Mindelo, a cidade das acácias rubras  

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A floração da Acácia Rubra, uma árvore cujo nome científico é “Delonix Regia”, está a conferir uma coloração avermelhada e com requintes de flores às ruas da cidade do Mindelo. Espécie originária do Madagáscar, é difícil encontrar alguém capaz de explicar como é que esta extraordinária árvore veio parar à ilha de São Vicente. Considerada uma das mais belas do mundo, esta espécie de acácia é hoje reproduzida no viveiro da autarquia da terra do Monte Cara para embelezar as praças e outros espaços verdes. E, por altura do verão, mistura o verde das folhas com o vermelho das flores para mostra todo o seu esplendor, atraindo a atenção de quem passa. Por isso mesmo, não é raro ver mindelenses e turistas a admirar e a fotografar a sua beleza.

Frondosa, esta árvore possui um tronco forte e retorcido, mas que não é muito grande. A sua copa é no entanto larga, sendo algumas vezes maior do que a própria altura da árvore. Fora do período de floração, que vai de Junho a Setembro, essa planta passa despercebida. Perde as suas flores e folhas e torna-se apenas em troncos e ramos secos, da cor do solo desta ilha. Mas, quando ganha vida, as suas flores vermelhas ou alaranjadas emanam uma energia contagiante. Por causa disso, há quem o apelide de “árvore flamejante”. Já os frutos são do tipo vagem. Ficam castanhos quando maduros.

Toda esta exuberância justifica a sua reprodução em viveiro, segundo informações da bióloga Carla Andrade. “Temos um viveiro na Estação de Tratamento de Águas Residuais, onde reproduzimos a acácia rubra que temos vindo a plantar nos espaços verdes. É uma árvore utilizada sobretudo para o embelezamento, mas também pode ser colocada na via pública. No entanto é de difícil reprodução”, frisa esta bióloga.

Carla Andrade, que há 18 anos trabalho na ETAR, não sabe quando ou como é que esta planta chegou à ilha São Vicente. “Quando cheguei aqui já encontrei este viveiro. A acácia rubra é uma das espécies que reproduzimos aqui. É uma planta que não apresenta grandes riscos. Um dado curioso é que é uma árvore caduca, ou seja, de seis em seis meses fica sem folhas e sem flores. Por isso, não a colocamos no centro da cidade. Quando está sem folhas, as pessoas pensam que está seca e arrancam-na”, revela esta bióloga, que diz recorrer a internet para pesquisar mais informações sobre esta espécie.

Funcionário reformado, Virgílio Lima conta que quando começou a trabalhar na Câmara Municipal, em 1973, já havia acácia rubra em São Vicente. “Havia algumas lá para os lados da Igreja de Nossa Senhora da Luz. De facto, é uma árvore muito bonita, que era reproduzida no viveiro. Continuamos a plantar porque é uma árvore que não exige grandes cuidados. É difícil de início, mas quando pega é muito fácil, basta cortar os ramos para conferir a forma redonda e colocar algum adubo. E cresce com enorme rapidez”, explica este jardineiro, que assume ter plantado boa parte das acácias rubras que hoje existem um pouco por toda a ilha do Porto Grande.

De referir que, para além da acácia rubra com flores vermelha e laranja, existe uma variedade chamada “Flavida”, que possui flores amarelas. De acordo com uma pesquisa na internet, as raízes das acácias são agressivas, tornando-a imprópria para ornamentação de calçadas ou próximo a tubulações de água, esgoto e construções. Por outro lado, cresce rápido, cerca de um metro por ano, até atingir a idade adulta, podendo a sua altura chegar aos 15 metros. Outra curiosidade é que tolera a salinidade do solo, pelo que pode ser cultivada no litoral. Em projecto de paisagismo é excelente para jardins, parques, praças e pórticos.

Constânça de Pina

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1 COMENTÁRIO

  1. As acácias rubras de Mindelo conferem à cidade uma beleza especial nesta época. Adoro essa árvore e hei-de plantar a minha parte. A cidade conhecida como cidade das acácias rubras é Benguela em Angola. Aí sim, a planta atinge as dimensões referidas, não se aconselhando que seja plantada próximo a residências. As plantas conhecidas como mote d’Cuxim são muito mais perigosas para os passeios e residências.

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