Julgamento da operação zorro prossegue com audição de testemunhas

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O julgamento da Operação Zorro continuou esta terça-feira,13, com a audição de testemunhas residentes em Cabo Verde e de pessoas que chegaram do Brasil para depor neste processo, resultante da apreensão de 1.157 quilos de cocaína, escondidos na embarcação Rich Harvest em São Vicente, uma das maiores feitas na ilha do Porto Grande.

O empresário francês Thomas foi uma das testemunhas ouvidas hoje em sede de julgamento. O empresário contou, perante o tribunal de São Vicente, que deveria viajar no Rich Harvest,junto com o filho, a pedido do capitão do barco, mas não chegou embarcou porque tinha uma outra deslocação marcada para as ilhas balneares 15 dias depois e já estava com a documentação pronta. Perante o tribunal, Thomas manifestou-se satisfeito pela decisão, porque conforme disse, se viajasse ele também estaria preso junto com o filho.

Quem também foi ouvido foi Arturo Justici, dono de uma escola náutica em Ilhabela, São Paulo. Arturo, que é oficial de marinha mercante, natural do Equador e que vive no Brasil há 15 anos,  disse que conheceu os arguidos Daniel Dantas, Rodrigo Dantas, Daniel Guerra em momentos diferentes, quando estes decidiram tirar o curso de Yacht Master.

O dono da escola náutica referiu que recebeu o anuncio da empresa Delivery Company a pedir dois velejadores com pouca experiência para fazer uma viajem de Salvador até os Açores e enviou o link para os alunos que considerava os melhores. Dias depois Daniel Guerra foi aceite e Rodrigo Dantas também. Já Daniel Dantas juntou-se a equipa mais tarde.

Arturo explicou que se tratou de um procedimento normal, isto é, empresas contratem pessoas para entregar barcos apenas para receber milhas náuticas, mas negou que conhecia a empresa Delivery Company e o dono do veleiro, Fox. Xontou ainda que se manteve em contacto com Daniel Guerra dando-lhes instruções até a chegada em Cabo Verde, altura em que o veleiro teve avarias mecânicos.

Segundo disse, pensava que já tinham resolvido o problema e viajado para os Açores. Só descobriu que os velejadores estavam presos em Cabo Verde, acusados de tráfico de droga, quando o pai do Rodrigo lhe contactou para pedir documentos que comprovassem que foram contratados apenas para levar o barco até aos Açores.

Ontem, durante o depoimento, a Polícia Judiciária cabo-verdiana referiu que foi muito difícil encontrar a droga no veleiro Rich Harvest, apesar de terem sido alertados uma semana antes por “ fontes fidedignas” que o barco chegaria a Mindelo com cocaína. Foram precisas, segundo a PJ, sete horas de busca dentro do barco para aceder a droga, que estava bem acondicionada. Primeiro, removeram um tanque de água de fibra de 600 litros que estava debaixo de um colchão, um soalho de madeira e outro de ferro para se chegar ao depósito com a droga, junto ao casco do navio iate.

Recorda-se que  o  Ministério Público acusa os quatro tripulantes do veleiro Rich Harvest – os brasileiros Daniel Guerra , Daniel Dantas, Rodrigos Dantas e  o francês Christian Olivier – de tráfico de droga de alto risco agravado e de associação criminosa.

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