“La Ronde” agrega expressões em crioulo para se aproximar dos mindelenses

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A peça La Ronde, com encenação portuguesa, russa e inglesa e elenco de actores portuguesa e russa, e que será apresentada nos dias 11 e 12 em São Vicente, vai absorver expressões em crioulo para se aproximar ainda mais dos mindelenses. Esta informação foi apresentada hoje à imprensa no Mindelo pelo director da In Impetus – Escola de Actores, Pedro Barão. Esta é aliás uma das novidades deste espectáculo, que chegou a ser proibido antes do 25 de Abril de 1974, encenado há quatros anos e que resulta de uma parceria Atlantic Drama Network (ADN), projecto internacional que envolve cinco países: Rússia, Brasil, Portugal, Inglaterra e Cabo Verde. 

Escrita pelo austríaco Arthur Schnitzler, este é drama psicológico sobre relações homem-mulher, erotismo, melancolia e traição como fuga, necessidade ou diversão, encenada no quadro dos quatros anos da parceria ADN, que chega em Cabo Verde através da ALAIM. A particularidade, de acordo com Pedro Barão, resultado do facto de ser apresentada em Cabo Verde, em português, russo, inglês e um pouco de crioulo. “Estamos a fazer isso porque a minha vontade é aproximar povos e culturas. E foi isso que também senti nos actores do elenco quando lhes fiz o desafio. É neste sentido que trouxemos connosco os actores José Fidalgo e Oceana Basilio. E também alguns actores russos, que infelizmente ficou retido por problemas de transportes.”

Mas esta parceria extrapola os espectáculos. Segundo Pedro Barão, significa, em termos concretos, o intercâmbio entre as escolas e estruturas que integram o projecto, designadamente da Russia, Brasil e Cabo Verde a participarem em varias actividades. No caso de Cabo Verde, por exemplo, três jovens – Ricardo Fidalga, Nick Fortes e Eliana Rosa – foram distinguidos com formação em Portugal. “A ideia, basicamente, um conceito assente na proximidade não geográfica, tendo em conta as distancias entre Russia, Portugal, Inglaterra e Rio de Janeiro, mas a nível da cultura teatral.”

Intercâmbio

Questionado sobre o que esperam em termos de troca com Cabo Verde neste projecto, o actor luso José Fidalgo foi taxativo. “Acho que o Festival Mindelact com os seus 25 anos e o João Branco falam por si. Vocês têm aqui muito para transportar para a Europa e não só. Esta troca, esta simbiose só acrescenta mais valor e qualidade a projectos como este. São 25 anos a fazer um evento internacional com grupos teatrais vindos do mundo inteiro para verem os trabalhos uns dos outros. Só este facto já vos coloca a cima daquilo que é considerado amador. Por isso, para mim, é uma honra estar aqui e ousarmos trazer esta peça que aborda estas temáticas. Vocês são os nossos anfitriões. Vão nos ver e julgar aquilo que vão ver.”

Para Pedro Barão, a alegada ausência de profissionalizalização combate-se com formação. E é isso que se tem feito, através do envio de estagiários para frequentar a Inimptus em Portugal. “Já levamos três jovens para Portugal e no nosso horizonte pensamos estender para outros países, designadamente Rússia e Brasil, de forma a que estas formações se transformem em oportunidades  destes jovens irem lá fora e regressarem com o conforte de uma formação para que possam profissionalizar o teatro”, pontua este director, para quem a ausência de profissionalização tem de ser combatida por todos para que se possa melhorar e produzir ficção em Cabo Verde. 

“Sei que o caminho é longo e não podemos colocar metas neste campo, mas penso que espaços como o ALAIM podem ter condições de ser um centro de formação ou estagio internacional na área do teatro, recebendo alunos de escolas de varias partes   do mundo, para além das situações pontuais, que são importantíssimas, caso por exemplo do Mindelact, do Over12, de entre outros. Neste sentido, teria, ao longo do ano, formações especificas em determinadas técnicas, workshops, entre outros.”

Já a atriz portuguesa Oceana Basílio, que está pela primeira vez em S. Vicente, mostra-se expectaste, sobretudo porque, diz, ouviu falar que há imenso teatro na ilha e os grupos têm uma comunicação saudável. “Estamos a espera de um publico que sabe o que vai ver. São muitos anos de teatro e daqui do Mindelo consegue-se ver muito daquilo que se passa lá fora. Por outro lado, estamos aqui para aprender, até porque é uma cultura diferente. Acho que teremos um publico atento que vai entender, inclusive porque sei que uma grande percentagem dos mindelenses vão ao teatro. Isto é muito bom”, conclui.

Constânça de Pina

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