Jovem faz sucesso com chinelos customizados com estampas de Cabo Verde

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A jovem mindelense Viviana Lima, formada em Administração de Empresas no Brasil, está a fintar o desemprego com um projecto inovador: confecção de chinelos customizados com imagens de marca das ilhas. Com este propósito, criou a empresa “Criolinhas Produção e Comercialização de Chinelos e Acessórios” e, com apenas duas semanas de produção – ainda em fase de testes -, o trabalho desta jovem empreendedora começa a ser reconhecido em São Vicente e noutras ilhas, caso da Boa Vista e Santiago.

A dificuldade em conseguir emprego em Cabo Verde após a conclusão da licenciatura, em 2013, levou Viviana Lima à Angola, onde trabalhou por dois anos. “Regressei a Cabo Verde em Dezembro de 2016, mas não estava disposta a continuar a enviar curriculum e a participar em concursos, sem perspectiva de emprego. Por isso pensei durante algum tempo no que poderia fazer. Surgiu-me a ideia de apostar em alguma coisa nova. Pesquisei e decidi produzir chinelos, algo que vi muitas pessoas fazerem no Brasil durante o meu tempo de estudante”, revela a jovem empreendedora, que fez um projecto e iniciou as démarches para criar a empresa. Paralelamente, começou a procurar um espaço para montar a unidade de produção e logo em Março accionou o processo de importação dos produtos e equipamentos. A 27 de Junho, conta, colocou as máquinas em funcionamento, ainda a título experimental.

Todos os materiais e as máquinas foram adquiridos no Brasil. Um processo que, diz a nossa entrevistada, demorou pelo menos três meses, entre negociação com os fornecedores e compra de matéria-prima e equipamentos. Mesmo assim essa jovem não se deixou abater e manteve o seu foco que era apostar em produtos de qualidade. “Estamos com apenas duas semanas de produção e o nosso trabalho já começa a ser reconhecido. Importamos placas de espumas de grandes dimensões e várias máquinas. É em São Vicente que fazemos o processo de corte, colocação de tiras e estampas”, explica.

As imagens utilizadas nas estampas são cedidas por amigos ou então trabalhadas em computador. O resultado está a ser divulgado nas redes sociais e a reacção das pessoas é positiva. Os comentários e gostos começaram a se traduzir em pedidos individuais e encomendas. “Por estes dias temos recebido muitos pedidos de chinelos com a temática Cabo Verde. As pessoas preferem os com imagens que identificam as ilhas, como por exemplo o Monte Cara de São Vicente, as Salinas de Pedra Lume no Sal, Ribeira Grande de Santo Antão, entre outros”, explica Viviana Lima, realçando que as fotos são transferidas para os chinelos através de um processo denominado sublimação. “Utilizamos uma tinta especial. As imagens são prensadas e transferidas para os chinelos, com ajuda de uma máquina”, acrescenta.

Nesta fase, esta pequena unidade de produção que emprega três pessoas – incluindo a sócia-gerente -, está a produzir chinelos com números que vão de 35 a 45. Isto porque, explica Viviana, as máquinas adquiridas no Brasil vieram com as suas facas de corte. No entanto, pretende já na próxima importação trazer facas de corte mais pequenas, que vão permitir a esta empresa confeccionar chinelos também para crianças. Quando isso acontecer, e se a demanda justificar, a Criolinhas Produção e Comercialização de Chinelos e Acessórios poderá contratar mais trabalhadores. “Por enquanto, os três – eu e mais duas contratadas – estamos a conseguir dar conta do recado”, assegura.

Sobre os recursos, Viviana Lima prefere dizer que fez um “investimento médio”, felizmente sem recurso a crédito bancário, o que poderia atrasar ainda mais o arranque dos trabalhos e trazer mais compromissos nesta fase inicial. Também por isso esta empreendedora optou por afastar-se do centro da cidade, onde os espaços são mais caros. Segundo Viviana, o local onde está vai funcionar apenas como unidade de produção. “A nossa produção vai estar visível nas lojas em São Vicente e noutras ilhas. Neste momento já estamos a negociar com um representante na ilha da Boa Vista e um outro em Santiago, sendo que este pretende adquirir alguma quantidade e depois fazer a distribuição interna”, explica.

Apesar do mercado estar inundado de chinelos e a preços muito baixos, sobretudo nas lojas chinesas, a nossa entrevistada acredita que o seu produto vai ter boa saída por causa da qualidade. “Vamos arriscar porque estamos confiantes. Não estamos a fazer um produto demasiado caro, mas também não será barato porque temos de valorizar aquilo que é nosso. É por isso que estamos a investir nos temas de Cabo Verde, nas paisagens, na nossa cultura e em outros. Queremos oferecer um produto diferenciado”, afirma, reforçando que os seus chinelos são 100% produzidos em São Vicente, numa pequena unidade na Ribeira de Julião e tem uma garantia de qualidade de seis meses a um ano.

Constança de Pina

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