José Luís Neves busca fundamentos da “Ciência Económica” para defender voos internacionais de/para São Vicente

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O Secretário-Geral da Câmara do Comércio de Sotavento, José Luís Neves, recorreu aos fundamentos da Ciência Económica para contrariar a afirmação do Primeiro-ministro de que os voos internacionais de e para São Vicente não são um assunto de foro político e nem administrativo, pelo que a reposição das ligações está fora da alçada do Governo. Numa publicação sobre este tema que domina a pauta nacional, Neves diz a intervenção do Estado na economia deve ser justificada com falhas e imperfeições do mercado. Num outro post, o especialista em segurança aérea, Américo Medina, recorreu à estatística para mostrar que, ao contrário da ideia que se quer passar de que o Aeroporto Cesária Évora é deficitário, foi a infraestrutura aeroportuária nacional a registar o maior crescimento de tráfego internacional.

Segundo Neves, volvidos três anos sobre o início do mandato, Ulisses Correia e Silva surpreendeu os cabo-verdianos com a afirmação forte de que os voos internacionais de e para São Vicente, e já agora também para Praia, é uma questão do mercado, isto é, não é nada com ele e nem com o seu Governo. “Julgamos que, ao proferir tais palavras, o Chefe de Governo exprime de forma peremptória qual é a sua visão sobre o papel do Estado numa economia moderna e mista, isto é, o seu papel, as suas funções e responsabilidades enquanto Governo da República. Estamos, pois, ante uma questão de fundo. A nossa visão é quase que diametralmente oposta ao do Chefe do Governo sobre o papel que o Estado deve ter numa pequena economia aberta, insular, fragmentado, vulnerável e frágil, que nem o nosso, com grandes assimetrias regionais e desigualdades sociais”, escreve.

Indo mais além, este recorre aos fundamentos da Ciência Económica, sua área de formação, para dizer que a intervenção do Estado na economia tem a ver com as falhas e as imperfeições do mercado, designadamente com a necessidade da provisão e da produção de bens públicos, a existência de monopólios naturais, a necessidade da correção de externalidades (positivas e negativas), a existência de assimetrias e deficiências na informação acessível aos agentes económicos, casos específicos de risco e incerteza, problemas de concorrência imperfeita e custos de ajustamentos. Neste sentido, é seu entendimento que num pequeno Estado insular em desenvolvimento, um país de rendimento médio-baixo como Cabo Verde, no estádio de crescimento e de desenvolvimento em que se encontra, parece óbvio que as falhas e as imperfeições do mercado são maiores e, por isso, a necessidade da intervenção do Estado/Governo se coloca com mais acuidade por um imperativo fundamental: o interesse público.

“Se tratarmos a questão das ligações aéreas e marítimas como um assunto exclusivamente do mercado, as quantidades desses bens produzidos pelo mercado serão sub-óptimos e os preços praticados muito superiores aos normais, com efeitos nefastos a nível da circulação de pessoas e bens, da unicidade do território, do ambiente de negócios e do desempenho da economia”, argumenta, citando como exemplo os preços e a quantidade de voos praticados neste momento para os aeroportos da Praia e do Mindelo com a retirada da “TACV Internacional” dessas rotas, para concluir que a cessação da “TACV Doméstica” poderá ser o maior erro estratégico já cometido por Cabo Verde.

Falsa questão

O post de José Luís Neves surge dias depois de o especialista em segurança aérea Américo Medina ter também comentado a polémica ausência dos voos da CV Airlines do aeroporto de S. Vicente e a posição de Ulisses Correia e Silva sobre essa matéria. Na sua publicação, Medina refuta também a tese de que esta é uma decisão ditada pelo mercado. Pede, por isso, a “despolitização do mercado”, referindo que, pelos vistos, este só existe na cabeça “politizada” da TAP, que insiste em manter São Vicente e Santo Antão na sua programação. Esse ex-especialista da ASA recorre à estatística para mostrar que o Aeroporto Cesária Évora é, sim, rentável. “Em 2015, os aeroportos de Cabo Verde movimentaram perto de dois milhões de passageiros. O AICE movimentou 208.610 passageiros, sendo o que mais cresceu em termos de tráfego internacional, com 10,5%, contra 1,4% do Sal, 1,7% da Praia e -1,3% da Boa Vista”, especifica.

Estes não são, no entanto, dados que surgiram por acaso. De acordo com essa fonte, de 2013 a 2015 o aeroporto já vinha registando movimentos internacionais crescentes: 2,7% em 2014 e 9,3% em 2015, superando a própria média mundial e nacional. No verão de 2015, o crescimento atingiu os 22,6%, confirmando a tendência crescente. “Em 2015, a quota de mercado da TAP no AICE era de 52%, da TACV 40,7% e da Transâvia, Whiteairways e outras companhias 7,3%”, assegura.

E contra todas as previsões, conclui, no mesmo ano a TAP decidiu aumentar em 36,9% os seus movimentos no AICE, ou seja, fazendo “política” em vez de “negócio”. Já a TACV, que transportava cerca de 800 toneladas de carga em média, recuou. Estes são, segundo ele, verdades irrefutáveis que precisam ser conhecidas e que o levam a desafiar as pessoas a mostrarem no próximo dia 16 a sua indignação e a lutar por esta causa de todos, numa referência ao protesto popular agendado para essa data.

Constânça de Pina

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6 COMENTÁRIOS

  1. Mais de uma decada na mama como administrador de ASA e Americo txá de ser policia politica pa ser especialista em aeronautica.
    Terra ca ta prop bom!!!

    • Sr. Americo Medina é da kej pouco pessoa na Cabo Verde k um formação tão especializot na área aeronáutica, dos poucos com um MBA (se no caso bo souber é quê), e durante tudo esse tempo k bo tt dze kel tive na ASA, nunca ASA tive tão saúde moda na seh época, uma empresa estável e credível em todos os sentidos, né moda agora k ASA na espaço de tão pouco já troca de administradores moda gent t troca de cueca… a competência não para todos, só pá quem tá pode

  2. Godzilla e Alexis Silva. Dois dos muitos ignorantes sem nivel que vivem so para promover discordias porque nao tem mais nada que fazer na vida. Devem ser dois boca de garrafa. Procurem ser gente primeiro e depois tentem falar alguma coisa de jeito.

  3. kkkk. Só fantochada! Basta tirarem fotos nos dias dos voos da TAP para verem se há passageiros para encher um A319, quanto mais um B757! Esse ajudante de economista deveria mostrar a taxa de ocupação dos voos de e para SV, de 2015 a 2017 e não nos anos em que começaram os voos internacionais!

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