Março Mês do Teatro: “Romeu ma Julieta” com casa cheia

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O auditório do Centro Cultural do Mindelo esteve lotado durante este fim-de-semana para receber a adaptação em crioulo da peça “Romeu ma Julieta”, uma coprodução entre o festival Mindelact 2017 e a Companhia Caixa Preta, do Brasil com a direção de Fabiano Muniz. A história trágica de William Shakespeare, saiu da cidade de Verona, na Itália nos anos de 1500, e aterrou na Vila Leopoldina, (actual cidade do Mindelo) para recontar o amor de Romeu e Julieta, um jovem casal tipicamente sãovicentino. Esta peça, que estreou no festival Mindelact, voltou a encher o Centro Cultural do Mindelo.

Tal como a obra original o enredo gira à volta das duas poderosas famílias – os Monteiro e os Copulet – inimigas há muitos anos. O velho Capulet, pai de Julieta, dá uma grande festa para a qual convida todos os amigos da família. Qual mussim de Soncente, Romeu que está interessado numa jovem arranja um plano para “rusgar” a festa para se encontrar com a jovem, mas lá dentro acaba por se render à belza de Julieta, filha do maior inimigo da sua família.

E assim nasce a história entre Romeu e Julieta, um amor que se desencadeia num ambiente genuinamente sãovicentino, entre lutas, disfarces, desacertos e muito humor carregada de gírias e expressões presentes no nosso dia-a-dia. Após alguns encontros amorosos, Romeu e Julieta decidem casar às escondidas, com a ajuda de um frei.

Mas esta que parecia uma história com um final feliz começa desembocar-se numa tragédia quando o primo de Julieta mata um amigo de Romeu durante uma luta. Mais tarde, Romeu mata o assassino do seu amigo, acirrando o ódio da família Capuleto. Romeu é então expulso da Vila Leopoldina (Cidade do Mindelo) e é enviado para Tarrafal de Monte Trigo. Enquanto isso, Julieta é forçada a se casar. Para evitar o matrimónio, esta pede ajuda ao Frei que lhe aconselha a tomar uma poção para que possa parecer morta Romeu aparecer para salvá-la.

Entretanto, por ironia do destino, o Frei não conseguiu comunicar o plano ao Romeu e este, pensando que a sua amada estava realmente morta, acabou por envenenar-se. Quando Julieta acorda descobre que Romeu envenenou-se e decide tirar a própria vida com um punhal. O fim trágico deste casal marca uma viragem na vida das duas famílias que acabam por selar a paz.

Nesta versão crioula, a além das gíria e expressões tipicamente sãovicentinas, a vivência da ilha do Porto Grande e o jeito mindelense de ser foi transportada para o palco quer através da música interpretada pela jovem cantora Eliana Rosa quer através dos personagens que enformam o elenco.

A próxima peça a ser exibida no Março Mês do Teatro é “Eu já fui Assim” do Grupo de Teatro Somá Cambá. O espectáculo acontece nos dias 9 e 10 na Academia de Artes Integradas do Mindelo. Segue-se o projecto “Blimundo” com a primeira exibição na Escola de Fonte Inês no dia 11 e uma semana mais tarde nos pólos da zona de Calhau.

CD

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1 COMENTÁRIO

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