Mirri Lobo e “amigos” na praceta Dom Luis: show memorável em homenagem a Soncent

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A praceta Dom Luís foi ontem palco de uma noite mágica. Mirri Lobo e “amigos” elevaram a cultura cabo-verdiana a um patamar que não deixou dúvidas sobre a qualidade da música nacional. Vários ritmos passaram pelo palco, interpretados por um leque luxuoso de artistas: Nancy Vieira, Lura, Jennifer Soledad, Djila, Jorge Sousa e o próprio Mirri Lobo.

Numa noite de temperatura amena, centenas de pessoas tiveram o privilégio de encontrar um lugar nas arquibancadas colocadas à volta do espaço e apreciar a performance dos referidos intérpretes. Mas nem todos tiveram esse privilégio, uns quantos só puderam ouvir de longe a melodia que emanava do palanque e sentiram-se de algum modo “discriminados”. Embora inconformados, fizeram questão de curtir esse momento que se mostrou memorável na cidade do Mindelo.

Estreado no Sal, ilha berço de Mirri, o show já vinha com selo de qualidade, e não era para menos. Este projecto, como realça o cantor, aposta no melhor da música cabo-verdiana e, se depender dele, será levado a todos os recantos de Cabo Verde. Enquanto anfitrião, coube a Mirri Lobo iniciar o espectáculo com a sua voz potente. Após interpretar algumas canções do seu grande sucesso Caldera Preta, deu espaço a Djila, o seu compatriota salense e irmão do falecido Ildo Lobo. Antes, no entanto, Mirri Lobo fez questão de interpretar uma das muitas músicas marcantes gravadas por Ildo, “uma das maiores vozes masculinas da cultura cabo-verdiana.”

Djila, que lançou recentemente o CD Tubarão Solitário, mostrou que o sangue musical corre na veia da família e que a Morna é um estilo em que se adapta sem espinhos. Três músicas depois, foi a vez da primeira voz feminina tomar conta da noite: Jennifer Soledad. Com a sua rouca, ainda mais rouca por causa do desfile dos mandingas, a extrovertida artista levou o público ao delírio ao fechar a sua actuação com a música “Ariah”. Uma escolha adequada e que se encaixou no ambiente do Carnaval que se vive neste momento na ilha de S. Vicente.

Quando Jorge Sousa pegou no microfone o público já estava bem aquecido, mas ninguém esperava uma actuação tão electrizante do “jovem” showman. Confiante, abriu o espectáculo com “This is a man’s world” e deixou a plateia rendida com o nível da interpretação de um dos hinos mais simbólicos de James Brown. Antes de passar o micro a Mirri Lobo, o artista mindelense agradeceu o convite e sublinhou o desejo de voltar a fazer parte do projecto.

Nancy Vieira, a cantora de voz doce e romântica, fez duo com Mirri Lobo na primeira canção e depois ficou dona do palco, ela que não esqueceu a saudosa Cesária Évora ao encerrar a sua rápida actuação com “São Vicente e um brasilim”, uma marcha do Carnaval que, como se depreende, encaixou-se que nem uma luva.

Descrita por Mirri Lobo como uma “força da natureza”, a cantora Lura subiu ao palco com a sua presença “autoritária” que leva a todos a ficar ansiosos para ouvir a entoação da sua voz potente. Antes de deixar o palco, Lura levou todos, mas sem excepção, a levantar-se da cadeira e dançar um “bom funaná”. Se o espectáculo terminasse nesse instante todos sairiam da praça Dom Luis saciados, mas Mirri e amigos deram um “bónus” ao público ao interpretarem “Incmenda d’terra”. A plateia cantou, dançou e fez coro.

Kim-Zé Brito

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