vai depender das circunstancias políticas.

Na tarde desta quarta-feira José Maria Neves profere a conferência “Governança e Liderança” para universitários o Campus da Universidade de Cabo Verde em São Vicente.

Constânça de Pina

1 COMENTÁRIO

  1. …”dos jovens ” !!?? A julgar pelas fotos dos participantes não parece . . salvo que este-se referendo aos jovens que comandam a CC/Sotavento .

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