Mindelenses querem recuperar trampolim da Matiota: Loteamento do terreno pode bloquear iniciativa popular

Um grupo de jovens de Chã de Alecrim está disposto a recuperar o antigo explendor do Trampolim d’Matiota em São Vicente, um dos grandes espaços de lazer da ilha. Este projecto colectivo, que já conta com apoio de várias empresas, poderá no entanto ficar bloqueado porque a Câmara Municipal de São Vicente já loteou o terreno da zona para construção.

A iniciativa da recuperação do Trampolim da Matiota partiu do emigrante, Rui Almada, que decidiu dar outra dignidade a este espaço que marcou a sua infância. Nas suas férias em São Vicente, arregaçou as mangas, convidou amigos e refez as escadas de acesso. Este gesto provocou uma onda de apoio sem precedente. Antigos e actuais frequentadores, amigos, mas também algumas empresas mobilizaram-se e estão agora a fazer démarches para recuperar o trampolim e a piscina, agora com mais segurança.

“Há anos que tinha a ideia de recuperar o trampolim porque vivi uma parte importante da minha infância ali. Foi e é a minha segunda casa quando estou em São Vicente. Vou lá tomar banho, mas também conviver com os meus amigos. Vi que estava muito degradado, mas que era possível fazer uma intervenção. Falei da minha ideia a amigos e todos aderiram. Decidimos então avançar”, conta Rui Almada ao Mindelinsite.

Compraram alguns sacos de cimento, aproveitaram a areia do local e refizeram a escadaria. Foi uma primeira intervenção, mas a ideia é fazer mais. “Vamos recuperar o trampolim e conferir-lhe a sua antiga glória. Para isso estamos a pensar colocar as pranchas de salto, construir o tanque e colocar corrimão”, pontua, realçando que a ideia é desenvolver este projecto por etapa, até porque tem recebido promessas de apoios, inclusive de outros emigrantes e de várias empresas, caso da Sina Construções.

Hernani Santos confirma o envolvimento da Sina neste processo. Segundo ele, pretendem fazer um projecto digno, com ajuda de fotografias antigas. Também estão à procura de plantas para recuperar o espaço, conferindo-o o seu desenho original. “Vamos refazer as escadas, recuperar as duas pranchas de salto, a piscina e dotar a zona de mais segurança. Para isso, teremos de retirar do mar alguns maciços de concreto, com ajuda de gruas”, explica.

Em suma, a ideia é fazer uma intervenção de fundo no local, que ainda é frequentado por muitas pessoas, sobretudo por jovens mais aventureiros e que gostam de fazer saltos acrobáticos. “Queremos dar a dignidade de outrora à zona, que era um dos melhores espaços de lazer dos sanvicentinos, mas que foi abandonado após a construção dos Estaleiros da Cabnave. Vamos recuperar as escadas, os trampolins, construir mesas…”.

Loteamento do espaço

O problema é que toda esta mobilização poderá ser travada, tendo em conta que correm rumores de que o espaço já foi loteado pela Câmara de São Vicente. Rui Almada, Hernani Santos e outras pessoas envolvidas acreditam que, a confirmar-se essa iniciativa da autarquia, pelo menos o trampolim tenha sido preservado porquanto, afirmam, é um espaço colectivo e o último vestígio da Matiota.

“Não acredito que as autoridades venham privatizar todo o espaço. Seria mais um golpe para os mindelenses. Sabemos que estão a vender tudo nesta ilha, mas espero que pelo menos este seja preservado. Estamos dispostos a lutar para manter o trampolim, seja através de abaixo-assinado ou de manifestações. Não vamos ficar parados. Estamos a falar de um espaço que marcou a nossa infância”, frisa Almada.

Este emigrante lembra que não existe nenhum outro trampolim digno deste nome em S. Vicente, por isso ainda hoje é frequentado, apesar de estar degradado. “Era um lugar de encontro. Cada jovem mostrava as suas habilidades. Competíamos para ver os saltos mais bonitos. Tivemos grandes figuras de Chã de Alecrim que marcaram época, caso do Jon Norode, do Nams, entre outros. Era difícil imitar os seus saltos, mas ficávamos satisfeitos só de ver. Queremos o nosso trampolim de volta”, diz Almada, com nostalgia.

Para isso, os impulsionadores deste projecto esperam também envolver a Câmara Municipal e o Instituto Marítimo e Portuário.

Constânça de Pina

9 COMENTÁRIOS

  1. Eu nao dei saltos neste trampolim de Matiota porque jà nâo era do meu tempo ; mas nos anos ( 40 /50 ) existia mesmo ao lado a Praia dos Falcôes , mais conhecida por ” Stêp ” , havia tanbém um trompolim nos lagêdos que chamàvamos de ” caisim de baleia !..Gràças ao Clube Matiota ,vê – se de vez emquando no Facebook aquela antiga praia , um balneàrio , construido pelo presidente da câmara municipal de Sao Vicente ; Julinho Oliveira !. E lamentàvel e podemos dizer mesmo inadmissivel vender aquela zona ” turistica ” , que faz parte da beleza da ilha de Sao Vicente !.;Caboverdianmente , Um Criol na Frânça ; Morgadinho !.;

  2. Trata-se de um espaço de lazer e de memória desta Cidade. Um ponto importante de desporto e de atração turística e por isso de grande interesse económico.. Por ser orla marítima com vocação especial para receber infraestruturas que possam servir o desenvolvimento socio-económico de São Vicente, a Câmara não deve lotear esse espaço para construção de qualquer habitação fora de um projeto integrado e sustentável da zona que sirva o desenvolvimento de São Vicente. Por isso o meu apelo vai no sentido da Sociedade arregaçar as mangas e apoiar a iniciativa dos senhores, Rui Almada e Hernani Santos. São Vicente precisa desse espaço para lazer e para atrair turistas..

  3. O local está loteado e pertence a dois irmãos Angolanos e um primo Caboverdeano, todos já não se encontram fora nesta ilha e um já teve alto cargo na Enacol , um ainda lá está na Praia também com alto cargo e outro já teve uma empresa de criação de porcos em SV. Adivinhem quem são?

  4. … o Litoral nao onde nao existe cais que pertence ao estado e conciderado sitio de Lazer , nao pode ser vendido a ninguem .
    Se nao me engano abrange os 200 metros.

  5. Sodade, ó tonte sodade. Sodade de kês temp ke nô ta bá pupú ne queizim, sodade de kês temp q nô ta bá pe Vascona comprá um letinha d agua, vinde de Sintantom, sodade de kes calçada sô bróque q no tinha ne Soncente, sodade de kel escuro q tinha, porque luz era ne Praça Nova pe kes português e ses colega de Mindelo, sodade de kes zona de Socente q era sô terra, especialmente Chã de Alecrim q era famoso pe kel terra vermelho; Ó tonte SODADE.
    Hoje nô tem esgote pe tude banda, agua encacalizóde ne quase tude casa de Soncente, quase tude rua de Soncente te calçadim e asfaltóde, Luz ne 99% de Soncente, até q mim te parceme q Chã de Alecrim ê de kes Zona de Soncente k crescê más.
    Te projecto municipal pe kel zona de Step? Seja quem fôr q ti te bá fazel, tchás fazel. Tude gente oiá o que era Rua de Praia. Ponte d’Aga fcá lá maravilhosamente.
    Mim um tem sodade de um cosa sô ne Soncente e Cabo Verde: JUSTIÇA DE VERDADE e RESPEITO.
    Um Abraço pessoal.

  6. Existe uma lei de ordenamento do território e que quem tem jurisdição sobre a orla marítima é o IMP portanto se houver alguma dúvida quanto ao loteamento do terreno Cas seja verdade que a câmara municipal loteou o problema está resolvido porque não pode ponto final que os 200 metros da linha da preamar seja respeitada e que se houver necessidade de licenciamento para a reabilitação do espaço o único caminho é o do IMP a câmara põe vender o que quiser mas passar papel falso da cadeia ….caros Rui ALMADA e Henani sigam com a ideia

  7. Acho bem a requalificação daquele espaço. Até a camara poderia envolver e apoiar a instituição de um evento ligado ao mar, com campeonato de saltos acrobáticos nesse lugar assim como doutros desportos ligados ao mar. Tiraram nos a Matiota estragaram a Laginha e agora levam nos o trampolim.

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