Karatecas campeões excluídos dos JAJ: Pais pedem explicação à FCK sobre critérios de selecção

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Os pais dos karatecas Renato Rodrigues, Mauro Soares e Silviane Mendes querem saber por que motivo esses jovens campeões ficaram arredados da selecção de Cabo Verde que vai disputar os Jogos Africanos da Juventude, no mês de Julho na Argélia. Como dizem, Renato e Silviane detêm os títulos nacionais de Kata, enquanto Mauro é vice-campeão de Cabo Verde, pelo que gostariam de obter uma explicação convincente da Associação de Karaté de S. Vicente e da própria federação sobre os critérios de escolha.

“Estamos a falar de três adolescentes que se dedicam de corpo e alma ao Karaté ao longo de todo o ano. Não treinam apenas para as competições, porque o Karaté faz parte diária da vida deles. Ganham o nacional nas respectivas categorias e entretanto ficam de fora da selecção de Cabo Verde que vai para os Jogos Africanos da Juventude. Acho que merecem uma explicação”, comenta Ana “Polibel” Rodrigues, mãe de Renato Rodrigues, jovem de 17 anos detentor do título de campeão de Cabo Verde em Kata.

Essa exclusão, segundo Rodrigues, deixou os atletas frustrados e levou os pais a agir para apurar as razões que estão na base da decisão do selecionador da FCK. Para o efeito, os pais enviaram um email ao Comité Olímpico Cabo-verdiano, mas, segundo Rodrigues, foram informados de que o assunto deveria ser tratado com a federação, o que tentaram fazer. Por seu lado, a FCK disse-lhes que o organismo indicado para exporem essa questão era a associação de S. Vicente. Esta, por sua vez, deixou claro que só trata esse género de casos com as escolas. “Portanto, teríamos que seguir uma hierarquia, o que tentamos fazer, mas sem sucesso ainda. Até agora desconhecemos os critérios que estiveram na base da selecção, apesar dos emails enviados ao COC, à FCK e à AKSV”, frisa Ana Rodrigues, uma mãe inconformada e que tem usado o Facebook para divulgar o caso. Há duas semanas publicou uma foto do seu filho e perguntava como era possível um atleta que foi campeão regional e nacional em 2016 e 2017, em Katá e Kumité, não integrar o combinado nacional que vai para os Jogos Africanos.

Para Rodrigues e os outros pais, o que está em causa é também o sonho olímpico desses atletas. É que o campeonato africano da juventude dá acesso aos Jogos Olímpicos da Juventude, que acontecem em 2019 na Argentina. Por mais esta razão decidiram convocar a imprensa esta terça-feira para falarem do assunto, já que, na perspectiva dos pais, podem estar em causa valores como a transparência e o reconhecimento do mérito.

Selecção de Kumité, não de Kata

Cabo Verde, segundo o presidente da AKSV e o selecionador da FCK, vai mandar para os Jogos Africanos da Juventude uma selecção de Kumité e não de Kata, sendo este um dos primeiros critérios que justificam a exclusão do trio de atletas mindelenses da equipa nacional. Como Dionísio Conceição e Victor Marques explicam, foi o próprio Comité Olímpico Cabo-verdiano que deu instruções à FCK para preparar uma equipa de Kumité. Desse modo, realça o próprio responsável da AKSV, os atletas mindelenses não poderiam integrar a comitiva, pelo simples facto de serem “especialistas” em Kata, que é uma categoria diferente.

“Logo, não se pode dizer que o Renato foi excluído, ele não foi convocado porque a selecção não é de Kata. Renato não chegou a competir em Kumité para poder ser escolhido”, realça Dionísio Conceição, para quem os pais desses atletas deveriam tentar informar-se melhor antes de começarem a agir. Ele que se sentiu desautorizado quando soube que enviaram emails ao COC e à FCK, sem antes falarem com as escolas e a AKSV. “Nós lidamos é com as escolas, pelo que deveriam colocar o caso à apreciação da escola dos seus filhos e caberia à escola falar com a associação. Até hoje não recebi nenhuma carta sobre essa matéria”, frisa Conceição, deixando claro que tanto Renato como Silviane são campeões nacionais de Kata.

Abordado por Mindelinsite, o seleccionador Victor Marques deixou claro que a escolha dos integrantes de uma selecção é da inteira responsabilidade e competência da equipa técnica da FCK, pelo que não tem a obrigação de dar explicações aos pais dos atletas sobre o assunto. Porém, decidiu mesmo assim falar para confirmar a versão sustentada pelo presidente da AKSV: a selecção é de Kumité, conforme indicação do COC, pelo que foram escolhidos os melhores karatecas dessa categoria.

“Devo realçar que é muito suspeito os pais questionarem as opções do seleccionador. Estes devem relacionar-se com os clubes e não confrontar directamente os organismos superiores”, sublinha Marques, realçando que ser campeão não dá a nenhum atleta o direito de integrar uma selecção. “Um atleta que se sagra campeão pela primeira vez não tem, por exemplo, a mesma experiência que outro que já competiu mais vezes numa prova nacional ou que já esteve na selecção”, compara.

Cinco atletas deverão fazer parte da selecção de Cabo Verde para os Jogos Africanos da Juventude: 2 masculinos e 3 femininos. Segundo Marques, a equipa nacional era para ser composta por quatro elementos, mas a FCK convenceu o COC a permitir a escolha de mais uma atleta feminina, neste caso com o intuito de possibilitar a sua preparação para os Jogos da Zona II.

Em princípio, os selecionados devem iniciar um estágio no início de Julho, na cidade da Praia. Mas, na perspectiva de Marques, essa concentração deveria ocorrer com mais tempo de antecedência para possibilitar uma melhor preparação da equipa. Devido a esses constrangimentos, o selecionador nacional tem dúvidas sobre a performance de Cabo Verde nos Jogos Africanos da Juventude, que acontecem na Argélia de 18 a 28 de Julho. A prova terá a participação de 54 países e abranger perto de 2500 atletas de 31 tipos de desportos.

Kim-zé Brito

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5 COMENTÁRIOS

  1. Eu quero saber porquê que a imprensa Nacional não quer indagar o porquê do boxe ter ficado fora dos JAJ.
    Eu estou em condições de vos dizer, já que ainda existe serviço teleguiados…

  2. Muita contradição e muita prepotência do selecionador. Tendencioso, pouco transparente e sem fair-play. É uma pena que uma modalidade tão nobre como o karatê esteja na mão de pessoas pessoa que escolhem sem nenhum critério objectivo.
    Não me vou calar! Irei mais longe podem crer!
    Suspeito é o que estão a fazer.

      • Deves ser um craque, detentor várias medalhas… daquelas que se obtem sem competir. Os resultados da participação deram razão a quem defendia a selecção dos campões. Aquele que se diz selecionador não merece respeito nem do parente que ele levou para competir e perdeu. Fraquinho fraquinho moda seh pai

  3. Há que conhecer os motivos, e, só depois emitir opiniões ou pareceres. Acho muito mau, uma consideração de natureza manifestada nesta coluna. Eu, por exemplo, mas também sem conhecer dos motivos, ponderei a possibilidade de se ter dado prioridade a outros atletas. Àqueles já estarão por demais motivados, e que decerto, não ficarão, imobilizados por isso. É minha opinião, somente, sendo que OPINIÃO é dizer algo sem saber o porquê. Luciano Barros.

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