Juventude em Marcha estreia 26ª produção nas “bodas de prata” do Mindelact

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O grupo Juventude em Marcha do Porto Novo vai estrear a sua 26ª produção no Festival Internacional de Teatro Mindelact. Trata-se da peça “Os vivos, o morto e o peixe frito”, uma adaptação do texto original do escritor angolano Ondjaki, com encenação e direcção de Jorge Martins. Mas antes do grupo apresentará este sábado, na reinauguração do Anfiteatro José Cabral nos Espargos, ilha do Sal, a peça “Quotidiano II”.

Ao Mindelinste, Jorge Martins explica que, depois de uma longa ausência devido a questões de agenda, o Juventude em Marcha volta ao Mindelact, com a responsabilidade de encerrar este que é o maior festival de teatro da África Ocidental, no Palco 1, no Centro Cultural do Mindelo, nos seus 25 anos. “Estamos muitos satisfeitos porque, finalmente, vamos voltar a apresentar no Mindelact graças a mudança da data do evento, e com uma peça de um escritor angolano de renome e premiado. Fiquei encantado com a forma de escrita do Ondjaki e pedi-lhe autorização para trabalhar o seu texto. Felizmente, ele aceitou e nos deu carta-branca”, revela Martins. 

Apesar da longa experiência, este actor e encenador mostra-se expectante, tendo em conta que é a primeira vez que o grupo coloca em cena um texto de um escritor estrangeiro. “Resolvemos arriscar. Já fizemos adaptações de autores nacionais, nomeadamente de Baltazar Lopes e Manuel Lopes, mas este e um texto que tem muito a ver com Cabo Verde. Trata-se de uma comédia que fala de uma situação familiar em que a filha fica gravida do namorado e este é chamado a capitulo pelos familiares da menina para assumir as suas responsabilidades”, explica Martins, para quem esta realidade é em tudo idêntica a algumas vividas aqui em Cabo Verde.

Esta estórea é contada por um elenco de 12 actores: Jorge Martins, César Lélis, Olga Fortes, João Neves, Nair Almeida, Hugo Fortes, Manuel Lima, Adalgisa Santos, Zenilda Pires, Leticia Barbosa, Manuel Rodrigues e Amadeu Morais. A sonoplastia está a cargo de Sidnei Soares, a cenografia e assinada por Jorge Martins e César Lélis, o guarda-roupa por Nair Almeida e Olga Fortes, sendo que esta ultima também faz a maquilhagem. 

Jorge Martins destaca a inclusão de novos elementos, que também vão estrear no Juventude em Marcha com um espetáculo desta envergadura e no Mindelact. “São actores que vieram de uma formação que ministramos na cidade do Porto Novo em que os melhores foram premiados com um teste para ver a possibilidade de ingressarem no grupo. Estamos a iniciar uma renovação do JM, tendo em conta que os membros fundadores já atingiram uma certa idade”, diz o entrevistado. “Mas vamos manter a nossa linha de humor e de interacção com o publico, que nos caracteriza. Temos a satisfação de alegrar a nós mesmos e o nosso publico, que faz questão de nos alertar para não perdermos a nossa linha. Este sempre nos diz que gosta de rir das peripécias que fazemos no palco. Temos de respeitar.”

Peso da idade

Questionado se começa a sentir o peso da idade, Jorge Martins garante que apenas quando encontra pessoas com 30 ou 40 anos que dizem que cresceram com o grupo é que percebem que o tempo passou. Mas continua a fazer teatro com a mesma paixão e energia. “O prazer é cada vez mais redobrado porque somos acarinhados. A nossa motivação é este publico, tanto em Cabo Verde como na diáspora, que nos mostra sempre muito amor. Se fosse por dinheiro, creio que todos nós tínhamos desistido”, diz este actor, que aproveita para criticar as instituições que patrocinam “amigos” em detrimento do trabalho desenvolvido por verdadeiros artistas. 

No entanto, apesar de alguma frustração, Martins afirma que a cultura cabo-verdiana fala sempre mais alto e o grupo vai continuar a fazer teatro e a divertir as pessoas. “Ainda temos muito para dar”, finaliza.  

Constança de Pina 

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3 COMENTÁRIOS

  1. Como ninguém é eterno, esta amizade entre o Mindelact e o Juventude em Marcha deve manter-se para além das gerações.
    Deve renovar-se com a renovação das pessoas.

  2. Aliás, somos também fundadores do Mindelact. Non tem ondé ptel!
    É sempre um prazer e uma honra estar no Mindelact com uma estreia. Só que estas produções, as vezes, são custosas e os meios são escassos. Mas com coragem e amor por aquilo que fazemos, sempre que possível, daremos a nossa colaboração. O relacionamento com o Mibdelact é excelente e sentimos que é um patrimônio que junto edificamos!
    Sucessos e longa vida e saúde ao Mindelact!!!

  3. S.Vicente love juventude em marcha.
    Por isso, o recíproco tembém é verdadeiro:
    É também sempre um prazer e uma honra ter o Juventude em marcha em S.Vicente, como também ter os elementos do juventude em marcha em S.Vicente.

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