Kiddye Bonz: De ovelha negra ao “estrelato”

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Dérik “Kiddye Bonz” Neves, 28 anos, cresceu no seio de uma família onde a música era presença constante. Muito cedo começou a dar os primeiros passos no rap. Em 2007, junto com alguns amigos, criou o grupo Mad Rappers com o intuito de ser “a voz da classe oprimida”. Alcançou vários feitos e abriu portas para outros jovens que queriam enredar-se pelo Rap Crioulo. Agora este jovem está focado em terminar os seus trabalhos discográficos e fazer do rap o seu ganha-pão.

– Por: Diego fortes

– Quando e como foi o teu primeiro contacto com a música?

– O meu primeiro contacto com a música foi dentro de casa com a minha família, que é uma formada por músicos. Mas a primeira vez que fiz música foi no ano 2000, com os Flautistas do Mindelo. Ganhámos o prémio revelação na gala Nôs Musika nesse ano.

– Porquê do rap? 

– Cresci no meio de músicas tradicionais. Digamos que me tornei na “ovelha negra” da família, pois me identificava mais com o rap. E neste estilo que me sento mais à vontade para expressar, para mostrar meu desagrado e dar voz àqueles que não tinham.

O rap influenciou toda a minha vida…”

– O Rap influenciou ou provocou alguma mudança na sua vida pessoal?

– Sim! O rap influenciou toda a minha vida. Foi com ele que descobri e construi a minha identidade. Descobri o que realmente queria ser e a minha potencialidade. E hoje tenho imenso orgulho disso. O rap fez o Kiddye Bonz. E consegui influenciar outras pessoas a construírem as suas personalidades e descobrir as suas potencialidades.

– Qual é o teu objetivo(s) com o rap, ou melhor, até onde quereres chegar?

– Quero que a minha música chegue aos ouvidos de quem está no poder, que toque no coração de quem a ouve e faça a diferença. Acredito que, com o meu rap, talvez eu possa mudar a mentalidade dos meus fãs e dos ouvintes em geral para que possamos viver “in a better place”.

– Quais foram as dificuldades que encontraste neste teu percurso?

– Não só na música, mas ao longo da vida deparamos com dificuldades. No rap, a maior dificuldade foi a aceitação porque, para muitas pessoas, este género musical é “cosa d´bandid”. Por causa disso, ao longo do meu percurso muitas pessoas tentaram barrar-me. Não se esforçavam e invejavam a minha evolução. Queriam que ficássemos no mesmo patamar. Pelos vistos não resultou.

“Eu quero que a minha música chegue aos ouvidos de quem está no poder, toque o coração de quem a ouve e faça a diferença…”

– Qual foi o momento que mais te marcou este teu percurso até agora?

– Ao longo do meu percurso tive vários momentos marcantes e emocionantes. Mas aquele que mais me cativou foi quando me cortaram o som em plena atuação num evento musical. Para a minha surpresa e alegria, ao sair do palco uma multidão pôs-se em fila para tocar na minha mão, mostrando-me “love”. Enquanto deixava o espaço do show, no carro que transportava os artistas, os meus fãs gritavam: “Kiddye no t ma boh!!”. Só de lembrar este momento, choro!

– Qual é a música que mais gostaste de compor?

– Sem dúvida, Galáxias.

– O que fazes quando não estás fazendo Rap. Ou seja, tens outro hobbie?

– Vejo animes, séries, também gosto de “chillar” com os meus, etc.

– Sabendo que viajas muito, isto não afeta a sua vida pessoal?

– Afeta e de que maneira! As vezes é muito difícil conciliar a minha vida e a música, dividir o meu tempo porque não sou uma pessoa muito organizada.

– Quais são os projetos para o futuro?

– Quero concluir os meus projetos discográficos e os dos meus colegas de editora. Depois trabalhar o merchandising e elevar o patamar da nossa editora de forma que ela seja o nosso ganha-pão futuramente.

  • Aluno do 2º ano de Ciências de Comunicação da Universidade Lusófona de Cabo Verde – Polo do Mindelo
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