Maestro Mick Lima regressa ao Carnaval d’Soncent: “Trago ideias para inovar a nossa batucada”

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O maestro Mick Lima regressou a S. Vicente, após dez meses em tratamento médico em Portugal, com energia redobrada e novas ideias para renovar os ritmos da batucada do Carnaval d’Soncent. Para já vai assumir a bateria do Samba Tropical, cuja música oficial foi apresentada Sexta-feira à noite.

Durante o tempo que esteve fora, Mick Lima trabalhou algumas ideias que pretende agora levar à prática. “Trago muitas ideias não só para renovar a nossa batucada como para promover a animação cultural. Quero criar um grupo de batucada para espectáculos espontâneos, mas que envolva passistas e mandingas. Além disso pretendo criar novas batidas. Aquilo que já introduzimos na nossa batucada foi bem aceite, mas precisamos inovar sob pena de ficarmos estagnados”, salienta o percussionista, que regressou anteontem a S. Vicente, a tempo de assistir ao lançamento do enredo do Samba Tropical. Uma presença que surpreendeu muita gente e que calhou no momento certo. É que ele irá reassumir o comando da batucada dessa escola de samba, desafio que promete agarrar com “toda a força”.

“Vou dar o meu máximo, espero que a malta venha ajudar para que possamos ter mais um grande desfile no próximo ano”, apela Mick Lima, que se mostra satisfeito com o projecto do Carnaval de Verão encabeçado pelo músico brasileiro Dudu Nobre. A seu ver, esta cooperação cultural tem trazido benefícios tanto para os grupos cabo-verdianos como para a parte brasileira. No item que mais lhe diz respeito, a bateria, Mick Lima considera que a afinação dos instrumentos e a organização dos tocadores têm sido até agora os pontos mais positivos dos workshops.

Pedido para comparar as batucadas do Mindelo e do Rio de Janeiro, este conceituado maestro mindelense mostra-se ciente de que a batida mindelense é mais rica e complexa por causa do leque variado de ritmos incorporados. “Aliás, o próprio Dudu Nobre disse-me que aquilo que fazemos aqui é reconhecidamente difícil. Repare que a cada quadra mudamos o ritmo de todos os instrumentos e metemos um brake – virada, como se diz no Brasil -, enquanto no Brasil têm o mesmo ritmo do início ao fim do samba-enredo”, compara Mick Lima, para quem fica difícil respeitar milimetricamente o compasso quando se muda de um kuduro para sanjôn ou funaná. “Há oscilações, uns aumentam e outros diminuem o tempo da batida, mas temos conseguido fazer a adaptação.”

Estar longe de S. Vicente em plena festa do Carnaval, ainda mais pela primeira vez, foi uma experiência angustiante para Mick Lima. “Foi mesmo complicado. Queria ver o desfile do Samba, estive a correr à procura de uma transmissão em directo até que consegui. Foi emocionante porque foi a primeira vez que vi o Carnaval de longe”, confessa o maestro, que sentiu ainda uma saudade maior no dia do desfile oficial. Mas elevou o pensamento e jurou que estaria de regresso em 2019.

“E cá estou com energia e motivação redobradas. Depois de 10 meses fora sinto uma grande satisfação em pisar de novo a minha cidade e continuar a dar o meu contributo para o Carnaval”, confessa o músico, que regressa à casa numa altura em que foi criada a liga dos grupos carnavalescos de S. Vicente, entidade do qual é sócio-fundador. Para ele, essa entidade mostra-se fundamental para o futuro do Carnaval de S. Vicente, que, nas suas palavras, precisa de um forte suporte organizacional pela dimensão e qualidade que atingiu.

Kim-Zé Brito

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