Lideres religiosos de São Vicente conferenciam a bordo do Navio Carson City

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Os lideres religiosos de São Vicente foram recebidos para uma conferência esta quinta-feira a bordo do navio da marinha americana US Carson City, Para a Encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA, foi uma oportunidade para falar dos desafios e do seu papel nas suas comunidades. Desafios que podem ser encontrados em qualquer lugar, designadamente a pobreza, o alcoolismo, problemas familiares, entre outros.

Amanda Porter, que chegou recentemente para ocupar o cargo de Encarregada de Negócios da Embaixada dos EUA, frisou, no seu discurso, que a visita do Carson City a Mindelo e a segunda, este ano, de uma embarcação norte-americana no Golfe da Guiné. No entanto, é a primeira a incluir uma aproximação entre marinheiros com parceiros locais, abordando temas como a manutenção de embarcações e informações sobre o cumprimento das leis marítimas, e o trabalho comunitário.

“ Cabo Verde é uma nação com uma longa tradição de aceitação religiosa onde todos desempenham um papel importante, mantendo assim via esta tradição. Estamos interessados em conhecer e aprender como Cabo Verde conseguiu tanto sucesso a nível do respeito mútuo e abertura religiosa. Gostaríamos de também saber que papel as comunidades religiosas podem desempenhar de modo a ajudar os cabo-verdianos”, disse aos aos líderes das igrejas Católica, Nazareno, Mórmon e Evangélicos presentes na conferência.

Para Amanda Porter, têm-se falado muito em tolerância religiosa, o que, até certo ponto, é preciso é entender que as várias religiões são diferentes e que as pessoas são obrigadas a aceitá-las. Mas acredita que, intercâmbios religiosos em torno da fé podem ser muito mais proveitosos. “Durante a minha primeira missão como diplomata no Senegal, aprendi imenso sobre a beleza de não apenas tolerar, mas sim abraçar as diferentes religiões”.

E foi este o espirito do encontro no Carson City. Os participantes debateram o papel dos lideres religiosos nas comunidades e nas forças armadas. Também analisaram como os militares lidam com a pressão e como é os líderes religiosos podem ajudar-lhes a ultrapassar os desafios do quotidiano. “Estes líderes religiosos tiveram aqui uma discussão frutífera sobre estes desafios, que podem ser encontrados em qualquer lugar: caso da pobreza, do alcoolismo, problemas familiares e outros”, afirmou ao Mindelinsite, realçando que a conferência foi sobretudo para conhecer e trocar informações e experiência.

Neste sentido, falou-se do papel do capelão militar de conselheiro do comandante que, a seu ver, não difere da missão do líder religioso junto das comunidades. “São comunidades diferentes, mas o propósito é similar”, completou a Encarregada de Negócios dos EUA.

Para o Pastor da Igreja do Nazareno, Adalberto Leite, o encontro de hoje mostrou que há um desejo imenso de unidade dentro das igrejas de modo a fazer chegar às famílias a mensagem de Jesus Cristo, que é o seu fundamento. “Se olharmos Cristo com o fundamento da Igreja Cristã, estaremos juntos nesta missão porque a mensagem é a mesma. Fora de Cristo não há fé cristão. Neste sentido, o encontro com o Capelão do Carson City, foi muito proveitoso. É uma pessoa aberta, simpática e que dá testemunho da sua fé. Uma fé que prática e que nos têm encorajado a uma unidade para que possamos apoiar e ajudar as nossas comunidades. Fomos desafiados também a apoiar os nossos militares”, explicou, deixando claro que, da parte da Igreja do Nazareno, há toda a abertura para interagir com as Forças Armadas.

“Estiveram no encontro altas patentes militares de Cabo Verde e, com certeza, também estarão abertos. Penso que podemos levar os nossos aconselhamos, princípios e valores que tínhamos antes como verdadeiros cristão e que recebemos dos nossos pais para os nossos militares. A ideia, no fundo, é tentar animar e humanizar ainda mais os militares que, por vezes, estão desestruturados por causa da pressão e do tipo de serviço que prestam. Penso que a igreja tem condições de dar-lhes o conforto que necessitam nestas horas”, acrescenta.

Esta mensagem é reforçada pelo Capelão Herbert Griffin, que exemplifica com o trabalho que presta no navio Carson City. “É compensador trabalhar com os militares. A média de idade dos nossos fuzileiros é 19 anos. São jovens com muitas questões próprias da idade e que me procuram para pedir conselhos, seja sobre sexo, amor, religião, finanças e desenvolvimento profissional. Também vêm ter connosco quando têm dificuldades para compreender onde está Deus quando enfrentam problemas, quando questionam a sua confiança, inclusive na religião, sobretudo em contexto de pressão. Então, nós trazemos o Divino à sua presença”, explicou.

Instado se já trabalhou em contexto de guerra, Griffin confirma que fez uma missão de nove meses no Iraque com o Corpo de Fuzileiros e uma outra no Afeganistão por 13 meses. Também esteve na marinha no Oceano Índico e na Guerra do Golfe durante seis meses. Para este capelão, trabalhar em contexto de guerra é compensador porque as as pessoas estão com o coração aberto para as coisas espirituais. “Existe um ditado que diz que nenhum homem ou mulher é ateu num contexto de guerra porque confrontam-se com a sua mortalidade.  Nós tentamos trazer-lhes as respostas”, acrescenta. É esta, aliás, a mensagem que quer passar aos líderes religiosos em São Vicente, não em termos de tolerância, mas de sintonia.

Constânça de Pina

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