“Kavala Fresk”: Festival pode abrir novas portas às relações com a Índia

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A diplomacia gastronómica do festival Kavala Fresk poderá abrir novas portas de cooperação entre Cabo Verde e Índia, agora nos domínios da cultura e da culinária, na perspectiva do embaixador indiano Rajeev Kumar. Presente ontem à noite na segunda edição do show cooking, o diplomata indiano não descarta a possibilidade de o seu país responder à cortesia da empresa Mariventos e convidar chefs de cozinha cabo-verdianos para eventos parecidos que costumam acontecer nesse país exótico da Ásia.

“Há boas perspectivas porque a vossa culinária é rica e acho que os indianos e os cabo-verdianos são muito parecidos. Todos gostamos de nos divertir e de apreciar o peixe. No entanto, ainda há um défice de conhecimento entre os dois povos. Quando fiz a proposta em Nova Deli para enviarmos dois chefs para o festival perguntaram-me logo onde fica Cabo Verde. Respondi-lhes que é um arquipélago lindo situado no oceano Atlântico”, conta Kumar, que ficou a par do festival Kavala Fresk durante o Carnaval deste ano, que fez questão de ver acompanhado da esposa, de nacionalidade brasileira. A sua presença foi aproveitada por Josina Freitas, uma das mentoras do “Kavala Fresk”, que solicitou os seus préstimos para o envio de pelo menos um especialista indiano para o evento.

Em vez de um, vieram dois Chefs da cidade de Nova Deli, que ontem serviram aos convidados do show cooking um prato de arroz e camarão, além de uma entrada. “Para nós é excelente participarmos num festival deste nível, numa terra rica em termos culturais. A cavala faz parte da nossa culinária, pois temos uma boa variedade de peixe na Índia”, frisa o Chef Guarav, que já conhecia Cabo Verde à distância como uma terra de “músicas maravilhosas”.

Os pratos apresentados por Macau tiveram como principais ingredientes o atum, a cavala, percebes e búzio comprados no Pelourim d’Pexe da cidade do Mindelo, mas confecionados com especiarias desse país, da Malásia e do Japão. O búzio e percebes, frisa David Wonk, são difíceis de encontrar no Macau e, quando aparecem, diz, os preços são proibitivos. Por isso ficou satisfeito com a possibilidade de trabalhar com essas “raridades”, assim como da experiência de participar no festival.

Marrocos apostou num cuscuz cremoso com peixe local como prato principal para agradar o paladar dos cabo-verdianos. Uma aposta ganha, até porque o Chef Tarik Benchalh já participou em mais de 30 festivais gastronómicos pelo mundo e conhece um pouco da cozinha cabo-verdiana. “Foi um grande prazer receber, que não podíamos recusar”, confessa o marroquino, que não está acostumado a cozinhar a cavala, mas salienta que no seu país costumam comer peixes similares.

Nesta segunda edição do show cooking os cozinheiros tiveram mais liberdade para a escolha da ementa e dos ingredientes. “Por isso foram ao mercado comprar aquilo que precisavam e criaram uma ementa com uma mistura dos nossos peixes e especiarias dos seus países, pois isto é que é a diplomacia gastronómica”, fundamenta Conceição Delgado, membro da organização. Segundo Delgado, o desafio lançado aos cinco Chefs internacionais é que fizessem 150 pratos para os 150 convidados dessa noite de verão, o que conseguiram.

Ciente de que depois de um bom almoço cai bem uma sobremesa, a organização decidiu este ano convidar um grupo de doceiras para expor as suas especialidades. Uma delas é Valentina Melício, que já conquistou o mercado mindelense com os seus doces de papaia ralado e em fatias. “Sabe sempre bem comer uma boa cavala e depois fazer a sobremesa com um doce de papaia, por isso, para mim, faz todo o sentido estarmos aqui neste evento”, comenta a doceira, que ficou feliz com o convite para mostrar as suas variedades de doces de papaia, a fruta principal dos seus produtos.

Kim-Zé Brito

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