Lançada 3. edição da “UniPalavra”: Revista coloca foco no mundo natural da reserva de Santa Luzia

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Foto: Nathalie Melo (Facebook Biosfesa 1)

A ilha de Santa Luzia é o foco da terceira edição da revista UniPalavra, projecto editorial criado no curso de Jornalismo da Universidade de Cabo Verde, lançada ontem à tarde em S. Vicente. Essa reserva natural é abordada ao longo das 32 páginas na sua dimensão histórica, ambiental, ecológica, turística e ao nível da segurança, com o propósito muito próprio dessa publicação de estabelecer pontes de comunicação e provocar debates. Como realça o professor João Almeida, essa estratégia motivou a primeira edição, que se debruçou sobre a produção do grogue de Santo Antão e o alcoolismo e também durante o colóquio sobre esse produto alcoólico, que envolveu médicos, psicólogos, jornalistas e mereceu o apoio da OMS.

“Continuamos agora com esta discussão sobre o ambiente, o equilíbrio ecológico, na qual contamos com a primorosa parceria da Associação Biosfera 1. Abrimos mais esta trilha, desejando que o caminho se faça com ajuda das linhas alinhavadas na revista”, realça o director da UniPalavra, para quem a revista pode não servir para nada, enquanto um mero conjunto de palavras, ou então despoletar a consciência de que cada pessoa e organismo colectivo pode agir em prol do equilíbrio ecológico, para manter o tema na pauta política, enfim, pensar o ambiente no seu sentido lato.

Intitulada Nova Largada, a terceira edição traz na capa uma foto da Calhandra do Raso, uma das aves mais raras do mundo e que esteve em perigo de extinção, muito por causa dos longos períodos de seca. Como releva o articulista Carlos Alves, em Dezembro de 2004 foram contabilizados apenas 65 exemplares, um ano depois o número cresceu para 130 indivíduos e hoje já são milhares. A “calhandra”, conclui, passou de ave quase extinta para “voos tranquilos” graças ao projecto de transferência da ave do Ilhéu Raso para a ilha de Santa Luzia, processo que envolveu a Biosfera 1, a Direcção Nacional do Ambiente e a Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves (SPEA).

A revista aborda ainda o caso da Cagarra-de-Cabo Verde, ave endémica de Santa Luzia, que esteve também prestes a desaparecer devido a caça desenfreada do animal por parte dos pescadores de Sinagoga, Calhau e S. Pedro. A luta em defesa da ave começou em Outubro de 2007, quando elementos da Biosfera-1 depararam com a matança de milhares de cagarras no Ilhéu Raso. Começava depois uma longa batalha de preservação da espécie, que incluiu a exposição do caso em vídeo, vigílias, expedições e a publicação de leis de protecção das reservas de Santa Luzia e ilhéus Branco e Raso.

Os impactos da mudança do estatuto de Santa Luzia de reserva integral para parcial, a fiscalização e a exploração turística dessa pequena ilha são outros assuntos tratados pela equipa editorial, composta por oito alunos finalistas do curso de Jornalismo. Estas contaram com o apoio de especialistas e imagens fornecidas por vários fotógrafos, que ilustram as páginas.

Para o professor Alcides Ramos, a publicação desse trabalho enquadra-se perfeitamente nos objectivos da Uni-CV, que incluem o ensino, a investigação e a extensão. “Este é um trabalho de muita utilidade que, à semelhança das outras edições, visa despertar a reflexão sobre temas candentes, neste caso a preservação do meio ambiente”, frisou o representante da vice-Presidente da faculdade de Ciências Humanas, que gostaria de ver outras equipas trilhando o caminho da UniPalavra.

A cerimónia de lançamento da revista incluiu uma conferência sobre a biodiversidade de Santa Luzia – proferida pelos docentes Corrine Almeida, Rui Freitas e Evandro Lopes – e a exibição de um documentário sobre essa reserva natural.

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