“Mandingas” sem instrumentos: “Vamos sair nem que seja a tocar latas”

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Os Mandingas da Ribeira Bote estão sem instrumentos de percussão suficientes para suportar os desfiles do próximo ano, que começam logo na primeira semana de Janeiro. Segundo Nilton Rodrigues, a nova direcção do grupo de animação herdou um conjunto de surdos, caixas e repiniques totalmente destruídos e sem a mínima justificação do antecessor pelo estado lastimável dos mesmos, o que poderá afectar a qualidade dos assaltos carnavalescos.

“Decidimos chamar a imprensa e revelar esta situação. Infelizmente a direcção cessante não nos deixou um único instrumento em condições. Vamos entregar cartas a empresas e particulares a pedir ajudas para a recuperação dos mesmos, senão este ano vamos ter de tocar latas”, frisa o actual presidente dos Mandingas da R. Bote, que tem neste momento disponível apenas três surdos e um repinique, que são manifestamente insuficientes para animar os milhares de foliões que se envolvem a cada desfile de Domingo.

Com ou sem instrumentos de pele sintética, os Mandingas vão sair à rua, segundo garantias de Nilton Rodrigues. Até porque 2018 é a estreia da nova direcção, que pretende homenagear alguns elementos já falecidos, como por exemplo Miguel, Djick, Flávio d’Pantxica, Sandra e Raquel. Pessoas que segundo Rodrigues eram mandingas de corpo e alma, mas que deixaram este mundo e correm agora o risco de caírem no esquecimento da história do emblemático grupo da “zona libertada”.

De acordo com Rodrigues, os instrumentos que os Mandingas possuem foram ofertados pelo empresário Odair Ferreira, porque nunca receberam qualquer apoio da Câmara de S. Vicente e do Ministério da Cultura. Porém, acrescenta, quase todos os anos precisam fazer a manutenção dos mesmos porque foram construídos com material de baixa qualidade.

Para a “guerreira” Manuela Andrade é estranho como os instrumentos serviram para o enterro do Carnaval – o último desfile da época passada – e aparecem agora destruídos. “Não posso afirmar que foram estragados de propósito, mas não aceito esta situação que considero uma falta de consideração”, diz essa membro da nova direcção, que está sempre na linha da frente dos desfiles dos Mandingas da Ribeira Bote.

A dois meses do final do ano, o ambiente ainda é sereno pelos lados da Ribeira Bote. Mas as coisas vão começar a aquecer assim que terminar a festa de S. Silvestre. É que o primeiro assalto acontece no dia 7 de Janeiro e será assim durante pelo menos seis semanas, a cada Domingo à tarde. E de novo, milhares de jovens e adultos vão percorrer a periferia da cidade do Mindelo trajados de negro e com uma vivacidade típica dos desfiles dos mandingas.

Kim-Zé Brito

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